a Leitora

 

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o tempo que ela tem pra ler tantos livros é mais alargado que o tempo dos outros que dizem

não ter tempo pra ler 1 romance inteiro ou tempo

É escolha?, na Lavandaria um cesto de roupa

Suja

 

 

há 30 dias.

São Lençóis

acumulados, calcinhas, toalhas

de banho, na mesa do almoço uma lasanha

Congelada\Descongelada em 15 minutos além do suco de caixinha e de grude

só o micro ondas que vai ficar

pra limpar

depois, também. Porque agora a Rita está na poltrona.

Agora a Rita está na cadeira da cozinha apoiando o livro na mesa.

Agora a Rita está

Grifando uma frase

que vai render tantas outras, que vai render olhar a rua

de um ângulo totalmente novo, vai render

uma torta de limão na boca com mais gosto de limão e menos de danone.

Agora a Rita está pensando em tudo o que o escritor disse

Sem dizer, agora a Rita

está na Internet

pesquisando o escritor pra depois

mandar um E mail pro escritor e discutir aquele conjunto de palavras que rendeu um

Mergulho na piscina do prédio que a Rita mora faz

15 anos e faz 15 anos que a Rita Nunca tinha nadado ali.

A roupa

Suja

não para de receber mais

roupas

sujas, no armário do quarto está um silêncio de algodão.

a lasanha

dura

estocada no freezer está acabando, faltam 2, e o pó

no chão

dança quando bate o vento da Janela sempre aberta, o pó

muda

de lugar mas sempre

Para

nos cantos por uma questão de proteção. As Obrigações

estão todas Mortas, estão todas A sete

palmos, esperando a Rita

pra ganharem

Vida, uma hora ou outra ela

 

Vai

Ter

que Fazer.

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amor

Pensei no Livro, não em 1

Específico,

acordei pensando no livro como coisa, as palavrastumblr_nnaf6lPE451qdtnqko2_400

umas atrás das outras, as imagens

se molham nas memórias,

A textura da capa, da folha, o cheiro da tinta que

nunca borra porque secou faz

tanto tempo, os grifos nossos,

Sempre tão nossos,

Unicamente nossos os entendimentos que fazemos dos outros.

A língua em que se lê o livro, a língua em que o livro foi escrito de verdade, quantas milhares

de pessoas falam essa língua, tantas

outras

não.

Quanto anos de estudo pra ler

1 livro e o Escritor,

Quantos livros

ele já

Leu? E segue lendo, quantas anos gastos por vida com o olho fixo no papel e olho

Nunca está

Fixo no papel, tá dentro, tá fora

nas estantes

empoeiradas, 1 casa

cheia de

Livros parece boa pra mim. A gente nunca entende tudo de uma obra, a gente nunca entende tudo de

nada, em cada momento de leitura

a gente aprende uma coisa desaprendendo outra, o conhecimento

Vaza

e quantos são os bancos que nos sustentam durante as leituras, os de praça, os de casa, os de ônibus, às vezes

ficamos em

pé,

o chão sustentando os

Pés, a

Poesia

Não precisa de chãos, poesia é

cal, livros

gordos, livros caros,

tem leitura que fazemos deitados fisicamente em alguém,

Tem leituras que fazemos deitados emocionalmente em alguém,

Quantas coisas envolvidas no processo de Ser 1 livro, o antes,

As árvores, a editora, o editor que preferiu

Acreditar,

O revisor

A gramática, antiquíssima.

A nota de rodapé é um

professor, além do Depois do livro.

A vida

Muda

diante das letras. Fica calada porque ler

é grande.

Amadurecemos como fruta depois de certas leituras, chega a dar

Saudade

quando o livro

Acaba, daquela que sentimos por gente que amamos muito e o medo de perder. E o medo de morrer.

Não dá pra entrar muito fundo em outra pessoa que não seja você

te vi cansado numa foto, alisei
você com os dedos já que, por hoje, não podemos ficar juntos.
Sinto saudades de alguém que dei 7 beijos e nunca transei. Mas sei o gosto que tem o seu dedo e sei que você vai muito ao banheiro. Volta
de cabelo molhado, eu não digo nada.
Mas sei.
Esse corte novo cê detesta, prefere mais curto. Eu prefiro assim e desde então não nos vemos há
dias. Talvez não nos veremos mais.
Ao menos
temos os nossos cachorros, nossos celulares, temos a
vida pela frente, ainda temos um pouco de água, o chuveiro aberto,
o bar da esquina. Podemos nos locomover pelas ruas sem morrer nenhuma vez já que, Estranho, nós continuamos vivos. Por quanto tempo não dá pra saber que
deus é um sujeito que Joga, mas por enquanto estamos
aqui.
Podemos
Pegar um taxi, sentir tristeza, matar a fome com um lanche, pelo menos a nossa, sempre as nossas na frente de tudo. Ainda podemos dormir até as oito e dizer no trabalho uma
Mentira à toa, perto das tantas que contamos
só no dentista. Ainda podemos nos mandar mensagens de texto, evitar o amor, se estiver no
começo,
Evitar a gravidez.
Duro mesmo será quando não pudermos mais esses tão poucos.
Você me perguntou, inclusive, queria saber se eu era livre. Eu disse:

-Ninguém é.

