precisa fazer doer pra parar de doer

minha avó tocava piano quando mocinha. um dia

ela comprou uma caixinha de música que era um

mini-piano, com bailarina dentro feita de ferro unilateral. Eu estava na loja com ela, daquelas lojas com muitos produtos num bairro velho em Ribeirão

Preto de tanto

calor.

Ela comprou o piano com o dinheiro que guardava dentro

do sutiã, minha vó nunca foi mulher de carteira e

me deu, eu

tinha espinhas.

E depois de guardar o piano por muitos anos, achei que ele não combinava mais com o meu quarto de madeira e a minha avó

já tinha morrido,

fiquei com uma fotografia 3 por 4 dela aos

60

com vestido de flor num pequeno sorriso, 1 que ela adorava me dar

e

pra minha mãe

eu dei o piano da Vó.

Ela guardou, inclusive uma Mágoa

por eu ter dado

O piano

Que a minha vó me deu.

– É Impressionante o quanto você não valoriza a sua família, ela dizia

que eu era má

Pessoa por isso.

Em toda e qualquer briga que tínhamos,

minha mãe falava do piano que minha vó tinha comprado pra mim e que eu

tive a Coragem

de dar

pra ela. Esse assunto deixava minha mãe tensa, vermelha, morrendo

de ódio

de mim. Minha mãe tem muito ódio de mim e também ciúme

quando coisas boas me acontecem. Ela gostaria que tivessem acontecido com

Ela, antes.

E num dia de briga, mais um de tantos, ela

foi no meu quarto

pegou todas as coisas que eu tinha ganhado de alguém que amo,

Uma máscara de Veneza que a minha melhor amiga

me trouxe da Itália sem eu

pedir,

Minha mãe a quebrou no chão da cozinha sem piso, estávamos em reforma.

O piso

estava no cimento e isso deixava a quebra mais violenta, os objetos se espatifavam em Pedaços

infinitos. Ficavam maiores

quando espalhados no

chão.

Ela quebrou a máscara, depois o quadro que ganhei do Júlio, um pintor que

me amou e foi

a primeira vez que transei, quebrou algumas cerâmicas também inclusive 1 que ganhei de um desconhecido numa feira de arte,

um Africano simpático que gostou do fato d`eu saber falar inglês e

falamos, minha mãe picotou um livroAndy Warhol drawing 3

de poesia

do Vinicius

Com 1 tesoura grande de costura azul, ela tirou

Tudo

Exatamente tudo

que tinha algum valor sentimental pra mim e jogou no chão

pra quebrar.

Quebrava sem pressa

Me olhando

porque queria que junto

alguma Coisa quebrasse dentro de mim, queria que eu sangrasse

um pouco

a cada

Peça quebrada por ela do alto de sua autoridade de mãe e

Conseguiu.

Ela conseguiu de verdade, dessa vez.

Chorei de cabeça

Baixa por muitos

e muitos anos.

Depois ela me fez varrer

a bagunça, eu enchi um saco grande de lixo e foi assim que a minha mãe me perdoou pelo piano,

sua Raiva

passou completamente, nunca mais falamos sobre isso. Já a minha

mora no Estômago e eu tenho que segurar muito forte

ela

lá, pra que eu não me torne a pessoa má

que a minha mãe tanto diz

que sou. Têm dias que são mais fáceis.

Têm dias que

pe(n)so,

– não vou conseguir.

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um quarto na estrada, pelo amor de d(eus)

Conversei com um poeta não sobre poesia,

foi sobre o Brasil ser um país tão grande e ainda assim, continuar sendo 1 país e não

países. Ele me disse pra trocar a grana que gasto com plano de saúde

por

cair na estrada de bolso

cheio, já que a Saúde no brasil é nota

preta e eu

ainda sou moça, a chance de ter doença é curta ou vale o Risco pra ver o Rio

são Francisco

passar.

