pra ler no ritmo de corda pulada

duas irmãs brincam pequenas, brigam

pequenas, param

pro almoço é

Feijão. duas irmãs dormem pequenas,

correm

pequenas, acordam de pijama

azul.

duas irmãs voltam

pequenas, da Escola

Imensa, o primeiro

dia

de aula.

duas irmãs crescem pequenas,

sonhando e

pequenas, dormindo

no quarto

igual.

duas irmãs

ocupadas e grandes

agora crescidas,

já hoje sem mãe,

se ligam no meio

da noite:

até o Alô

é difícil.

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o atraso

chutei as pedrinhas da estrada quando senti que você não vinha

Mais.

Tirei elas do meu caminho, deixei só

a Terra,

que sempre levantava com o vento, nascido das rodas rápidas que passavam por ali e

não paravam.

Estava tudo certo para termos a melhor semana das nossas vidas, pelo menos eu.

De noite conversamos por telefone, você disse

das malas prontas, mas hoje

desviou o caminho,

preferiu pegar a estrada sem mim e eu aqui, na rodoviária feito

Besta, num choro engasgado de

peito, umatumblr_nikcox6FzL1u7p6r4o1_500

ânsia.

Pensei que podia ir atrás de você até a sua cidade, mas que ridículo isso seria.

Porque um dia

Morro

e não sei

Quando, desperdiçar o tempo é criminoso por ser jeito de matar, também.

Olhei minha mala em estado de

Espera, era

triste. Eu de calça jeans, batom e bota te esperando era

ainda mais Triste, o amor

É história pra boi

Dormir. O que existe

é a sede,

amor é feito de 2 ou mais pessoas e 2 ou mais pessoas

Raramente concordam em qualquer coisa, por isso viram pó e

desilusão.

Você foi muito Covarde, hoje.

Avisar antes

pode ser legal. Passou um ônibus escrito

Salvador

que parou para uma família entrar. Entrei junto,

pra não voltar, esperando sinceramente que você se Foda porque eu

estava Machucada

demais.

O pessoal que ficou na rodoviária

Te viu

Chegando

20 minutos depois, mas o pessoal da rodoviária não sabia quem era você e também não sabia

quem era Eu, 1 mulher sem celular

desde semana passada, por culpa do filho

da puta de um

Ladrão chamado Pedro, um garoto de

17 anos

que pretendia se casar com a namorada assim que tivesse grana

o Suficiente

pra isso.

vamos parar de nos enganar assim

depois de todos esses anos ele me chamou pra fazer um Filme.

Quando éramos amigos,

ele já gostava de cinema mais que de teatro,

Eu comprei no shopping 1 caixinha de guardar qualquer coisa que fosse pouca com a foto da Marilyn Monroe na parte de cima, ou era o

Charles Chaplin, não me lembro, lembro que paguei R$13,90 e o ano

era de 2006, perto do

Natal, mas

não por isso.

Dei o presente na Casa das Rosas, estávamos ensaiando uma peça

que na época parecia que ia mudar o mundo mas

claramente não mudou. Você chorou no meu presente e eu pensei que você talvez não estivesse acostumado a ganhar presentes e por isso

você se apaixonou por mim. Acontece que Não foi por mim. Foi pelo que eu fiz você sentir, a textura de ganhar algo como demonstração de Afeto é

milenar.

Depois dessa peça eu fiz só mais 1 pra nunca mais

Pisar no palco. Meus amigos-atores me esqueceram. Diziam que eu era

O Talento quando estudávamos juntos, mas quando sumi não recebi nenhum telefonema me pedindo:

-Volta.

Eu sei que a vida não é assim. Eu também não liguei pra ninguém. Tinha 18 anos e me apaixonei por um rapaz

Que não gostava do fato d`eu fazer teatro por beijar

outras bocas que não a dele, além do fuso horário de ensaio.

Foi muito fácil desistir por amor. Nunca mais eu quero desistir de nada na vida mas isso é tão

impossível. A cada escolha

Já desisto de outras mil coisas importantes também, lindas também.

