a maior contradição

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Ma (r) te

Estou na minha mesa, computador ligado, word em branco e assim será pelo resto da tarde, máquina fotográfica, farelo no chão, uns talheres em cima do prato com cheiro de

janta,

rastro de vinho

no copo

eu

Sinceramente, não me

Suporto

mais.

Espero, inclusive bastante tranquila,

o dia em que escrever seja tão fácil

quanto

Ouvir um disco

Na vitrola, uma vitrola sem mesa, sem suporte, longe da tomada, em que você tenha que montar uma poção de coisas pra que ela funcione,

é prazeroso ouvir o disco e compensa esses pequenos conflitos,

como a falta de espaço em um apartamento no centro

De São Paulo.

Não me aborreço mas me preocupo, tem muito artista no mundo pra

Pouca arte, quantas pessoas são minhas vizinhas e quantas delas tem qualquer ambição artística? Acho que quase a metade, e

Quantas

Apesar do talento, estudo e o esforço absurdo que a arte demanda, quantas são

os verdadeiros poetas, pintores, atores,

quantas realmente mudarão a vida de alguém? E se não mudarem, a culpa seria delas?tumblr_n52wg3wpjF1rard87o1_500

Ou foi o editor

Que enxergou neblinado ou

é culpa do Brasil que não vai ao teatro, que

Não lê, prefere a cerveja mas vida não é eliminatória. Busco um herói da geração 2000,

que dance valsa e use óculos

escuros, gostaria que esse herói fosse

eu, mas

isso

Não existe, os líderes estão mortos ou nunca souberam caber nas gavetas das coisas nossas.

Melhor que nos sejamos Suficientes,

Geralmente eu me basto, menos quando não me suporto como tem acontecido nos últimos dias.

Eu queria escrever um livro

roxo, estou reunindo minha obra e desprezo todos os

Poemas que falam sobre eles mesmos, me lembra muito o ser

humano,

Que

doença, quanta saudade, quanta gente que eu não vejo há anos, marco almoços que não vou, tenho pressa. Eu disse pruma amiga:

 

– o mundo só fica menor quando encontramos alguém pra amar.

Eu a amo, no caso. E amo também A mim. E amo também a Ana Cristina Cesar, que era moça bonita e gostosa por isso

Se matou. A Hilda também, com whisky e aos poucos. A Clarice

Quase morreu de cigarro. Eu

Morrerei de tédio

E de falta de assunto no hall do elevador. Morar em prédio é a maior tragédia urbana que nos pode acontecer, mil famílias empilhadas, comendo, fodendo, brigando uma em cima da outra e depois se cumprimentam

Parcialmente

no elevador. Vejo da janela as crianças no playground. Lembro da minha infância, do meu casaco de veludo que eu usava até pra ir ao mercado, minha mãe dizia:

-pelo amor de deus, menina.

eu lembro de tudo, escrevo

e luto

pra me encontrar de novo em mim. Consigo de pouco e da janela noto um mini-fio

de sol. Ele resiste,

em meio a uma possível tempestade

que acontecerá em poucos segundos,

segundo aquela nuvem

gorda

Da direita.

Não dá pra entrar muito fundo em outra pessoa que não seja você

te vi cansado numa foto, alisei
você com os dedos já que, por hoje, não podemos ficar juntos.
Sinto saudades de alguém que dei 7 beijos e nunca transei. Mas sei o gosto que tem o seu dedo e sei que você vai muito ao banheiro. Volta
de cabelo molhado, eu não digo nada.
Mas sei.
Esse corte novo cê detesta, prefere mais curto. Eu prefiro assim e desde então não nos vemos há
dias. Talvez não nos veremos mais.
Ao menos
temos os nossos cachorros, nossos celulares, temos a
vida pela frente, ainda temos um pouco de água, o chuveiro aberto,
o bar da esquina. Podemos nos locomover pelas ruas sem morrer nenhuma vez já que, Estranho, nós continuamos vivos. Por quanto tempo não dá pra saber que
deus é um sujeito que Joga, mas por enquanto estamos
aqui.
Podemos
Pegar um taxi, sentir tristeza, matar a fome com um lanche, pelo menos a nossa, sempre as nossas na frente de tudo. Ainda podemos dormir até as oito e dizer no trabalho uma
Mentira à toa, perto das tantas que contamos
só no dentista. Ainda podemos nos mandar mensagens de texto, evitar o amor, se estiver no
começo,
Evitar a gravidez.
Duro mesmo será quando não pudermos mais esses tão poucos.
Você me perguntou, inclusive, queria saber se eu era livre. Eu disse:

-Ninguém é.

