pra ler no ritmo de corda pulada

duas irmãs brincam pequenas, brigam

pequenas, param

pro almoço é

Feijão. duas irmãs dormem pequenas,

correm

pequenas, acordam de pijama

azul.

duas irmãs voltam

pequenas, da Escola

Imensa, o primeiro

dia

de aula.

duas irmãs crescem pequenas,

sonhando e

pequenas, dormindo

no quarto

igual.

duas irmãs

ocupadas e grandes

agora crescidas,

já hoje sem mãe,

se ligam no meio

da noite:

até o Alô

é difícil.

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Piscina

a primeira vez que nadei num Clube foi meu tio,

des-casado com a minha tia,

que me levou.

Eu estava de viagem na casa da prima. Ele veio buscar a menina que pais separados

veem filhos de sábado

e domingo, assinam papéis pra decidirem assim.

Ele chegou avisando de buzina. A prima pegou a mochila pronta e me deu um:

-Tchau.

bem seco, só pensava em Piscina naquele dia quente e ainda era cedo, 9 horas

da manhã.

Ficariam só os adultos na casa e eu.

Minha mãe me ofereceu Fanta uva num copo verde, ou seja, aparentemente

ia ficar azul o líquido e isso me animaria a beça se fosse outro dia qualquer, mas era muito Sozinha

ficar só eu de criança numa casa que não era

a minha.

Meu tio notou do portão o tamanho

do meu olho de

triste. Perguntou

– cê não Quer ir junto?

Com voz de quem realmente gostaria que eu fosse, até então eu não estava me sentindo bem vinda por culpa da prima que só queria

Competir.

Amei meu Tio aliviada e olhei

pra minha mãe

com esperança, ela olhou preocupada pra minha tia e disse:

– ela tá sem biquíni.

Ela nada de calcinha, eu ouvi

minha tia

dizer.

eu não queria nadar de calcinha. Escapou com força da minha boca a frase:

– eu não quero nadar de calcinha.

Apontei pra porta do quarto da prima:

– a Ju tem maiô guardado na gaveta.

– Mas a Ju é mais velha.

– prefiro nadar com maiô grande do que nadar de calcinha.

E prefiro nadar de calcinha do que não ir pro Clube, mas isso

eu não disse

pra ninguém.

Minha Tia foi até o quarto e pegou o maiô vinho da minha prima dois anos mais velha que eu.

A prima

colocou a cabeça pra fora do carro e ficou olhando

eu pegar tímida

o maiô dela e ir pro banheiro me trocar, nossas competições eram muito

sutis.

Entrei no banheiro, tirei a roupa.

O maiô da Ju tinha o cheiro dela, o formato

dela, colocar aquilo era quase como

Roubar aquilo, me sentia um pouco má com amargo no peito. Mas não ia nadar de calcinha na frente

do clube todo, muito menos na frente

da Ju pra depois virar

chacota. Vesti o maiô e encarei o espelho. Estava grande, um pouquinho, mas eu estava

bonita. Combinava com os meus joelhos aquela cor vermelha-escura.

Eu estava até

mais bonita que a Ju vestida com o mesmo

maiô, já vi ela usando no Natal do ano

passado, num pulo na piscina do vizinho e a visão

do seu

Bum

Bum não saiu da minha cabeça. O maiô continua servindo no Natal desse ano porque

a Ju

Cresceu pouco. Eu cresci muito. Tenho até

pelo

no lugar que fica a calcinha que agora

está o maiô

e que antes

ficavam os pelos da Ju mais velha, por isso

ainda mais

peluda. Pensar naquilo

me deu

1 tremedeira nas pernas e um

molhado no meio das pernas, coloquei a mão pra passar.

que coisa,

A sensação

de tremedeira ficou mais forte, eu me senti um

tigre,

Deitei de bruços no chão do banheiro e esfreguei meu corpo

No piso gelado pensando

naquele dia que a Ju mexeu por horas no meu cabelo pra fazer uma trança e irmos pra festa.

Minha mãe bateu na porta tentando abrir,

Deu certo, filha?

Levantai num

Salto. Respondi que:

-sim!

Ainda bem que eu tinha trancado e

antes de abrir a porta do banheiro me olhei de novo no

espelho pra ver se a minha cara

estava

Denunciante, mas

até que ela estava

1 cara

Normal.

longo9

mãe morta

tropecei no bambolê também porque usei uma velocidade muito acima do necessário pra buscar a bola

de vôlei que

Ia cair

em Cheio

no Jardim do velho rabugento, eu

já estava vendo

aquelas Margaridas

Voando

com as pétalas

em migalhas, culpa da cortada

Mal dada

diretamente na cabeça das

Plantinhas.