Agora depois de anos, quantos? oito,

nove,

você me mandou uma mensagem no

celular

perguntando se eu teria interesse

de fazer um filme

seu.

Um filme, eu pensei. Estava no ponto de ônibus me imaginando num set

por 3 semanas. Me imaginei lendo o roteiro, gostando das falas que eu teria. Falando elas no banheiro pra me acostumar com aquelas sequências de letras que não fui eu quem escreveu ou pensou, mas

deveriam parecer tão minhas quanto qualquer parte do meu corpo.

Me imaginei depois, também, em telas de alguns cinemas de Rua e no

Youtube na casa das pessoas.

Disse que eu me interessava,

sim. Digitei a palavra

Quero.

Você ficou de me mandar um email que nunca chegou. Fiquei ligeiramente esperando mas sem esperança porque penso que Atriz foi uma morte em mim

que eu fico tentando ressuscitar porque acho bonita a beça a palavra

Interpretação, além de imaginar Sophia Loren andando pelas ruas

Com a Itália inteira no Peito, jorrando.

Até que, tempos depois, você me mandou outra mensagem pelo celular, perguntando se eu tinha recebido o tal email, já que meu nome

Não estava na grade dos testes pro seu filme, você

diego,

diretor de cinema, agora.

Eu disse:

-Não recebi email nenhum.

E você tentou me ligar umas 3 vezes, meu celular justo no dia estava com problema na operadora e eu não te ouvia

Nem você

Me ouvia e no outro dia, ainda,

Você preferiu me mandar uma nova mensagem dizendo:

que desencontro.

ao invés de seguir tentando falar comigo até pr`um papo no café da esquina.

E eu

preferi ler a palavra

desencontro

digitada por você pra mim

e concordar um pouco, além de escrever esse texto ao invés de Simplesmente

te ligar.

o dia em que eu gastei dinheiro demais

era um cantor preto, careca, voz de

sereia, o meu cantante preferido daquele programa que, em meados dos anos 90, estava só

começando, mas

agora

já é a velha forma de reality

show.

Eram uns 15 cantores concorrendo a sabe-se lá o que, tinha a ver com 1 prêmio em dinheiro e

Vaidade, todos

tentavam muito ser o melhor segundo o público e os

jurados. Eu,

só tinha olhos pro meu calvo cantor preto.

Ele não era como os outros, bitolados na tela da televisão. Ele,

era trejeitado pra falar quando não estava cantando mas

na hora das suas apresentações

ele deixava

o acaso agir e destampava o palco que virava um buraco fundo de muito blues e sou(l). Eu acreditava em deus ouvindo esse homem

cantar. Ele carregava na voz

Aberta

a história da família inteira, a vó cantava na beira

do Rio

Lavando roupa, a dela e da metade da vizinhança, mulher-trabalho,

a gordura

nunca a impediu de acordar cedo todos os dias e

que Timbre!

A bisavó era coro na Igreja, ficou mais famosa que o padre, o pessoal só ia na missa pra ouvi-la

cantar. Rezava o terço em voz de lamuria e nunca se ouviu coisa mais bonita

em toda Minas

gerais.

O pai

Cantava na Obra e a voz do homem

se ouvia lá do último andar no prédio que morava colado no que ele construía.

Depois andando pro ponto de camisa aberta e

a pinga,

ninguém dava nada pelo sujeito, um tipo cu seco, vesgo, boca torta. Agora da janela dos prédios tinha gente que chorava ouvindo o homem cantar. Dona Dora, a síndica, dizia pro marido que pagaria até ticket

em teatro grã-fino só pra conhecer o dono

da voz

do blues. O marido ficava puto. E passava duro na rua

pelo pai do meu preto, procurando o maldito cantor que deixava Dona Dora tão acesa sem nem desconfiar

da reza

1/3.

