pra ler no ritmo de corda pulada

duas irmãs brincam pequenas, brigam

pequenas, param

pro almoço é

Feijão. duas irmãs dormem pequenas,

correm

pequenas, acordam de pijama

azul.

duas irmãs voltam

pequenas, da Escola

Imensa, o primeiro

dia

de aula.

duas irmãs crescem pequenas,

sonhando e

pequenas, dormindo

no quarto

igual.

duas irmãs

ocupadas e grandes

agora crescidas,

já hoje sem mãe,

se ligam no meio

da noite:

até o Alô

é difícil.

vamos parar de nos enganar assim

depois de todos esses anos ele me chamou pra fazer um Filme.

Quando éramos amigos,

ele já gostava de cinema mais que de teatro,

Eu comprei no shopping 1 caixinha de guardar qualquer coisa que fosse pouca com a foto da Marilyn Monroe na parte de cima, ou era o

Charles Chaplin, não me lembro, lembro que paguei R$13,90 e o ano

era de 2006, perto do

Natal, mas

não por isso.

Dei o presente na Casa das Rosas, estávamos ensaiando uma peça

que na época parecia que ia mudar o mundo mas

claramente não mudou. Você chorou no meu presente e eu pensei que você talvez não estivesse acostumado a ganhar presentes e por isso

você se apaixonou por mim. Acontece que Não foi por mim. Foi pelo que eu fiz você sentir, a textura de ganhar algo como demonstração de Afeto é

milenar.

Depois dessa peça eu fiz só mais 1 pra nunca mais

Pisar no palco. Meus amigos-atores me esqueceram. Diziam que eu era

O Talento quando estudávamos juntos, mas quando sumi não recebi nenhum telefonema me pedindo:

-Volta.

Eu sei que a vida não é assim. Eu também não liguei pra ninguém. Tinha 18 anos e me apaixonei por um rapaz

Que não gostava do fato d`eu fazer teatro por beijar

outras bocas que não a dele, além do fuso horário de ensaio.

Foi muito fácil desistir por amor. Nunca mais eu quero desistir de nada na vida mas isso é tão

impossível. A cada escolha

Já desisto de outras mil coisas importantes também, lindas também.

Agora depois de anos, quantos? oito,

nove,

você me mandou uma mensagem no

celular

perguntando se eu teria interesse

de fazer um filme

seu.

Um filme, eu pensei. Estava no ponto de ônibus me imaginando num set

por 3 semanas. Me imaginei lendo o roteiro, gostando das falas que eu teria. Falando elas no banheiro pra me acostumar com aquelas sequências de letras que não fui eu quem escreveu ou pensou, mas

deveriam parecer tão minhas quanto qualquer parte do meu corpo.

Me imaginei depois, também, em telas de alguns cinemas de Rua e no

Youtube na casa das pessoas.

Disse que eu me interessava,

sim. Digitei a palavra

Quero.

Você ficou de me mandar um email que nunca chegou. Fiquei ligeiramente esperando mas sem esperança porque penso que Atriz foi uma morte em mim

que eu fico tentando ressuscitar porque acho bonita a beça a palavra

Interpretação, além de imaginar Sophia Loren andando pelas ruas

Com a Itália inteira no Peito, jorrando.

Até que, tempos depois, você me mandou outra mensagem pelo celular, perguntando se eu tinha recebido o tal email, já que meu nome

Não estava na grade dos testes pro seu filme, você

diego,

diretor de cinema, agora.

Eu disse:

-Não recebi email nenhum.

E você tentou me ligar umas 3 vezes, meu celular justo no dia estava com problema na operadora e eu não te ouvia

Nem você

Me ouvia e no outro dia, ainda,

Você preferiu me mandar uma nova mensagem dizendo:

que desencontro.

ao invés de seguir tentando falar comigo até pr`um papo no café da esquina.

