Golf

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você
sem deus
é nada, li
a frase
na traseira de um
caminhão.

Fiquei pensando,

eu sou
tanta coisa

enquanto deus
é um sujeito que nunca vi. Superestimado ele,
com certeza, no fundo um omisso. Sem coragem de dar as caras pra falar
abertamente
das merdas que fez.
Quando olho a cidade do carro
sinto vontade de morrer, o rio
acompanha o asfalto, o rio
é Sujo,
feio e, ao redor dele inteiro,
acontecem diversas obras, o governo
quer construir um Futuro além dos sofás sem dono na estrada, dá pena,
a pessoa pensa,
não quero mais esse troço, então
ela joga
o troço
na Rua que a Cidade
é grande, ela sempre
aguenta.
Ultrapassei o caminhão, queria conhecer o Motorista com tanta certeza das coisas que não existem.
Olhei o sujeito,
ele tinha bigode e na boca
uma goma
de mascar.
A cidade está lotada, fora as pessoas que não estão ali, estão em casa, nos shoppings, nas lojinhas. Do carro,
vi um cara no celular rindo pra tela, vi uma família atravessando na faixa, fazendo o certo, eu vi sacolas,
faróis vermelhos e constantes, a
Velocidade reduzida, as multas, a mãe sem paciência e sem sorriso,
O trabalho de
Merda até às 18, um mar de gravatas mal pagas eu vi
do carro a gente toda e
Deus é deus,
Você
é nada. O dose
é que sinto que sou tanta coisa, como posso caber no
Nada? Se me amo num homem que quero
Conhecer mas
não conheço, se compro discos, se acendo luzes, fecho armários, leio livros, penso em mim, como posso
simplesmente
não Ser?
Deus
é um Esporte pra poucos.

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as Músicas são Normais

Comprar coisas não me faz feliz pra sempre.

Me faz feliz um tempo, depois

me faz

Melancolias.

Como é o caso desse anéis. Comprei os dois hoje e escrever com eles nos meus dedos está me

deixando feliz de um jeito simples.

Mas passa.

E depois que passa, fico pensando que troquei dinheiro por

Bobagens

perecíveis

enquanto tanta gente

Troca dinheiro por

Remédio pra

curar a dor. As físicas, provocadas por defeitos

Físicos. As provocadas por sentimentos

não tem

Cura. O amor não tem remédio, como numa vez que amei

demais.

O nome dele é Rafael. Hoje olho fotos e não sinto

nada

mas demorou anos pra parar de

sentir.

E chego a ter calafrios ao lembrar do

quanto

Sofri nesses tempos, me anulei, era inerte

Ou

Inútil tentar viver.

Perdi a alma em tudo que não era

Rafado.

Não conseguia existir longe dele e quando perto,

Não conseguia respirar direito. Passei o Natal

Sem entender,

Olhando pra’s nuvens

Comendo peru e pensando que

eu devia é estar transando com aqueles olhos de moço que fuma. Ele escrevia poemas maravilhosos depois que enrolava um beck e usava calça xadrez sem cueca.

Enquanto isso eu no Natal, rodeada de parentes falando coisas,

pra mim eles eram só lábios que se mexiam sem som. Achava-os patéticos cá dentro, sentia febre. Foi quando o Rafael me mandou uma mensagem no telefone.

Disse lindo do nosso amor

1999: não mencionou o menino jesus.

Quase chorei, tive suores nas costas, como doía ao invés de ser bom e não tinha remédio pra isso, nem ele mesmo

me adiantava porque a imagem que criamos do amor é sempre maior do que a pessoa amada.

Ninguém

pode satisfazer um Louco, eu sofri. Durou 3 anos, mas passou.

Assim como a alegria de comprar coisas passa. Troquei 400 mangos por 1 vitrola que, até mês passado, era a queridinha da casa. Hoje a olho como olho

um pão. Meu entusiasmo de colecionar discos passou, assim como um cachorro

na rua

Passa,

a dor de perder alguém

Passa,

as horas

passam

Não passam quando a gente ama junto.

aí congela e

depois

também isso

Passa.