Você sorriu:
-Eu sou.

E pensa que sim porque escolheu não ter carro.
Eu entendo você como o homem mais livre que conheço e não duvido
do dia em que tu me disser:

– Comecei a escrever aquele livro.

Ele Terá cheiro do que já foi, terá um pouco de mim
e todas as outras mulheres que você já conheceu,
em
Maior ou
menor grau de
Convivência, não importa. Ainda que moremos juntos, ainda que eu leia todos os livros você me disser que:
-É bom.
Mesmo que eu ame a sua mãe, que eu te veja com medo, que cê me pague um taxi pra casa e não aceite os seus 120 reais de volta. Ainda assim, sempre seremos
dois estranhos.

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Li(cor)

Detentor de conhecimento(s), parece. Possuidor
daquela
dor que te deu as
rugas.
Não é de tragarias, Classe
não se traga. Se respira,
depois
Inspira ares de um livro
bom.
Charutos parecem canudos de grandes historias que
depois
viram fumaça
expeça
ao redor de ti.
O cheiro é difícil, como
também é a
vida e
nem por isso
menos bela.
O ato, os
olhos, a posição da cabeça que fica, não há humildade e também
não há
tragédia: o pior dos problemas espera
o fumo
do charuto
sem presa.
 

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Elogio

Um Escort a dez por hora numa avenida de movimento: não

eu não acredito em deus. Tem um cara na minha academia, sessenta e poucos anos, se

deus fosse vivo, ele

seria esse cara. Muita ruga, muito charme, magro, olho

danado, boas leituras, bom cheiro, nada nele não me agrada,

deus seria assim.

Mas com essa avenida tão fria, essa falta de velocidade, acabo ficando

Bastante

realista. O vento eu não vejo mas ele existe. Isso não é prova de que deus também existe, porque o vento

eu sinto e

em sentir eu acredito. De deus, escuto muito dizer e se fosse rezar pra pedir as coisas, acho que pediria pra achar um livro perfeito,

que me traga brisa

e me traga um jeito

forte

de pensar

diferente.

Um amigo chamado Marcelo me disse um dia pra eu não acreditar em elogios. Disse só pra eu continuar estudando e

Escrevendo, balancei a cabeça positivamente.

Levei a sua fala como um elogio, talvez o melhor que já recebi, e acreditei nele.

O Escort continuava a 10

por hora, me deixando nula em qualquer possibilidade de ultrapassagem para além da buzina ou do voo.

O Escort

estava no meio da rua

me fazendo ter tempo pra pensar no como eu cheguei até aqui. Por que escrevo? Por que escrever pra mim é natural? Eu podia dançar, ao invés. Ou tocar gaita.

Tem um outro amigo meu, o Mateus, ele me disse que escrever é empurrar letrinhas. Empurrar

Foi uma ótima escolha de

verbo.

Também ele já me disse uma vez que sou bonita, mas me chama mais de gostosa do que

De bonita.

Homem é

grosso, mulher é

carne. Acho péssimo isso em todos os quesitos da vida menos no sexo.

Agora o Mateus, eu gostaria muito que ele me visse pra além das alegorias. Outra dia

ele disse que eu estava muito magra, mas ainda

bem gostosa. Eu não agradeci e

acreditei de novo. Comecei a comer melhor.

O Escort

virou a direita,

ufa.

Agora dirigindo veloz tenho chances de não pensar mais em nada, como se

fosse possível. Se deus fosse vivo, além do livro, eu pediria pro cara um tempo de pausa.

Zero de pensamento, um vácuo sereno

e Profundo,

Descuidado,

Um silêncio de dentro, um shiu pras vozes internas, dá pra pedir

Mais de 1

Coisa

Pra deus? Acho que sim, mas talvez com estratégia. Tem gente que pede em reza felicidade, mas

Convenhamos, a felicidade engloba um infinito de desejos e

possibilidades, que gente

Esperta.

Acreditar deve ter gosto de pirulito.