Outro amigo me disse que

no ano próximo

Ele larga Tudo

e pega o trailer

que tem montado ao longo dos anos até com gasolina

pra conhecer a América

Latina, só volta

Quando acabar de ver, mas

essas coisas de conhecer lugares

não acabam

nunca. Uma pessoa

só vira pé

soa

na Cidade, mergulhando nela. Pode ser uma cidade com ruas de terra batida, cadeiras na calçada onde sentam a gente pruma prosa sem pressa ou

pode ser uma cidade

de aço

que mal vê seus habitantes em carne

e osso, só

prédio,

terno,

sapato, não

importa, tendo várias vidas dentro, então a Cidade transforma e

transformará.

Uma vez fui pra Minas Gerais e vi

perto da rodoviária

um homem deitado na rua dormindo com o cabelo

duro, dormindo às 3 da tarde, se eu voltasse às 7 da noite

Ele ainda estaria dormindo, uma vida

de morte,

onde os que moram na rua Arranjam aqueles cobertores cinzas todos iguais? Ou já tinham, antes de morar sem casa, e depois sabendo que a noite é fria, levaram de mala 1 cobertor?

Onde eles cagam?

Cadê a merda das pessoas sem casa? Nunca trombei com merda humana fora dos banheiros públicos, mas penso nela

o dia inteiro

E depois de ver

Tanta gente pela janela do ônibus e depois de ver

Tanto asfalto9520039294_68c981a5b6_b

pela janela do táxi, dentro

e fora da cidade que

moro, eu

já não posso

escrever do mesmo

Jeito. Vou cancelar meu plano de saúde por telefone. Vai me demorar um bom (?) tempo

já que ninguém

nunca quer

Perder

Dinheiro. E quando eles me perguntarem do outro lado da linha por que raios

eu gostaria

de cancelar algo tão importante como o acesso à saúde, então eu direi que Ver o que der do Mundo é muito

mais importante, e que eu não tô falando de hotéis. Tô falando do ato

De se movimentar por terra em busca

Dela e do que as pessoas fizeram

Com ela. a Estrada

Abre

o terceiro olho

que fica sendo o

primeiro num buraco largo na cara

diante da Potência da vida rápida e nova que não é sua, mas

passa a ser, a partir do momento em que você coloca os olhos nela.

Soledad é a palavra mais bonita para Solidão

Roberto dava chilique pra cantar. Numa hora qualquer da música ele debatia o corpo, rangia o rosto

Negro, encolhia os ombros e a voz altíssima não necessariamente no refrão, era lindo.

As pessoas da plateia ficavam como se estivessem vendo a Lua de dentro do mar e a água

quente, inclusive eu ou

especialmente.

Roberto usava um terno preto rigoroso mas a gravata era de glitter. O brinco

Era dourado, numa orelha 1 argola

Na outra

um botão.

Nada em seu canto era comum e quando era o solo

Dos músicos, Roberto

Virava de costas pro Público

Pra se tornar ele mesmo parte do público dos músicos de jazz.

A figura

Dele se apagava quando ele virava de costas, mas nunca esquecido.

Era como se ele emprestasse a sua luz pro moço do piano, pro menino

Da batera, pro homem-cara-fechada do

Contra

Baixo. O homem do contra

Baixo morava dentro do seu instrumento como numa quitinete de aluguel muito caro. O do piano ás vezes comia em cima do

Piano e derramava líquidos

Sem querer

Nos teclados.

O menino da batera tocava seu instrumento de toalha pós-banho.

Já O Roberto tinha a voz de instrumento, definitivamente vivia na Música, voz

Não se vende nem se troca nem se compra numa loja melhor. Voz é de deus, se existisse coisa

Desse tamanho. Como não existe, voz

É gravidez.