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Uma mulher, segundo si mesma

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Das obrigações estou farta, exausta do que me nega 
do que em mim se repete 
dia
após
dia

Não aguento mais minha cara. Essa cara que não combina comigo, que não escolhi em nada, que não me interessa em nenhum traço, e nem meu corpo, que a vinte e cinco anos me persegue, me esconde. E me fode. 
Me aborreço com uma intensidade suja, em pleno contraste com os sinos
de natal e com as promessas de um ano 
novo.
Preciso de um pouco de espaço.
Estou cansada 
de tudo me que tira 
o gosto do café da esquina, de tudo que me furta da embriaguez 
e da boemia. 

Choro ao volante, poluo o meio ambiente e não faço esporte. Mais um ano que se passa e eu
simplesmente
não fiz nada a respeito daqueles sonhos, no máximo,
planejei uma viagem 
que não fiz, 
faltou dinheiro, 
aquela merda.
Estou ficando velha
com pouca idade, meus amigos me disseram
estou ficando azeda mas ainda tenho espinhas, quando o que eu deveria ter
são as linhas 
de expressão, sou 
atriz. 

Ainda bem que tem você, com sua língua 
milagrosa.
Se não, 
nem sei.
Cada lambida tua é um ano a mais que ganho 
Ontem mesmo, quase fizemos amor no chão de locais imundos
E sabe que, com ontem, eu ganhei uns dez ou doze anos a mais 
de vida.
Obrigada. 
O mais incrível é que cê me deseja. Cê acha minha bunda linda e disse que mesmo pequena 
eu era maior que tu.
Tu me deseja, eu sinto, mas não entendo como teu pau fica duro ao meu lado. Nesse mundo, sempre tem alguém que não concorda 
nem um pouco 
com você. 
Sorte minha, amor. Estou farta de espelhos.

 

Devolva a minha calcinha (antes que o mundo acabe)

Em meio ao caos de dezembro

(que é sempre um tempo

intenso)

abraço amigos queridos que digo que amo. E amo mesmo. Nessa época do ano, a gente fica com sentimento de mundo. Eu,
particularmente,
fico de pele em flor, com choro quente na manga. É que estou fechando ciclos, abrindo outros, pisando em ovos. Estou entrando em fase business, baby. Não sei se é minha cara, não sei se eu dou conta ou até mesmo se vai dar samba. Sou da arte, mas tenho medo. Medo, como todo mundo. Se pareço confiante, é porque sou amante da vida. Mas se quer saber de uma coisa, eu te conto: a gente nunca sabe.

Mesmo.

Nem em dois mil
e treze
ou até depois de Steve Jobs.
A coisa toda é um mistério, a vida só faz charme e o tempo, bom…
o tempo
é de tentativa.
Ontem foi foda, senti saudade antecipada. É que quatro anos não é brincadeira. De tudo que aprendi e não foi pouco, de tudo que sonhei e não foi fácil, levo comigo meus amigos. Meus lindos,
doces
amigos.
Me sinto lotada
de medo e questões
(tão nossas)
como: quem sou, pra onde vou, de onde venho, pra que tanto dinheiro, porque hoje e não amanhã, quando a gente morre vira estrela e etc, e etc, e etc.
Acho que agora,
Especialmente,
ninguém mais me segura.
A parte triste é que você não mais me adora. Me odeia, me despreza, me acha suja. Não me entende, nem me desculpa, dizem que você não pode ouvir meu nome. Porra…
Me perdoa.
Eu estava desesperada, te procurando em outros corpos. Queria, de você, mais um pouco, você não dava. Estava doente, de amor, de ti, de abandono. Entenda o efeito que cê me causa. Respeite minha loucura, você me deu o osso e depois me tira, eu fiquei bruta.
Carente.
Se fiz o que fiz, foi de saudade. Nunca quis te fazer chorar. (Apesar de que chorar é bom, tira o vício dessa mania boba de século vinte um, em que todos devem ser felizes cem por cento, bem alimentados, evitando o câncer e a fadiga.)
Se te fiz chorar, está feito.
Só espero que essa mágoa passe.
Repense.
Não seja careta ou vulgar.
Não quero viver o fim de ano com você me odiando. Mas entendo seu tempo. Só não esquece que eu te amo e que o mundo acaba em breve, pra de novo se construir em dias, que podem ser extremamente vazios para aqueles que não veem além do próprio pinto.
Pior que acabar o mundo é acabar sozinho, num quarto de hotel. Você também já fez isso antes. Você colocou uma loira na minha cama. Eu nunca te culpei. Agora é tua vez.
Não me culpe ou
me (des)culpe
que a vida só faz charme e o tempo, bom…
o tempo é de fim de mundo.
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