depois que eu saí o segurança do mercado tirou elas de lá

fui comprar pão
além de algumas frutas, minha geladeira estava começando a ficar vazia e isso
é um sinal de que eu
ainda não
morri.
no corredor de entrada do mercado
1mãe
e
1filha
sentadas no chão me Pediram dinheiro,
a mãe com a boca falando pra eu comprar seus panos de prato e no fundo nós duas sabíamos que eu não precisava de pano de prato, a filha
com os olhos, os maiores
do mundo.
não dei. menti:
-não tenho.
e o peso do meu corpo aumentou em 300 quilos quando eu disse isso,
andei pelo mercado devagar.
ao invés de pão e fruta peguei detergente, couve e leite eu estava muito distraída pensando no meu
Não
sempre vindo antes de qualquer sim possível.
paguei com cartão minhas compras inúteis, 4 litros de leite na geladeira de uma pessoa sozinha estraga.
o dinheiro
eu dei
pra elas,
quase não achei os 50 reais escondidos em algum compartimento da minha carteira grande
e no Susto de não ter o dinheiro que eu imaginei que teria,
novos 300 quilos
se instalaram no meu corpo com sede de fazer alguma coisa, agora deu sede,
era como se 2 pessoas diferentes
morassem
em mim.
eu sei que são mais, pelo menos umas 30. exclusivamente naquele momento
pareciam só
2:
a que não deu o dinheiro antes
e
a que estava fazendo de tudo para achar o dinheiro agora.
a segunda
era um touro.
Achei.
entreguei pra mãe dizendo:
-espero que ajude.
ela sorriu:
-tudo ajuda.
e me ofereceu os panos de prato.
expliquei que não seco louça porque quando criança eu secava muita louça e mal tinha tempo pra brincar, agora eu deixo
a louça secar perto da janela, eu disse também que a filha dela
era muito Bonita com os seus 3 ou 4 anos.
a mãe me contou que a pequena chamava Giovana Bianca,
2 pessoas em 1 feito eu
naquela noite
esquisita.
sentei no chão com elas. fiquei da altura da pequena de pé que estava comendo a bolacha que uma moça tinha dado minutos antes de
eu
também
dar, não sei se Ajuda porque ajudar alguém não é em 5 minutos, mas
pelo menos
alguma Atenção.
Giovana Bianca comia e cantava uma música que eu nunca ouvi,
acho
que era inventada.
repeti:
-que rosto, o da sua filha.
a mãe disse:
-eu sei. tô vendo de inscrever ela num concurso de bebês.
e me contou também que a pequena era mais do que isso,
que ela
era muito Esperta, quando o pai batia
ela corria pro sofá dizendo alto:
-o papai bateu em mim, o papai bateu em mim.
pra casa inteira ouvir.

 

 

Fiu Fio

das cores
podemos só
escolher
meia dúzia
pra passar nablade-runner-tournage-polaroid-01
boca.
Podiam ser mais, podiam ser todas, o azul 
o verde
o banqueiro
o médico
todo mundo que quisesse passar batom que passasse
os feirantes, os rabugentos, imagine aquele puto brigando contigo de
batom, seria bom, seria
humano, minha avó, tua sogra,
passar cor na
boca devia ser decreto
pra antes das refeições, assim
a gente não esqueceria nunca do quanto existir é
efêmero, a Morte
estraga festas como um
guardanapo estraga
a pintura, esse
creme de
lábios,
amanteigado e
didático
devia ser also
democrático,
assim como
o Amor e também
Deus,
no dia do juízo
final,
deve
passar Batom pra
conversar com a gente sobre
suas
Sapecagens.

