disse o pessimista

-acho que tá garoando.

-não, isso

não é chuva é

Choro dos

passarinhos.  pink-bird-with-knitting-needles

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Fim de tarde

Uma pilha de roupa pra passar e um sol lá fora.

Uma pilha de roupa passada e o sol continua,

Lá fora.

Eu sempre penso que vai dar

tempo

de pegar o sol, pelo menos a ponta dele, e tomá-lo num copo de pingado em gole único.

Mas o Dia anda com passos largos, quando vejo já é a Lua no lugar

do Sol.

Eles se dão bem. Nunca roubam o lugar 1 do outro e se roubam, a gente não percebe,

como não percebemos um bocado de coisas que mudam com

Discrição.

A lua

é lésbica. Namora a noite, o sol

É gay,

marido do

Dia.

O ano

tem pressa em passar pra se livrar logo dos humanos aqui na terra, por isso tão rápido o tempo de relógio, somos péssimos habitantes e

a Terra

precisa se Defender. Na minha correria de tentar, penso que vou ler tanto,

Conquistar

Uma porção de sonhos, como deixar Pronto 1 livro meu antes d`eu sumir pra Morte.

Por enquanto só porta fechada.

E quando abrir, quando alguém topar enfim fazer de mim

1 livro,

então haverá mais portas fechadas, agora na hora de colocar a mão no bolso e
pagar o livro-(m)eu. Vão desistir de me comprar no caixa das livrarias.

Depois irei pro’s sebos e lá acontecerá o mesmo. Depois irei pra’s caixas empoeiradas das prateleiras mais altas dos sebos onde ninguém põe a mão. Encosto,

deito e

durmo nos Nãos.

Esquento os Nãos sentando neles.

Espero que dezembro chegue menos rápido do que de costume,

Alarga Novembro, Lua,

odeio o natal e tenho que segurar a respiração nessas épocas do ano até passar as festanças e elas

Passam

demoradíssimas em

Chumbo.

Monta-se árvore de natal, Desmonta-se árvore de natal.

Guarda-se na caixinha

árvore de natal pro ano que vem,

Abre-se a caixinha para árvore de natal nesse ano. Não é possível que a vida seja cerrada nos 365 dias se repetindo

em tédio, deve haver outro jeito de contar o existir e lá vem o Sol,

de novo,

trocando incansável o turno com

a Lua.

Acontece que, diariamente,

tem 1 instante em que o Céu fica pelado sem nenhum dois 2, então

eu acho que o sol e a lua são

1 só Bola

que troca

de roupa e o espaço sem nada no céu é tempo de

Coxia.

Apesar de que eu já vi o sol com sombra de lua uma vez, numa sobreposição de roupas até que bonita porque estava

Muito Frio.

desespero lento

Palmas volumosas pra Ela,

elogios verbais e faciais, sons de sorrisos intermináveis na

Mesa

lotada de

gente, nenhum olho

olhava pra mim. Eu tinha pedido um garfo pro garçom, ele não trouxe, tive que

Levantar pra pegar enquanto Ela

tinha feito a coisa certa, fechado

um contrato milionário que melhoraria o mundo, quem sabe, em 10 ou 20 anos, a mulher

estava tentando, tinha estudado bastante inclusive na gringa e a mesa

Otimista, aplaudindo. Salivando.

Pela primeira vez na vida não senti ciúmes, meu ego querendo tudo estava

cochiloso. Também parabenizei a moça sem pensar que a moça

que mais amo

sou eu. Não quero nada, por hora.

Não preciso ser famosa, nem ter grandes ideias, nem dinheiro.

Não tenho um emprego mas tenho tempo. E posso ir à palestras em dias de semana não importa o horário.

Dentro de mim uma pequena paz, será que envelheci? Estou calma em estar onde estou,

Num almoço

De segunda sinto

Mini paz. Sem pressa chego nos lugares, cumprimento as pessoas sem

Pensar no que elas pensam de mim.

Já não olho todos os espelhos ao lado das escadas rolantes no shopping,

Já não tenho a curiosidade de me ver de costas. No carro,

Já não abro a janela para que os motoristas

me vejam e buzinem meu look.

Quando não me buzinavam, eu pensava que minha bunda era melhor que o rosto, me buzinariam se eu estivesse de pé e olha que eu nem gosto tanto de sexo assim, isto

Era apenas uma competição.