O cantor é gestante da música, o Roberto do Jazz e entregava tudo que sabia

Pra gente-plateia, inclusive eu

ou especialmente, que tomava meu drink sem acertar a Boca porque estava hipnotizada. A maioria das mesas da casa

eram de no máximo 4 pessoas,

com 2 casais amigos quase sempre perto dos 50 anos, vestidos elegantemente em perfumes variados no ar. Tinham vivido pra estar ali.

Pelo Roberto, essas pessoas

paravam.

Erravam seus garfos na boca, como eu, só que mais discretos.

Não pensavam mais se fazia quase uma hora que não saiam pra fumar um pouco de ar, se tinham

Medo de morrer, se fazia anos que não transavam com seus maridos e esposas em noites de um dito:

-Boa noite.

apenas, seguido com o pagar do abajur do seu lado do criado mudo enquanto o outro ficava lendo

Qualquer coisa que não

Importa nem no macro nem no micro do Mundo. O silêncio dos casais depois dos anos é triste porque não é um silêncio

Preenchido. Mas no momento da música do Roberto,

toda gente que ouvia Esqueceu.

Eu pedi nina Simone porque o lugar era pequeno e podia pedir.

O roberto me disse que não sabia cantar Nina Simone, mas sabia

Cantar uma música que era a cara dela e eu vi a Nina

Deitada tomando Sol enquanto ele cantava aquela canção que eu não conhecia e nem sei

Como Encontrar.

Então houve um Intervalo. O roberto sentou

na cadeira do corredor fora da luz do palco, os músicos foram pro bar,

Cada um descansa

Como pode não como deve e os Casais começaram a pedir a conta.

débito.

Crédito.

Dinheiro não se vê mais. O dinheiro é só uma ideia guardada nos números que faz o mundo funcionar como uma Roda.

O Break de Roberto era de 15 minutos. Ele na cadeira sem luz parecia um

Velho que desistiu.

As pessoas foram embora de mansinho.

Aquelas mesas vazias ainda estavam quentes. Depois do intervalo de 15 minutos que pareceu mais longo,

Só ficou na casa de jazz o Roberto, a banda

E eu,

Além dos garçons, que só podiam ir embora depois das 2 da manhã.

O Roberto cantou pra mim sem me olhar, cantava olhando pra frente como se a casa estivesse Cheia.

Cantou igual com se a casa estivesse cheia.

Deu chilique do mesmo jeito, apresentações incríveis só para 1 pessoa dá vontade de chorar. É como uma cidade

Vazia.

O roberto e a banda cantaram mais 5 músicas que eu não pedi nenhuma. Quando acabou tentei aplaudir o mais forte que pude pra

Compensar a plateia que não estava.

Queria dizer com os meus aplausos que era só eu, mas

eu estava escutando pra caramba.

Dei parabéns a todos com palavras, também. Sai pela porta da frente, a bolsa solta

no corpo. Pedi meu carro pro manobrista que foi bus(car) no quarteirão e que demora, o Roberto saiu

Enquanto eu esperava.

Saiu pequeno, com a pasta de músicas debaixo do braço. Disse pro segurança da casa:

– Só volto semana que vem.

Os 2 pareciam velhos amigos e eram negros como

Seus ternos. O segurança o chamou de:

-Robertão.

Com tapas nas costas, Imaginavam que voltariam a se ver semana que vem, mas

no fundo ninguém sabe exatamente se sim porque a morte

Existe.

Depois,

o Roberto saiu caminhando pela alta madrugada sem nenhum resquício de ser

1 Gênio.

Fim de tarde

Uma pilha de roupa pra passar e um sol lá fora.

Uma pilha de roupa passada e o sol continua,

Lá fora.

Eu sempre penso que vai dar

tempo

de pegar o sol, pelo menos a ponta dele, e tomá-lo num copo de pingado em gole único.

Mas o Dia anda com passos largos, quando vejo já é a Lua no lugar

do Sol.

Eles se dão bem. Nunca roubam o lugar 1 do outro e se roubam, a gente não percebe,

como não percebemos um bocado de coisas que mudam com

Discrição.