 

Trilogia

de todos os homens dessa última semana você foi o único que me convenceu. A vida está verdadeiramente muito frágil, qualquer dor que tenho no peito acho que é infarto, as

pessoas

estão vazias, tentando conquistar as outras da mesma maneira que tentaram conquistar a conquista passada, a velha maçada do amor com um plus de poder ficar sem sexo por no máximo 3 dias e só. Somos cães, ultimamente,

somos búfalos, fortes e

sem foco, eu

já vi homens mais bonitos que tu,

mais bem acabados, inclusive,

me

querendo

querendo me dar carona

me levar pra casa

assim como você tentou. Digo não pra todos, deslizo como desliza a mão nos azulejos, quero

tudo até o ter, quando consigo

desisto. Não sou nenhuma gata de beleza inesquecível, mas

confesso que estou numa fase boa, homens interessantes andam me dando bola e eu fui escolher justo você pra beijar na boca, foi

um beijo

Ótimo

um pouco rápido no começo mas

depois te mostrei meu ritmo e a gente flutuou, você disse que ia bater punheta pensando em mim essa noite. Eu disse,

– Para.

E também bati a minha pensando em tu, teus dentes preenchem a boca, meus dentes são feios,  esquisitos, mas você me disse

que eram bonitos

e que também

você dava sorte

com

Mulheres, do ponto de vista estético. É culpa do seu charme. É uma tranquilidade sua seduzir moças. Amei todos aqueles livros que você me deu, a cidade

é tão grande, dará tempo de ler cada um?, ainda há espaço pra poesia?, mesmo quando temos que pegar condução mas

ao invés

pegamos gripe?

E pegamos pessoas também, nesse compromisso social falido que chamamos de amor, hoje em dia tem até aplicativo pra descolar uma foda, e que tipo de foda seria essa quando sei a quantos metros exatos está a tal pessoa que penso que desejo comer? Ficou pior que pagar almoço por quilo, procuro a dignidade e não encontro, escrevo-te de

olhos fechados no computador, não preciso ver as letras, minha mente está em Ontem, compreendo o teclado de cor e vou jajá ao mercado

te comprar um vinho

e te ligar às 11, perguntar teu endereço, pra gente passar a noite junto como se fôssemos casados, dois estranhos num grau máximo de intimidade é a nova ordem, um amor

a qualquer custo,

quero teus dedos na minha boceta, enfiados, se movendo lento na minha dança molhada enquanto a gente se beija, você aos 38, eu aos 26,

faltando poucos dias pra copa

pra`s férias

escolares

pra aquele show que tu tanto esperava,

faltando 2 dias pro domingo, mais 1 domingo dos não-sei-quantos

ainda terei,

qualquer coisa pode esperar, não

acredito em

urgências,

exceto

quando digo

de Amor.Bild 4

Pausas são luzes

um
não-se-perca-no-mundo-das-Letras, é como na vida
numa
cidade turbulenta mesmo que boa, é tanta coisa, tanto som, tem horas que a gente
não aguenta, é preciso desistir por hoje, vem o sono, o carro, compromissos, os
chamados
pra existência
burocrática, a gente
é obrigado
a parar
mesmo quando não
queremos
nem
um pouco.
Mas calma, o
marcador
te guarda a página,
a última,
e caso tu tenha vários,
eles
podem marcar teu lugar prefiro no mundo daquele livro e quem disser
que ler
não carece de ajuda
está louco
no sentindo da falta de entrega
no ato
de entrar em
contanto
com as palavras de um poeta

Gérard-DuBois20-500x508

Mesa pra um

Nas ruas os pés sem cabeça,tumblr_ljyo6lHa8t1qe7ucso1_500

as placas.

Não olho nunca pros rostos,

nunca pros olhos, que eles dizem demais pra quem sabe de menos.

Prefiro a janela e uma bela macarronada.

O apartamento em paz e sem tv.

Cortinas cremes, um suco, alguns livros que não sei qual começar, é difícil,

me parece definitivo escolher uma história só. Sou mulher de muitas, não há vazios por onde amo.

Tentei o rádio, mas é só notícia e eu não quero notícia: quero voar.

Voltei a vitrola, olhei discos.

Talvez eu devesse voltar a pintar. Ou talvez eu devesse continuar a dormir. Não sei. De que vale a vida, afinal? Me vem vontade de morte toda vez que o céu

fica assim rosado.

Mas quando escurece passa. É que escurece também em mim o medo e as coisas podres.

Queria juntar no peito todas as contradições do mundo. Queria que nada fizesse sentido, nem meu corpo, e que nenhum homem jamais se aproximasse de mim por causa dos seios.

Mas é sempre pelos seios e eu me sinto sozinha. Não quero ser carne, o desejo me assusta. Não gosto de festas e nem de sertanejos.

Da música,

preciso do blues e da cerveja e de alguns compassos que me façam ter coragem de olhar nos olhos.

Semana passada eu estava na rua.

Mês passado também, de bicicleta, que uma mulher, once in a while,  precisa de ar. E de amor. E de algumas carícias na coxa.