 

Insônia

(aos que preferem a vida que acontece de noite) 

Virei de costas pro espelho e olhei minha bunda:
Que merda, -pensei.
Quem dera ela nua
fosse tão boa quanto é de calça. Essa história de refrigerante é o que me fode.
Minha bunda
é o resultado do açúcar e eu devia mesmo tumblr_lst0nm0Ghy1qzutuuo1_500
é só comer fruta mas
existo
e prefiro
o chocolate.
Continuo a análise. Estou entre triste e
bem humorada, porque
afinal
é uma bunda feia que ninguém
jamais
recusou.
Só mulheres e, se eu fosse lésbica,
aí sim
eu estaria na merda. Não há nada pior do que o olhar de alguém
que tem
o mesmo que tu.
Largo do espelho, vou à cozinha. Escolho sempre a cozinha quando é noite de lua cheia.
Abro
a geladeira
ansiosa: quanta diversão, meu deus. Do pudim a cerveja, a vida deve ser terrível pra quem
não tem
comida.
Além de toda aquela merda do quem eu sou? e pra onde eu vou? Toda aquela porra de angústias existenciais,
ainda por cima
Você
Não tem nada
para comer.
Mas sempre resta o trepar, o que dá
praticamente,
na mesma.
Faço um sanduíche pensando nisso e pensando no pinto daquele professor de Geografia, enquanto meu dog dorme pesado ao lado do fogão.
Ligo o rádio, é John Coltrane e eu
tenho vontade de chorar.
Choro.
Os programas todos ficam bem melhores depois das 2,
assim como as janelas e também
as praias.
Já viu o mar de madrugada? Já viu você? As coisas ficam muito mais interessantes
sob a luz da lua.
Menos minha cama,
claro.

O pedido

                (um guia-casório em dois atos) tumblr

Saudade.
de tomar banho no seu banheiro de abajur. 
Aquela proposta de irmos juntos a banheira 
ainda vale nos dias que correm?
Hãn?
Que por aqui não mudou nada, viu. 
Tu continua enlouquecendo minha cabeça. 
Quero um amor carnal(val) contigo mas não só. 
Não só, pretinho. 
Quero contigo um encontro de almas. 
E, quem sabe, até um filho.
Nunca tinha pensado em filho antes de você. 
Sou mulher-não-mãe: me dou melhor sozinha. 
Nunca quis criança no peito,
me chupando só os homens. 
Mas toda vez que olho pra tu
sinto que um filho poderia ser
a melhor ideia do século.

Gosto do jeito que você mexe comigo, 
do seu apartamento de mobília solta. 
A gente pode fumar por ali, entende, 
conversar sobre arte. Sobre gente.  
Gosto do que sinto quando olho pra você, 
um lance caleidoscópico.
Tu é noturno, parece que bebi 
quando te escuto
vindo.
Olha pra você.
Porra, te acho lindo. 
Mesmo acostumada com beleza anatômica.

Queria te ligar, me ligar em ti. 
Queria que a gente já fosse casado pra acordar
com teu peso na minha lombar.
Quer café na cama?
Eu levo. Faço tudo, até mamão. 
Leio pra você histórias de vida pública. 
Getúlio Vargas, John Lennon, esses caras 
souberam morrer. Leio poemas também, 
leio seus sonhos.
Posso até  cantar, se te distrai. 
Não sei amar de pouco.
Pra mim
tem que ser de infinito.

Por que tu não troca a cor da camiseta?
Sempre de branco, que coisa.
Ficarias bem de vermelho. 
Quer minha calcinha? Uma carona, quem sabe?
Eu dou.
Quero te ver pela manhã até 2060, 
quando já estivermos murchos.
Velhos pro sexo e pro suicídio.
Até lá te proponho uma vida nova. 
Não faltará comida nem música. 
Não haverá documentos
Cartórios
Ou coisas funcionais.
Nada que estrague
a criatividade
de um homem.
Nossa casa será galpão onde 
os cômodos 
se dividirão por uso, não por tédio.
Nosso moleque andará pelado
E jamais tomaremos chá.
Viajaremos uma vez por mês 
para lugares que nos enlouqueça. 
Não visitaremos sua mãe no domingo, 
talvez na terça ou
na madrugada.
Não faremos média, 
não andaremos de carro e, 
principalmente, 
não acordaremos antes do meio dia.
Juraremos sinceridade sem sequer 
abrir a boca. 
Nossa casa será macia
E será nosso pequeno refúgio lunar.
Pra você que é noturno, 
um cometa com telhados
e uma chica bem peituda 
te esperando.
Topas?