Você sorriu:
-Eu sou.

E pensa que sim porque escolheu não ter carro.
Eu entendo você como o homem mais livre que conheço e não duvido
do dia em que tu me disser:

– Comecei a escrever aquele livro.

Ele Terá cheiro do que já foi, terá um pouco de mim
e todas as outras mulheres que você já conheceu,
em
Maior ou
menor grau de
Convivência, não importa. Ainda que moremos juntos, ainda que eu leia todos os livros você me disser que:
-É bom.
Mesmo que eu ame a sua mãe, que eu te veja com medo, que cê me pague um taxi pra casa e não aceite os seus 120 reais de volta. Ainda assim, sempre seremos
dois estranhos.

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Elogio

Um Escort a dez por hora numa avenida de movimento: não

eu não acredito em deus. Tem um cara na minha academia, sessenta e poucos anos, se

deus fosse vivo, ele

seria esse cara. Muita ruga, muito charme, magro, olho

danado, boas leituras, bom cheiro, nada nele não me agrada,

deus seria assim.

Mas com essa avenida tão fria, essa falta de velocidade, acabo ficando

Bastante

realista. O vento eu não vejo mas ele existe. Isso não é prova de que deus também existe, porque o vento

eu sinto e

em sentir eu acredito. De deus, escuto muito dizer e se fosse rezar pra pedir as coisas, acho que pediria pra achar um livro perfeito,

que me traga brisa

e me traga um jeito

forte

de pensar

diferente.

Um amigo chamado Marcelo me disse um dia pra eu não acreditar em elogios. Disse só pra eu continuar estudando e

Escrevendo, balancei a cabeça positivamente.

Levei a sua fala como um elogio, talvez o melhor que já recebi, e acreditei nele.

O Escort continuava a 10

por hora, me deixando nula em qualquer possibilidade de ultrapassagem para além da buzina ou do voo.

O Escort

estava no meio da rua

me fazendo ter tempo pra pensar no como eu cheguei até aqui. Por que escrevo? Por que escrever pra mim é natural? Eu podia dançar, ao invés. Ou tocar gaita.

Tem um outro amigo meu, o Mateus, ele me disse que escrever é empurrar letrinhas. Empurrar

Foi uma ótima escolha de

verbo.

Também ele já me disse uma vez que sou bonita, mas me chama mais de gostosa do que

De bonita.

Homem é

grosso, mulher é

carne. Acho péssimo isso em todos os quesitos da vida menos no sexo.

Agora o Mateus, eu gostaria muito que ele me visse pra além das alegorias. Outra dia

ele disse que eu estava muito magra, mas ainda

bem gostosa. Eu não agradeci e

acreditei de novo. Comecei a comer melhor.

O Escort

virou a direita,

ufa.

Agora dirigindo veloz tenho chances de não pensar mais em nada, como se

fosse possível. Se deus fosse vivo, além do livro, eu pediria pro cara um tempo de pausa.

Zero de pensamento, um vácuo sereno

e Profundo,

Descuidado,

Um silêncio de dentro, um shiu pras vozes internas, dá pra pedir

Mais de 1

Coisa

Pra deus? Acho que sim, mas talvez com estratégia. Tem gente que pede em reza felicidade, mas

Convenhamos, a felicidade engloba um infinito de desejos e

possibilidades, que gente

Esperta.

Acreditar deve ter gosto de pirulito.

 

A cena

Os dedos,
naturalmente,
querem muito tocar esses botões.
Não
precisa ser Poeta,
qualquer rústico escreveria cartas 
terríveis
de amor e de guerra, caso colocassem os dedos
nessas teclas.
Letra
por letra
as palavras se formariam no papel, é como uma Polaroid, tu
vê o resultado
da obra
na hora,
por isso o lixo
fica cheio de folha
escrita
pela metade.
Acrescente ainda nessa cena
uma cerveja
ou um vinho, a janela aberta
pro vento fazer carinho, um pouco de talento e
Bingo
temos meia dúzia de poemas imortais.
A cabeça
é de quem escreve,
claro.
Assim como os livros da estante.
Mas o coração tá
na Máquina, a única máquina
que tem Alma
no mundo.

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