Eu corri, mas tropecei no bambolê intrometido, esquecido na beira da calçada acho que até por mim, e caí

de joelho

no asfalto sem poder evitar

a morte, as pétalas

Voaram

exatamente do jeito que eu imaginei porque não era a primeira vez.

Deu pra ouvir os passos

pesados

Do velho rabugento descendo as escadas Louco da vida,

louco também pra furar a nossa bola pra sempre, assim a gente parava de Destruir

O jardim

Dele, éramos Bomba.CKjrv4ZWsAAy7Cu

Até tentávamos brincar longe

Da casa

Do velho, mas

que batata, a bola

tinha Imã e caia categoricamente em cima

das plantinhas mais bonitas do Jardim, pra matar.

Corri pra pegar a bola antes do velho, o sangue no joelho

escorrido pra canela

não me assustava porque

eu ainda não tinha o visto.

Peguei a bola, o bambolê (mas não devia) a mão da minha amiga que me disse preocupada:

-cê tá bem?

Fiz Uhum com a cabeça, só pensava em dar o fora antes do velho chegar, tínhamos a idade curta ao nosso favor o que era

um vento e corremos

Pra dentro

Da minha casa, latejantes.

2 criminosas.

-Bandidinhas! – o velho gritou

Ouvimos com o coração

na boca.

Tínhamos medo da cara do velho. Fechamos a porta pra tudo isso e sentamos de costas pra ela

Rindo

Nervosas, tão

meninas. Foi quando eu vi a minha meia antes branca

Agora

Vermelha.

Foi quando eu vi o Rombo

no joelho

direito, tudo vermelho na minha

Pele

Marrom. Senti um Peso na perna como se eu não pudesse dar mais nenhum passo na vida, o olho

Ficou molhado,

As bochechas

Vermelhas molhadas,

A boca

Salgada Abrindo do tamanho do mundo

pra chorar muito

Alto,

assim quem sabe a minha mãe conseguia me ouvir.

o dia em que eu gastei dinheiro demais

era um cantor preto, careca, voz de

sereia, o meu cantante preferido daquele programa que, em meados dos anos 90, estava só

começando, mas

agora

já é a velha forma de reality

show.

Eram uns 15 cantores concorrendo a sabe-se lá o que, tinha a ver com 1 prêmio em dinheiro e

Vaidade, todos

tentavam muito ser o melhor segundo o público e os

jurados. Eu,

só tinha olhos pro meu calvo cantor preto.

Ele não era como os outros, bitolados na tela da televisão. Ele,

era trejeitado pra falar quando não estava cantando mas

na hora das suas apresentações

ele deixava

o acaso agir e destampava o palco que virava um buraco fundo de muito blues e sou(l). Eu acreditava em deus ouvindo esse homem

cantar. Ele carregava na voz

Aberta

a história da família inteira, a vó cantava na beira

do Rio

Lavando roupa, a dela e da metade da vizinhança, mulher-trabalho,

a gordura

nunca a impediu de acordar cedo todos os dias e

que Timbre!

A bisavó era coro na Igreja, ficou mais famosa que o padre, o pessoal só ia na missa pra ouvi-la

cantar. Rezava o terço em voz de lamuria e nunca se ouviu coisa mais bonita

em toda Minas

gerais.

O pai

Cantava na Obra e a voz do homem

se ouvia lá do último andar no prédio que morava colado no que ele construía.

Depois andando pro ponto de camisa aberta e

a pinga,

ninguém dava nada pelo sujeito, um tipo cu seco, vesgo, boca torta. Agora da janela dos prédios tinha gente que chorava ouvindo o homem cantar. Dona Dora, a síndica, dizia pro marido que pagaria até ticket

em teatro grã-fino só pra conhecer o dono

da voz

do blues. O marido ficava puto. E passava duro na rua

pelo pai do meu preto, procurando o maldito cantor que deixava Dona Dora tão acesa sem nem desconfiar

da reza

1/3.

Essas historias,

meu cantor contava em entrevistas rápidas

nos bastidores do vídeo Show. Suas falas nunca eram protocolares,

Ele aumentava as lentes das câmeras de televisão e chegava imenso na gente sentada no sofá o assistindo, aquele sujeito

Era Incrível. Eu tinha 10,

11 anos, pouca coisa pra fazer na parte da tarde e um dia,

No programa dos cantantes,

meu cantor ficou na Berlinda,

Estava pra sair do programa e dependia das nossas

ligações. Pediu ajuda olhando pra`s câmeras, eu gelei.

As minhas tardes sem ele, imagine, ficariam

Desastrosas de tristes naquele calor horroroso de novembro, minha mãe me chamando

Pra secar louça e eu

sem desculpas pra dar de que estou fazendo

Outra coisa, mãe, agora não, porque eu não estaria fazendo absolutamente nada e ela perceberia, meu ócio estava por 1 fio. Além do mais o preto ainda não tinha cd gravado,

o programa era a sua chance,

aos 11 anos eu não sabia que existia Muddy Waters e Nina Simone, meu cantor era único e eu queria que ele tivesse

todas as chances do mundo, meu primeiro

grande

Amor.