E eu

preferi ler a palavra

desencontro

digitada por você pra mim

e concordar um pouco, além de escrever esse texto ao invés de Simplesmente

te ligar.

que ama fazer sexo com você

meu pescoço fica alto
relevo em veias quando faço
força pra empurrar o sofá em dias de faxina, quando pego
o cachorro da vizinha,
também quando falo mais longa
pra ser ouvida por alguém mais
longe
de corpo
que eu.
Meu pescoço tem alguns pelos que são cabelos no
começo de ser 1 cabelo, finos, curtos,
Desajeitados. Quando engrenam
Se misturam com a cidade capilar já tão habitada para nunca mais ninguém
o encontrar como individuo porque a partir de então o começo de cabelo deixa de ser 1 para ser
o todo.
Meu pescoço quando ama fica muito comprido, a pele
vira cobra, gira 300
e 60 graus por amor. Meu pescoço não tem boca, a sua língua
é referência de boca pra ele.
A nuca são os olhos,
1 pescoço é uma pessoa Inteira. Tem seus pessimismos, nos dias que trava. Aguenta o peso da cabeça que é a coisa mais gorda do mundo sem reclamar, não porque é um santo, mas
porque não tem boca. As veias são jeitos possíveis de dizer que quase ninguém escuta. Mas a voz também, quase ninguém escuta.
Por dentro,
o pescoço é um taxi de líquidos e massas. Por Fora plácido, ingênuo. Por dentro muito trabalho no transporte, por isso ele é
em pé. Minha pintas
desaparecem nele dependendo da luz. Quando estamos na cama escura não tenho pintas.
às vezes
esqueço de passar sabonete nele,
perfume nunca, meu pescoço é tão
bêbado.
Às vezes ele fica comprido pra ajudar o olho
a ver, no meu caso te ver
chegar. O pescoço cede, tranquilamente, o protagonismo pra Cabeças.
Vive miúdo, sem alardes. Dança por amor a música, dobra por amor ao Riso.
Sua grande felicidade é ser tocado, na verdade
o Pescoço é um sexo.

se eles não tivessem tido coragem de fugir eu não estaria aqui

minha avó sabia tocar piano mas não falava sobre isso,

era minha mãe, orgulhosa, que gostava de contar que sim sem

nunca

ter ouvido 1

nota sequer. Ninguém ouvia. Não tinha piano na casa da minha família, instrumento

custa

caro. Há mais de 40 anos minha vó não tocava. Incrivelmente,

sabíamos todos que era verdade, que

minha vó tocava piano como um anjo e que ela tinha sido muito rica

Anos e anos atrás.

Em época de menina, minha avó estudou música com famosos professores

de requinte, uma pompa.

Casou com um homem mais velho aos 16, por imposição. Meu avô apareceu na janela depois.

O marido dela viajava muito, ela

ficava no piano,

Dedo e ouvido

preenchido com música pra não morrer de tédio ou

Solidão.

E um homem de terno que fumava ficava na porta da janela, escutando. Algumas músicas eram composições próprias, mas

meu avô não entendia de sonata,

Achava que tudo era Beethoven e achava que ouvir música da janela era

Muito Melhor

Que qualquer vitrola.

Estar

no mesmo lugar da Música quando ela acontece é como

visitar deus, um

alívio.

Meu avô não sabia que quem tocava o piano tinha seios largos,

bicos enormes, nuca morena e uma quentura no ventre nunca vista antes num doce abrigo do Nu.

Já Minha vó sabia como ele era alto, cabelo escasso tão jovem, pose de nobre, via o reflexo pelo vidro da Janela.

Achava bom ele estar ali, seu pequeno público, o menor público do mundo o de

1 pessoa só.

Meu avô foi o único que ouviu minha avó tocar. O resto que ouviu

já estava morto há muito tempo e depois de tudo o que eles viveram, filhos, brigas, ausências, casas velhas e casas

emprestadas, dinheiro

pro cigarro antes do pão,

também meu avô morreu.

10 anos mais tarde foi a vez da minha avó.

E claro que nessa época de serenata invertida eles fugiram juntos, minha avó casada com outro, meu avô sem tostão na carteira. Eles Disseram:

– tudo bem.

pro’s infortúnios e fugiram

Pro rio

De Janeiro. E fizeram sexo. E tiveram medo.

De olhar

assim

as fotos,

Acredito piamente em todas as histórias que me contaram sobre

eles sem nunca

ter visto nenhuma por culpa da irrefutável impossibilidade cronológica.

112

Tempo

encontrá-lo hoje mais tarde

não lembra em nada

encontrá-lo hoje mais tarde há dois anos.

Em nosso auge, meu olhos eram os dele, eu mal respirava no dia do encontro

marcado, éramos amantes. Semanais, mas bastante profundos quando o assunto era sexo.