Essas historias,

meu cantor contava em entrevistas rápidas

nos bastidores do vídeo Show. Suas falas nunca eram protocolares,

Ele aumentava as lentes das câmeras de televisão e chegava imenso na gente sentada no sofá o assistindo, aquele sujeito

Era Incrível. Eu tinha 10,

11 anos, pouca coisa pra fazer na parte da tarde e um dia,

No programa dos cantantes,

meu cantor ficou na Berlinda,

Estava pra sair do programa e dependia das nossas

ligações. Pediu ajuda olhando pra`s câmeras, eu gelei.

As minhas tardes sem ele, imagine, ficariam

Desastrosas de tristes naquele calor horroroso de novembro, minha mãe me chamando

Pra secar louça e eu

sem desculpas pra dar de que estou fazendo

Outra coisa, mãe, agora não, porque eu não estaria fazendo absolutamente nada e ela perceberia, meu ócio estava por 1 fio. Além do mais o preto ainda não tinha cd gravado,

o programa era a sua chance,

aos 11 anos eu não sabia que existia Muddy Waters e Nina Simone, meu cantor era único e eu queria que ele tivesse

todas as chances do mundo, meu primeiro

grande

Amor.

Peguei o telefone e disquei o zero

800

do time dele. Liguei quantas vezes, 1000,

2000? Eu tinha tempo, era menina e meu preto

saiu coisa nenhuma do programa, ficou que foi uma beleza até a semifinal, o problema foi quando

veio

a conta de telefone e meu pai gritou meu nome

lá da cozinha de

cinta

com uma voz

Rasgada

que não lembrava em nada

meu cantor voz de

sereia.

Fim

Por mensagem você me manda um curto:

Posso te ligar?

Me adiantei.
Te liguei antes, prefiro. Sabia que a notícia que viria não
seria boa,
intuitivamente eu já sabia, desde Semana Passada.
Desde que
te conheci. Os tempos
nunca são tempos, são
Términos, não vamos brincar que sim. Ainda que voltemos, não voltaremos nunca mais,
Talvez só de um jeito tão absolutamente novo que será estranho e curto te ver no Futuro, será
Esmagador.
Gostaria de poder congelar a vida, não consigo nem gelar
meu próprio copo. Evito
vinho tinto
nesse calor maldito e evito lembrar da gente
Em fotografia pra não sofrer.
As felicidades
passam
E voltam, eu mesma faço assim nas ruas quando ando,
Passo e
volto e
nunca sou a mesma que pisou ali. Posso fazer esse exercício a vida inteira: não entenderei.
Os dias
Rodam,
Mudam, fico
muda, devastada, mesmo sabendo que reviravoltas existem. Minha mãe me contou disso quando eu tinha cinco. Deu minha boneca preferida, ela era um palhaço. Chorei tanto, achei que perderia
1 olho, minha mãe me disse:
– Bonecas não são pessoas.
E me ensinou o que é morrer.
Tentei te arrastar comigo, você não quis, não
conhece a palavra amarra.
Te Perguntei, um dia,
Enquanto fumávamos no seu terraço:

– Tem coragem de largar tudo?

Você Disse que
sim. Você
sempre teve.

E eu,

A corda.

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Não deixe a mulher sozinha

Queria ter comprado aquela máquina de escrever que vimos Juntos. Você estava certo, eu preciso de raízes, uma hora ou outra acaba a crise e eu tenho que escrever com mais instinto. Teria ido hoje na loja,

depois do almoço,

mas acabei me perdendo no chá, eu fiztumblr_mbaeaxkkYC1rq7yhco1_400

um chá

da tarde

pra gente: tu

não

veio.

Tinha me prometido, inclusive, mas a sua boca fala mais do que seus passos, sempre foi assim. Eu tinha deixado a casa limpa, comprado bolachas, terminado um livro

pra gente conversar. Sei que não gosta de futilezas, verticalizo-me por ti all the time. E porque te amo

me esqueci do mais importante:

que tu

é

casado.