Qual o quê!

Impossível encontrar um ser que te queira como és. O que vejo são seres que querem a-si–mesmo, num dueto do sozinho infinito. Assim fica fácil, assim fica sexo. Eu passo.

Prefiro a janela e uma bela siririca.

Não me importo de ficar nua ao meu lado, pelo contrário, me sinto leve.

Tenho Bukowski no travesseiro e Beatles no meu carro, eu tô legal.

Entre o amor só

e o amor egoísta

eu fico com o livro.

 

 

(Smiths aqui)

O diário da amante

(leia ao som de um cigarro)

Nossos olhos se encontraram pelo espelho.

Puta que pariu.

Eu estava mesmo a procura de um amor reviravolta, só achei que ia demorar mais um pouco.

Meus lençóis ainda estão quentes.

Eu quis fugir-te. Essa história de colocar olho no olho me cheira a estupro. Parece que a pessoa está te lendo toda, sugando teus pensamentos, te deixando nua.  Assim mesmo, sustentei tua encarada por alguns segundos. Foi o que aguentei. Minhas costas ficaram úmidas e também minha calcinha. Qual é o teu segredo?

A voz?

A barba?

Socorro, baby.

Esse teu jeito de como-quieto-e- não- te- ligo me deixa louca. Não me olhe mais assim ou eu vou te.

Bom.

Vou te dar uma chave de pernas.

Aposto que tu nem reclamaria. Sei que sonha comigo, que imagina a minha bunda e, na noite passada, imaginou meu peito. Minha barriga. Ai, que cê deve comer tua mulher

pensando em mim.

Teve um dia que cê veio me falar um não-sei-que e encostou a mão no meu ombro: meu sangue subiu pra bochecha. Não sou tímida, repare, só não sei lidar com a paixão.

O que eu sei é que nos daríamos muito bem.  Na cama e fora dela. Discutiríamos García Márquez ao som de John Coltrane. E depois falaríamos de deus

e de como ele tem sido um velho sacana. Conversaríamos sobre trabalho também,

mas só um pouco. Depois nos comeríamos, cada um com seus órgãos, mas nunca gozaríamos juntos.

Sou eu que preciso de mais tempo,  por causa do amor e também

por causa do clitóris.

Tua mão no meu ombro eu nunca esqueci. Prometo. Tu é rústico e isso me excita. Tu é casado e isso me fode.

Gostaria de conhecer tua mulher.

Ela faz o que? É arquiteta? Aposto que trabalha com decoração. Deve ser bonita, que tu merece. Mas não deve ter sal nem pimenta. Ela dorme de calcinha grande, acertei?

Eu durmo só de lavanda.

Ela deve ser loira, nariz perfeito, mas pouca bunda. Eu, amor,

sou puro Blues.

Te deixo louco sem você nunca ter me tocado.

Pensa nisso.

pensa em mim e pensa no meu corpo em cima do teu. As probabilidades de encaixe

são grandes.

Vou te deixar meu número na porta do carro, quer?

A gente combina um café, ué, não tem gente que pede indicação de livro?

Conselho pra vida?

Dinheiro emprestado?

Pois então.

Eu

só tô  te pedindo uma chance.

AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR PLÍNIO

Imagem

na paulista vi uns putos gritando preconceitos e pedindo assinaturas.
Algumas, não poucas, pessoas assinavam. Que porra de cidade de merda. Não aguentei e gritei sou gay pra ver se eles me queimavam. Os reaças deram de ombro.
Claro.

tenho bebido muito refrigerante, pegado metrô e descobri anteontem na revista
que gostar de cachorro é instinto.
5 páginas
sobre o amor que se sente,
do ponto de vista científico.
Certo.

a cidade é cheia de bosta.
gente fedida
gente mal perfumada
mal educada
e gulosa
o que dá tudo na mesma quando se está em horário
de pico.

andar na rolante
pegar o trem com blusa transparente.
Pés, passos, pés
Passos
Pés
mas
e os sonhos?
Nunca saberei o sonho de ninguém, quiçá só daquele fellow,
que não tirava os olhos do meu peito.
Cara de bobo, calça caída ele se esqueceu do meu rosto
ficou só com a teta.
Dele eu sei o sonho.

A cidade é feita de rodas.
em salas de espera só tem revista
nunca livro.
de vez em quando encontramos um conhecido
com o abraço e a promessa do encontro, prum café
que never ever
irá acontecer.

no banheiro do shoppinho, na vitrine ou na praça de alimentação eu sinto
a ânsia daquele feeling
de out of control porque hoje,
em pleno doismiletreze,
eu vi aqueles putos gritando preconceitos e pedindo assinaturas.

Algumas,

não poucas

pessoas assinaram.