A lua

é lésbica. Namora a noite, o sol

É gay,

marido do

Dia.

O ano

tem pressa em passar pra se livrar logo dos humanos aqui na terra, por isso tão rápido o tempo de relógio, somos péssimos habitantes e

a Terra

precisa se Defender. Na minha correria de tentar, penso que vou ler tanto,

Conquistar

Uma porção de sonhos, como deixar Pronto 1 livro meu antes d`eu sumir pra Morte.

Por enquanto só porta fechada.

E quando abrir, quando alguém topar enfim fazer de mim

1 livro,

então haverá mais portas fechadas, agora na hora de colocar a mão no bolso e
pagar o livro-(m)eu. Vão desistir de me comprar no caixa das livrarias.

Depois irei pro’s sebos e lá acontecerá o mesmo. Depois irei pra’s caixas empoeiradas das prateleiras mais altas dos sebos onde ninguém põe a mão. Encosto,

deito e

durmo nos Nãos.

Esquento os Nãos sentando neles.

Espero que dezembro chegue menos rápido do que de costume,

Alarga Novembro, Lua,

odeio o natal e tenho que segurar a respiração nessas épocas do ano até passar as festanças e elas

Passam

demoradíssimas em

Chumbo.

Monta-se árvore de natal, Desmonta-se árvore de natal.

Guarda-se na caixinha

árvore de natal pro ano que vem,

Abre-se a caixinha para árvore de natal nesse ano. Não é possível que a vida seja cerrada nos 365 dias se repetindo

em tédio, deve haver outro jeito de contar o existir e lá vem o Sol,

de novo,

trocando incansável o turno com

a Lua.

Acontece que, diariamente,

tem 1 instante em que o Céu fica pelado sem nenhum dois 2, então

eu acho que o sol e a lua são

1 só Bola

que troca

de roupa e o espaço sem nada no céu é tempo de

Coxia.

Apesar de que eu já vi o sol com sombra de lua uma vez, numa sobreposição de roupas até que bonita porque estava

Muito Frio.

vírus

a felicidade bateu e eu comendo uma banana ao telefone, totalmente despreparada pra ela,
eu devia ter me vestido melhor pra receber
essa vontade doida de mostrar os dentes, pra ninguém
pra mim,
pro Mundo. Bateu um frio
na barriga
daqueles de descida numa montanha russa vermelha, as piores
os engenheiros pintam de:
– vermelho.
é um código entre os usuários de montanhas russas pelo
mundo, se o ferro for
vermelho cuidado, esteja
forte, os cabelos são indomáveis ao vento, o descontrole facial é absoluto, o estômago descola dá
um ímpeto de levantar os braços, dirigir por terras
quentes, viver, viver,
sem me preocupar se eu vou morrer quando, se eu vou ter algum
dinheiro daqui uns anos,
se eu vou precisar de muita ajuda quando eu estiver
velhota, felicidade
é não pensar.
É estar
terrivelmente de bem
com a vida por nada, só
por
estar aqui sentada na beira de uma sexta em começos de outubro ouvindo
o filho da minha vizinha cantar uma música que parece 1 hino que eu já devo ter ouvido antes, em algum
evento esportivo e não me lembro, infelizmente
não me lembro.
Estou feliz.
Tá durando tanto que eu nem sei o que fazer, jajá vai dar 40 minutos
de muita
euforia, e
agora?
Acho que é porque eu existo. E do mesmo jeito que amo a tranca do Triste,
Estou descobrindo também a roda do Leve, um mecanismo 0
Complicado.
Devo voar em pouco tempo, não é possível estar assim tão alegre e continuar na terra. É Indecente esse meu
sorriso, mas eu não
consigo
evitar, estou dou
rada. Estou
sabida. Despreocupada como quem bebe um Guaraná ao invés
de cachaça, meu cachorro
de olho
Em tanto Gozo sem porque.
Vou pra Rua, tenho planos de
Contaminar meu porteiro e a mulher do vigésimo primeiro
Andar
que trabalha vendendo cocada
Sempre tão fechada em suas dores que ficou
corcunda.
Espero me manter feliz até pelo menos
o fim da tarde.
Depois, coloco 1 disco da Billie Holiday e sigo melancólica no meu tapete de calcinha, o que também
é uma delícia, meu deus.