Agora Quando alguém

Me elogia, escuto tudo, não sorrio antes. No entanto Ainda sinto frio na barriga quando

Me sinto amada,

estou sozinha, insegura, pequena, esmagada pelos

Pés dos mais bonitos fortes talentosos e jovens que eu, eles formam na minha frente uma fila quilométrica e são

a Muralha, mal vejo o céu. Não,

as palmas não são todas pra mim e

tudo bem. Me incomoda, isso sim, o tempo que faz

que não recebo

1 abraço por amor. Tentei dar um abraço na mulher muito próxima de mim na mesa.

Cheguei perto, enrolei os braços no pescoço dela, deixei meu corpo pesar, usei

A imaginação. Disse a ela:

– momentos felizes merecem um abraço.

Mas fiquei pendurada, ela não deixou ser abraçada nem

Muito menos

Me abraçou. Que medo de morrer.

Que medo de morrer

em vida. Eu gostava do meu ego porque eu tinha esperança e

Alegria. O mundo é marrom. Não

Tem água, a terra dura mas as verdades duram menos que 1

Segundo, não gosto dos meus amigos aqui presentes, queria começar

de novo, em agosto do ano mais recente de agora.

Preciso voltar pro Mar e olhar azul. Entendo a mulher que sou terrena, mas

aquela Pescoçuda que tanto acreditava no poder de ser ela mesma, deus, onde

essa mulher foi parar? Ela deve morar no eco

estridente dessas palmas incansáveis que eu não aguento mais, não

Suporto, desatei pro

Banheiro, as mãos

no ouvido.

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EsMalte

assopra pra secar,
fuuuu…fuuuu…
já novinhos fazíamos isso, pintávamos a unha das bonecas,

mini-unhas geralmente de vermelho e

usávamos o vento
da boca
pra secar cor
de unha.
As cores
na unha são
jeitos dos dedos ampliarem as pontas, eles
voam
pairam, ficam mais céus, tudo por causa de um mini pincel
(zinho) num
ponte de cores com
cheiro fortinho
chamado
EsMalte, tão frágil só
a casca, mas
que casca
arco
de
Íris.

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Mesa pra um

Nas ruas os pés sem cabeça,tumblr_ljyo6lHa8t1qe7ucso1_500

as placas.

Não olho nunca pros rostos,

nunca pros olhos, que eles dizem demais pra quem sabe de menos.

Prefiro a janela e uma bela macarronada.

O apartamento em paz e sem tv.

Cortinas cremes, um suco, alguns livros que não sei qual começar, é difícil,

me parece definitivo escolher uma história só. Sou mulher de muitas, não há vazios por onde amo.

Tentei o rádio, mas é só notícia e eu não quero notícia: quero voar.

Voltei a vitrola, olhei discos.

Talvez eu devesse voltar a pintar. Ou talvez eu devesse continuar a dormir. Não sei. De que vale a vida, afinal? Me vem vontade de morte toda vez que o céu

fica assim rosado.

Mas quando escurece passa. É que escurece também em mim o medo e as coisas podres.

Queria juntar no peito todas as contradições do mundo. Queria que nada fizesse sentido, nem meu corpo, e que nenhum homem jamais se aproximasse de mim por causa dos seios.

Mas é sempre pelos seios e eu me sinto sozinha. Não quero ser carne, o desejo me assusta. Não gosto de festas e nem de sertanejos.

Da música,

preciso do blues e da cerveja e de alguns compassos que me façam ter coragem de olhar nos olhos.

Semana passada eu estava na rua.

Mês passado também, de bicicleta, que uma mulher, once in a while,  precisa de ar. E de amor. E de algumas carícias na coxa.

Qual o quê!

Impossível encontrar um ser que te queira como és. O que vejo são seres que querem a-si–mesmo, num dueto do sozinho infinito. Assim fica fácil, assim fica sexo. Eu passo.

Prefiro a janela e uma bela siririca.

Não me importo de ficar nua ao meu lado, pelo contrário, me sinto leve.

Tenho Bukowski no travesseiro e Beatles no meu carro, eu tô legal.

Entre o amor só

e o amor egoísta

eu fico com o livro.

 

 

(Smiths aqui)