Acabamos, quando ele casou. E depois de anos, 1 café para hoje

à convite dele, feito

pelo facebook.

Dormi normal essa noite. Não fui ao banheiro. Não super escovei os dentes de manhã. Quase mandei uma mensagem dizendo:

deixa quieto. vamos nos esquecer. 

mas não era medo ou vontade de vingança por não me sentir tão amada quanto eu dava amor. O desistir aqui

era pura

falta

de ânimo.

Mais tarde tomaremos um café. Um café frio, imagino.

Um café de grandes grãos.

Não desmarquei.

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o Alívio

Tem alguma coisa mudando, desde o jeito que minhas roupas já não cabem, não
Sei mais escolher vestimenta, até a falta de preocupação com
Trivialidades, estou densa. Um pouco amarga, mas
Passa quando vejo Pessoas. Pensava que eu não encaixava nos
Contatos sociais, bares,
Calçadas. Estava errada.
Eu encaixo quando encontro a
Turma certa,
E encontrei a turma certa,
sempre sei qual é a turma certa, é só que
às vezes
Tento fugir porque sinto medo de ser
Eu
Sendo que,
ser Eu,
Pode ser perigoso, extravagante, barulhento, diabólico sem
vergonha, pode incluir nudez,
álcool, o não uso de calcinha, de maquiagem, de pasta
de dente e pode ser

revigorante. Profundamente
Revigorante.

por dentro é sempre outra coisa

Quando você pegou no meu braço e olhou pra minha pele com aquele seu jeito de observar até as veias, até as células, eu
senti vontade de
tirar o braço das suas mãos. Depois colocar de novo. Depois te lamber até sair o gosto do sabonete que você tinha lavado
os dedos, a palma, quando foi ao banheiro quantas vezes, 2? 3?, por conta dos
chopes que tu
tinha tomado. E pensar que pra ir ao banheiro
você abriu o zíper da calça, pegou seu pau nas mãos e depois
lavou as
mãos, eu
não lavaria. Quando você me deu o
– Tchau.
seco, depois do melhor abraço e batidas de coração que poderíamos nos dar, eu
engoli a rua, subi a calçada de cabeça baixa tão contente por não conseguir enxergar nada além de você, quis muito voltar
para te dar
um beijo. Pensei
1, 2,
3,
4 vezes, quase voltei, era só
virar o corpo na sua direção e
não era só virar o corpo na sua direção.
As escolhas são sempre profundas, mudaria tudo se eu tivesse voltado e eu
escolhi não voltar, somos um resultado
matemático de seleções boas ou
péssimas, não há
testemunha possível além de nós mesmos e jamais saberemos, nem tente. Se tentar,
estará prestes a conhecer a palavra Cansaço.
Eu escolhi esperar
com paciência
o nosso beijo que nunca
Aconteceu, apesar de termos passado tão perto. Somos bons
em (a)guardar. Porque amamos demais o gozo,
queremos prolongá-lo do tamanho de uma passarela, fazer da vida
apenas um motivo
de seguir vivendo pra te encontrar de novo.
Assim não se morre. Quando se quer muito alguma coisa,
com todo o coração, então não morreremos
até consegui-la, está na carne.
A gente
se almoçou,
sentei na sua frente como planejamos e sentei também um futuro
brilhante
ao seu lado.
Tudo dentro
Da cabeça
Da gente, os filmes mais lindos,
mais sujos, mais
pornográficos do mundo
feitos por mim
e por você,
sem nunca terem sido feitos.

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Essas ligações de olho que acontecem só às vezes ou Um Amor Honesto

