Não dá pra entrar muito fundo em outra pessoa que não seja você

te vi cansado numa foto, alisei
você com os dedos já que, por hoje, não podemos ficar juntos.
Sinto saudades de alguém que dei 7 beijos e nunca transei. Mas sei o gosto que tem o seu dedo e sei que você vai muito ao banheiro. Volta
de cabelo molhado, eu não digo nada.
Mas sei.
Esse corte novo cê detesta, prefere mais curto. Eu prefiro assim e desde então não nos vemos há
dias. Talvez não nos veremos mais.
Ao menos
temos os nossos cachorros, nossos celulares, temos a
vida pela frente, ainda temos um pouco de água, o chuveiro aberto,
o bar da esquina. Podemos nos locomover pelas ruas sem morrer nenhuma vez já que, Estranho, nós continuamos vivos. Por quanto tempo não dá pra saber que
deus é um sujeito que Joga, mas por enquanto estamos
aqui.
Podemos
Pegar um taxi, sentir tristeza, matar a fome com um lanche, pelo menos a nossa, sempre as nossas na frente de tudo. Ainda podemos dormir até as oito e dizer no trabalho uma
Mentira à toa, perto das tantas que contamos
só no dentista. Ainda podemos nos mandar mensagens de texto, evitar o amor, se estiver no
começo,
Evitar a gravidez.
Duro mesmo será quando não pudermos mais esses tão poucos.
Você me perguntou, inclusive, queria saber se eu era livre. Eu disse:

-Ninguém é.

Você sorriu:
-Eu sou.

E pensa que sim porque escolheu não ter carro.
Eu entendo você como o homem mais livre que conheço e não duvido
do dia em que tu me disser:

– Comecei a escrever aquele livro.

Ele Terá cheiro do que já foi, terá um pouco de mim
e todas as outras mulheres que você já conheceu,
em
Maior ou
menor grau de
Convivência, não importa. Ainda que moremos juntos, ainda que eu leia todos os livros você me disser que:
-É bom.
Mesmo que eu ame a sua mãe, que eu te veja com medo, que cê me pague um taxi pra casa e não aceite os seus 120 reais de volta. Ainda assim, sempre seremos
dois estranhos.

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Fiu Fio

das cores
podemos só
escolher
meia dúzia
pra passar nablade-runner-tournage-polaroid-01
boca.
Podiam ser mais, podiam ser todas, o azul 
o verde
o banqueiro
o médico
todo mundo que quisesse passar batom que passasse
os feirantes, os rabugentos, imagine aquele puto brigando contigo de
batom, seria bom, seria
humano, minha avó, tua sogra,
passar cor na
boca devia ser decreto
pra antes das refeições, assim
a gente não esqueceria nunca do quanto existir é
efêmero, a Morte
estraga festas como um
guardanapo estraga
a pintura, esse
creme de
lábios,
amanteigado e
didático
devia ser also
democrático,
assim como
o Amor e também
Deus,
no dia do juízo
final,
deve
passar Batom pra
conversar com a gente sobre
suas
Sapecagens.

 

o feito

Vida

dividida

em contra

passos,

a matemática

define em partes

a existência

o

relógio é Senhor dos Espaços,

na parede,

no braço e

nos casos

mais graves, dentro da cabeça da gente, tic

tac tic

tac

corre que a vida

tem prazo

chegou o minuto

exato de

ver-te

comer-

te

nós

dormiremos em cima das horas, não há nada mais bonito do que a falta de compromisso, isso

se chama

Liberdade e só o Amor é capaz de parir um tempo

sem

registros

t           i       c

t                            a                             c

bom mesmo é ponteiro virando

bússola

reka_koti1

Inbox

Ele me chama de Mulher e me convida prum los_angeles_16800
Whisky.
Diz:
– Vamos, eu te busco e tal, por onde você anda? Onde você mora?
Não sei onde moro, amor. Deveria morar na minha casa, mas lá é o lugar aonde eu menos moro e,
por vezes
me pego pensando sobre o quanto eu seria Mais-eu se morasse
Mais-só.
Ah, o sonho da Liberdade, essa mistura maluca de coca-cola com sucrilhos.
Sempre tão impossível e tentador
bonito
e interessante.
Meus lençóis, meu sabonete. Como eu queria uma privada só pra mim. Já diz o nome,
P r i v a d a: não é coisa pra se dividir com ninguém.
Juro que daria tudo pra dormir no sofá e
não ter alguém pra me tirar dali, dizer pra eu ir pra cama, desligar a tv, escovar o dente. Tenho 25 anos, porra, e minha família não me respeita.
Na minha casa eu me masturbaria até na cozinha e quase que já me vejo tomando um café na varanda do meu futuro apartamento.
Meu canto seria uma constante de mim. Lá
não entraria ninguém que não fosse do meu agrado. Mulheres dormiriam na sala, Homens tomariam banho, poucos cagariam, muitos comeriam e minha parede seria
menta.
Eu teria uma vitrola e um fogão de 65, tapetinhos cor
De creme
E cortinas
Muitas cortinas pra praticar meu esporte preferido, o
Isolamento.
A cozinha teria quadros e a sala
nada,
acho,
só a vivência dos amigos
e amantes.
Não,
ninguém mandaria em mim. Eles
nem teriam esse direito. A sagrada boca da minha mãe se calaria, enfim.
Tudo
dependeria
apenas
de mim.
Que tesão meu deus eu quero muito mas sou artista e
por minhas poesias
Ninguém paga um puto.
Dizem:
– Do caralho, Aline, do caralho!
Mas não é de caralho que se vive um homem. Ou talvez
Seja.
O fato
é que não pago nem as contas do mercado. Moro com gente
que me abafa, que não me assanha nem nas cores
nem nos volumes.
Tudo é emprestado,
Atravancado, Até a geladeira e o papel higiênico. A toalha de banho, o cheiro.
Outro dia mesmo um cara me disse:
– Pô, gata, vamos fazer umas fotos? No estilo sexy intimista, bora?
Eu:
Não sei não, hein. Não tenho corpo pra isso, mas tenho uma imagem a zelar. Como é que fica minha vida acadêmica? Meus alunos vão querer me comer. E outra, onde faríamos essas fotos?
– Na tua casa, ué. Por que não?

Por que não?!
Tu
não entendeu porra nenhuma do que eu disse aí em cima, né, irmão?