Peguei o telefone e disquei o zero

800

do time dele. Liguei quantas vezes, 1000,

2000? Eu tinha tempo, era menina e meu preto

saiu coisa nenhuma do programa, ficou que foi uma beleza até a semifinal, o problema foi quando

veio

a conta de telefone e meu pai gritou meu nome

lá da cozinha de

cinta

com uma voz

Rasgada

que não lembrava em nada

meu cantor voz de

sereia.

Meu Avô

Segurei no sofá de bambu. Agarrei com toda a força que eu tinha dentro de um corpo

Feminino Com 7

Anos, não

foi muita. Facilmente me soltei quando ele puxou a minha cintura, que nem cintura era, era

1 barriga.

Eu estava com medo. Sabia

que ele me faria algo novo que seria

Eterno.

Meu avô tinha muito cheiro de cigarro. Fumava o dia todo

pra esquecer, eu

não esqueci, ele baixou

o shorts do meu

pijama.

Não me havia pelos. Minha peletumblr_nlt9h0fQge1qa0oqyo1_500

Era lisa, ele tirou minha blusa, fiquei pelada

na sala,

meus pais

Fora

Trabalhando nem

imaginando que o sexo pra mim

Chegou um pouco

Cedo

Demais. Ele me disse pra eu fica tranquila, que aquilo

era carinho do vô.

E a sua Boca velha me olhando, o dedo dele me contornando inteira,

minha bunda, meu joelho, fiquei molinha. Cai

nos braços dele ainda

mais enquanto ele beijava meu

bico, meus olhos não sabiam

pra onde

olhar.

Ele me deitou no tapete, foi

professor. A lua lá fora estava cheinha quando percebi a língua dele

no lugar

que fica

a minha

calcinha.

Pensei que era dor o que eu sentia e meu vô ofegante, parecia

feliz, sua mão gigante era maior que meu rosto, um homem

alto, ele

colocou o dedo

na minha boca, coube. O gosto

do cigarro

era muito forte até que meu vô

estremeceu. Ficou deitado em mim um pouco, não com o peso todo do corpo, ele

se apoiou

com cuidado. Depois Levantou, ajeitou o cabelo, me deu

um banho, me colocou

na cama e me disse que isso que aconteceu na sala

era 1 segredo

Nosso, ninguém entenderia

Nunca e a minha calcinha

Dentro

Ainda Fazia um movimento

estranho que eu nunca esqueci.

o Estrago

A priori somos apaixonados pela vida. Isso

até uns 7.

Depois, encontramos Pessoas

pra nos dizerem o quanto

não somos o que deveríamos ser e

então

começa o sofrimento pelo o que se é.

O que se é

nunca é bom

o bastante,

não importa o quanto se Tente. E na estrada das tentativas, vamos parando

de pular tanto

enquanto andamos a caminho da padaria.

Vamos encarando as ruas

com olhos de medo, por conta do tio que morreu atropelado e que você nunca mais viu,

Morrer é isto – cê descobre cedo, mas

entende deus ainda menos

especialmente naquelas missas.

Vamos, com o passar dos anos, tirando as mãos das coisas, em memória da primeira mordia que levamos de um dog.

Os desenhos em nuvens vão ficando menos possíveis depois do primeiro tapa

que levamos da mãe. E vamos ficando um pouco mais céticos,

depois de descobrir a nota baixa que tiramos na prova de geografia, apesar do estudo.

Prova.

Provas

e então

de repente

você

não pode mais

ir naquele aniversário que cê tanto queria.

O primeiro grito da amiga,

o lanche que vazou na

lancheira, hastear a bandeira toda segunda, o primeiro

amor não correspondido e pior,

Ignorado,

os insetos assustam, dores de barriga também,

o primeiro xixi na cama, a primeira

queda em público, a rua inteira

rindo da sua cara, o

mundo todo

rindo do seu tombo e lá se foram quase 11 anos:

está na hora de escolher a faculdade. O

marido. Uma

casa

e tudo isso

Estraga

gradativamente

a vida de um ser

Humano: Aos 50,

o pó.

EsMalte

assopra pra secar,
fuuuu…fuuuu…
já novinhos fazíamos isso, pintávamos a unha das bonecas,

mini-unhas geralmente de vermelho e

usávamos o vento
da boca
pra secar cor
de unha.
As cores
na unha são
jeitos dos dedos ampliarem as pontas, eles
voam
pairam, ficam mais céus, tudo por causa de um mini pincel
(zinho) num
ponte de cores com
cheiro fortinho
chamado
EsMalte, tão frágil só
a casca, mas
que casca
arco
de
Íris.

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