ontem
me peguei sorrindo
ao lembrar do jeito que você me disse pra eu beber a breja, tu mandou um:
-Vira o copo.
Eu virei metade, o resto
foi você.
Fico besta com as coisas que o amor nos faz e olha que eu ainda nem
te amo.
Só gosto muito do fato de que você exista com tanta saúde. Com tanto Humor.
Flutuo
só de pensar
que você
está bem.
Não gostaria de ir para o mesmo lado que sempre vamos quando nos
Apaixonamos, mil mensagens, ligações, a
espera, não. Dessa vez, eu queria fazer diferente,
um suicídio lento a caminho de você.
Te sinto criativo, a gente podia brincar de sermos 1, Já imaginei nós 2 nos muros, nos cantos, nos amassando rápidos e de olhos atentos nas esquinas que sempre trazem quem vem.
Não teremos tempo, provavelmente,
mas no fim
ninguém tem.
Fico pensando no próximo passo,
em te surpreender,
Te mandar um vídeo, te escrever uma carta anônima e borrifar o perfume que eu usava no dia que te conheci, só pra ver
se você
é mesmo
assim tão Bom.
Se não for eu te faço algo que nunca ninguém te fez, uma loucura qualquer que nos faça sorrir por uns 30 anos ao lembrarmos daquele dia x, eu gostaria de te fazer sentir
O que ainda não foi sentido.
Tenho esse compromisso, o de aprimorar a tua memória. A tecnologia pode me ajudar. Vou te fazer um filme com esses aplicativos
Grátis. Depois, te pago outra cerveja. Outras.
Todas.
Eu sei,
não precisamos um do outro pra ter uma vida boa e o mais incrível é isso,
é
justamente isso de não nos precisarmos pra Nada e
ainda assim
nos Querermos tanto.

Na firma um romance que não dura mais que 3 semanas

nos vemos todos os dias. Em alguns, até usamos a mesma cor de camisa, azul.

Bebedouro cheio, esperamos água na fila, sentimos sedes parecidas,

reparamos juntos na

moça que limpa o vidro,

logo pela manhã aqueles produtos

com cheiro

de limão. O vidro, primeiro, fica úmido, água

marca

também. Depois, a moça passa a flanela feito dança e, milagrosamente,

as manchas

desaparecem. Se fosse assim com o rosto da gente, com o coração da gente. Limpar os vidros da firma parece bem mais interessante do que as nossas obrigações todas na mesa, postas pra

depois do almoço, geralmente na praça

de alimentação do shopping

center.

Tem dias que tomamos café na mesma hora, gostamos de açúcar quase nada,

já estamos perto dos 30 e a boca

vai pedindo menos doce, vai ficando mais sozinha. Nossas mãos nunca se rasparam na hora de pegar a colher, eu

te vejo

mais

do que você me vê.

Em 1992 estudamos no mesmo colégio, descobri isso por uma amiga, ela me disse:

– estudei com Fulano no Oitavo B.

Eu estava no oitavo d, mesmo pátio, não te lembro. Nunca fizemos educação física juntos, nunca trocamos telefone nem nos temos nas nossas extensas listas de amigos no Facebook.

Mas a vida da gente

se encontra em tantos níveis que

Penso

Em você como uma companhia de beber um drink quinta à noite,

pra bater um papo sobre as coincidências que existem no mundo,

as perdas,

certas viagens de carro, as bolachas que gostamos e que estão extintas no mercado, as nossas

bandas de rock favoritas, os nossos cachorros odeiam visita,

o fato

de nunca acharmos as velas todas as vezes que acaba a luz em nossas casas, nos

divertiremos muito

antes de estragarmos tudo

por conta de uma transa

Casual.

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Não sabia que a minha rua era a sua casa

Te ligava pela segunda vez sem retorno, estava na frente
da sua
casa quando olhei pra janela do segundo andar. Você estava dentro,
conversando com alguém que
não dava pra ver, eu
só via você e só veria
mesmo
você
ainda que tivessem vinte e oito pessoas visíveis na janela. Cê me sorriu sem exageros,
sorri também, tentei um aceno
mas a mão não subiu inteira, no fundo
eu mal sabia que
raios
eu estava fazendo
ali, esperando alguém que não conheço pr`um
Almoço.
Erámos
(e somos)
estranhos, mas
como nos entendemos bem pra quem tem 1 dia de namoro.
Namoramos por 1 dia, melhor
que quase todas as bodas que conheço. Não houve sexo mas foi como se houvesse, nas nossas cabeças, e até hoje
imagino nossas transas bucólicas, transas caóticas, horas pelados tentando se encaixar, demorando,
fingindo que não só pra alongar
o amor, a cidade de palco, ao fundo
carros,
obras de arte, teu pai, a vitrola que você
não tem. Tudo no mundo devia
durar
apenas e
tanto
vinte e quatro horas. Mais que isso
não precisa, pra lembramos de certas tardes