Tua mulher

Teve criança

eu sou último plano. Também queria fazer neném e cê me diz:

– Calma doçura.

Odeio quando você me diz disso, faço drama, quero agora. Uma mulher precisa de estepe, qualquer segurança e algumas promessas. Já existem bocas pra tu alimentar,

eu sei

Mas não é só de grana que se vive um povo. Tu me prometeu um chá e 1 filho mas nunca

avisa quando.

Estou farta e febril é o fim.

Queria te ligar, são 5 e combinamos 3. Olhei o telefone, Vermelho.

Que sozinha, Benito, que bobagem, eu tinha te colocado um vestido.

Olhando assim

de cima

tenho belas pernas, ótimas cochas. Por vaidade, levantei um pouco o meu vestido. Sou Cristã mas não morri. Tentei te ligar no celular, fui amável. Poderia tentar ligar na tua casa, imagine. Te foder, you Know, mas eu te amo e acontece também que não sou ignorante. Sei respeitar a burguesia. Só gosto de saber do seguinte: caso quisesse, poderia Te foder numa boa.

Te liguei no celular, portanto, o chá

Gelado.

As bolachas

Murchas, te liguei no celular e tu não me atendeu. O telefone vermelho na mão direita, chama

que chama

mas tu

não me atende: Maldito.

O telefone gelado no meu ouvido, minhas coxas e tu acredita que o formato do tel

lembrava teu pau?

A cor também, que tu é branco e fica ruivo quando está de pica dura.

De repente,

o telefone me pareceu tão tocante. Dei-lhe um beijo de língua. Beijei com gosto aquele tel e fui descendo pelo peito, barriga, perna. O telefone lembrava muito teu pau e eu o enfie em mim,

pra mim. De fora,

restou Só o fio.

Gemi e pensei que agora

Seria uma boa hora

Pra tu me ligar: que solidão,

amor.

Homesick

no telefone

ouvi de ti muitas coisas de ontem

enquanto tomava um café

salgado

porque quando se tem sono

sal e açúcar se parecem

tanto

que chega a ser perigoso.

 

 

Ando em minha casa descalçada: de camiseta e sem calcinha porque

porra,

se eu não posso ser

rainha

da minha sala

que puta de merda eu farei na rua?

 

 

Minhas janelas são sem cortina, tá tudo lavando, o que é bem normal em apartamentos de cidade grande. Minha

casa

tá pelada e hoje a tarde me bateu uma vontade

de trocar de roupa bem na  frente da janela, o que é que tem?

um par de tetas não é lá grande coisa

prum vizinho que me olha da esquina.

 

 

Fiquei de jeans sem blusa

pelo tempo de um cigarro na varanda.

O corpo nu é sempre um alarde.

 

 

eu não entendo porque as pessoas se ofendem mais

com bundas

do que com elas mesmas.

Outro dia, pra tu ter uma ideia, fui à uma loja de cosméticos e a moça,

uma tetéia,

tirou de mim a maquiagem, na frente do espelho,

pra ver se a nova base que eu comprara

caia bem na minha pele.

A moça  me pegou de surpresa, me deixou de cara limpa, eu mal conseguia olhar no espelho, tive náuseas,  a tetéia

me fodeu,  arrancou de mim o que me esconde e eu, porra, fiquei mais nua sem rouge

do que sem blusa.

 

 

Sai da varanda, fui pro quarto.

liguei meu abajur em meia luz.

seis da tarde e tu

me ligando

feito louco.

Não atendi  teu telefone.

Ouvi de ti tantas coisas de ontem que queria mesmo

era ficar sozinha.

Coloquei na vitrola o jazz que me faltava porque o blues, baby, esse me sobrava.

A vida

às vezes

é

tão

pesada.

Eu só queria ir ao cinema sem ter que pensar nas mil coisas que vão desde o preço do estacionamento

até a cor do sutiã que combina ou não com a blusa.

Meu deus.

Eu só queria ir na porra

de um cinema

ler o Hank e te mandar

pra puta que pariu.

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