fa.fn8b (51x54- oil on canvas- 1999- Monte Carlo)

(na foto, a tela de Karim Hamid)

a bituca

Odiava cada canto do apartamento desde que
Ele se foi.
O abandono já fazia alguns meses, mas
não
os suficientes
para Ela o
Esquecer.

Tiveram um filho, que também ele
abandonou.
O bebê tinha alguns meses, mas
não os suficientes
para que alguém
pudesse tê-lo amado,
o pai o esqueceu muito rápido,
ainda mais rápido
do que esqueceu da mulher.

Ela
não tratava bem do bebê, como
não tratava bem da casa
muito menos
dela mesma. Queria desistir, estava
decidida, só ainda
não tinha
escolhido como.

Esquecia de comer mas nunca de
fumar.
Quando lembrou do Fogo estava
de cigarro na
boca: Sorriu

e

Jogou
a bituca no carpete.

a primeira coisa que pegou fogo
foi o berço do neném.
depois as plantas, os papéis. Depois ela.
Os bombeiros tentaram
mas
quase que o prédio inteiro
ficou destruído e
ela
passou da
solidão de sua casa
para
a Imortalidade
efêmera
dos Jornais.

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(*foto via Tumblr)

Vizinhos

o peso de um pássaro morto é maior do que seu vôo (e uma das coisas mais tristes de se ver)

quando acorda, a moça-mania-da-rua é mais feia que a velha da feira. Ela Perde
por semana
quase 12 horas no espelho.

O calmo rapaz da farmácia
nunca dorme sem
antes
bater punheta. Ele gosta
de revistas
de sacanagem
gay.

A mãe protetora do térreo
faz
2 anos que ela não transa. Trocou
tédio
por
livros e o filho
só liga
quando precisa de
dinheiro.

A faxineira que ganha salário
nunca
mudou
os lençóis. Ela coloca os limpos na máquina,
deixa o sujo
na cama. A dona da casa chega tão tarde que nem
percebe.

Um garoto de seis anos chamado Pedro tenta muito ser amigo de seu pai. Quase nunca consegue, só um dia
em que seu pai estava dormindo e o
Pedro
lhe deu
1 abraço.

Tem uma moça de 20 e poucos que ganhou
dos pais
1 carro. Ela mora no oitavo andar e continua pegando ônibus
todos
os dias,
6 e meia
da manhã.

Um velho de 70 anos morreu em seu apartamento. Não tinha amigos mas ia à missa. Demorou 6 dias pra que alguém
notasse
a sua
ausência: não foi o padre.
A Janela sabe.
Ela é

Deus.

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ida

peças de um quebra
cabeça, todas
são importantes, veja, não é uma competição, é
uma beleza o grupo
trabalhando junto para o funcionamento
perfeito
da existência, mas
o Volante
é o olho da águia, ele
te guia com classe, sem barulho, só com o toque, não
precisa de força e não é a toa que tu
coloca nele as mãos, não
os pés, pés são passos do esforço de pernas, mas a mão
é a parte que voa, é
a alma do braço, a palma,
palmas,
ela que te traz o objeto de desejo, ela proporciona o toque, ela guarda e
te leva
sem esforço
pro’s caminhos que tu ouses
percorrer e quem bom
que ousas, por mais
Medo que dê
os Buracos, existe uma roda
gigante
instrumento de
caminho
chamada
Volante.

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(*na foto, ilustração de Tracey Emin)