Essas ligações de olho que acontecem só às vezes ou Um Amor Honesto

ontem
me peguei sorrindo
ao lembrar do jeito que você me disse pra eu beber a breja, tu mandou um:
-Vira o copo.
Eu virei metade, o resto
foi você.
Fico besta com as coisas que o amor nos faz e olha que eu ainda nem
te amo.
Só gosto muito do fato de que você exista com tanta saúde. Com tanto Humor.
Flutuo
só de pensar
que você
está bem.
Não gostaria de ir para o mesmo lado que sempre vamos quando nos
Apaixonamos, mil mensagens, ligações, a
espera, não. Dessa vez, eu queria fazer diferente,
um suicídio lento a caminho de você.
Te sinto criativo, a gente podia brincar de sermos 1, Já imaginei nós 2 nos muros, nos cantos, nos amassando rápidos e de olhos atentos nas esquinas que sempre trazem quem vem.
Não teremos tempo, provavelmente,
mas no fim
ninguém tem.
Fico pensando no próximo passo,
em te surpreender,
Te mandar um vídeo, te escrever uma carta anônima e borrifar o perfume que eu usava no dia que te conheci, só pra ver
se você
é mesmo
assim tão Bom.
Se não for eu te faço algo que nunca ninguém te fez, uma loucura qualquer que nos faça sorrir por uns 30 anos ao lembrarmos daquele dia x, eu gostaria de te fazer sentir
O que ainda não foi sentido.
Tenho esse compromisso, o de aprimorar a tua memória. A tecnologia pode me ajudar. Vou te fazer um filme com esses aplicativos
Grátis. Depois, te pago outra cerveja. Outras.
Todas.
Eu sei,
não precisamos um do outro pra ter uma vida boa e o mais incrível é isso,
é
justamente isso de não nos precisarmos pra Nada e
ainda assim
nos Querermos tanto.

Somando as duas, nossas fotos tiveram 54 likes

a gente tinha quebrado a cara de novo, não
desistimos nunca,
fomos criadas assim. Pra acreditar no amor,pra tentar mais que Uma, pra
começar de novo, mas

dessa vez,

depois de

t  a n  t  a  s,
estava sendo

especialmente Difícil. O meu me trocou por outra

Gata
de menos de 20 anos, eu tenho
vinte e seis. Não telefonou, não voltou nem pra buscar a mala. Provavelmente não nos veremos nunca mais, quiça numa esquina

daqui uns 5 anos, eu de cabelo curto, ele vivendo em outro bairro.

O dela,
pegava dinheiro e só, não queria transar. Também não queria
lavar a louça mas gostava de meia na gaveta. Minha amiga mandou ele à merda: achei
o Mínimo.

E naquela noite de sexta

a gente encostou a carro no canto da estrada, abrimos no braço as nossas cervejas quase quentes mas
ainda assim

eram bem melhores que os nossos ex-amores e

ficamos olhando a Lua, rindo das nossas tristezas,

sempre tão parecidas.

– É bom saber que eu tenho você.

eu disse a ela, e nossos olhos ficaram molhados. Tiramos foto, colocamos na Internet enquanto

o cel ainda tinha bateria. Depois
nada, não

planejávamos voltar tão cedo, pelo menos

não

dessa Vez.

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A cena

Os dedos,
naturalmente,
querem muito tocar esses botões.
Não
precisa ser Poeta,
qualquer rústico escreveria cartas 
terríveis
de amor e de guerra, caso colocassem os dedos
nessas teclas.
Letra
por letra
as palavras se formariam no papel, é como uma Polaroid, tu
vê o resultado
da obra
na hora,
por isso o lixo
fica cheio de folha
escrita
pela metade.
Acrescente ainda nessa cena
uma cerveja
ou um vinho, a janela aberta
pro vento fazer carinho, um pouco de talento e
Bingo
temos meia dúzia de poemas imortais.
A cabeça
é de quem escreve,
claro.
Assim como os livros da estante.
Mas o coração tá
na Máquina, a única máquina
que tem Alma
no mundo.

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Mesa pra um

Nas ruas os pés sem cabeça,tumblr_ljyo6lHa8t1qe7ucso1_500

as placas.

Não olho nunca pros rostos,

nunca pros olhos, que eles dizem demais pra quem sabe de menos.

Prefiro a janela e uma bela macarronada.

O apartamento em paz e sem tv.

Cortinas cremes, um suco, alguns livros que não sei qual começar, é difícil,

me parece definitivo escolher uma história só. Sou mulher de muitas, não há vazios por onde amo.

Tentei o rádio, mas é só notícia e eu não quero notícia: quero voar.

Voltei a vitrola, olhei discos.

Talvez eu devesse voltar a pintar. Ou talvez eu devesse continuar a dormir. Não sei. De que vale a vida, afinal? Me vem vontade de morte toda vez que o céu

fica assim rosado.

Mas quando escurece passa. É que escurece também em mim o medo e as coisas podres.

Queria juntar no peito todas as contradições do mundo. Queria que nada fizesse sentido, nem meu corpo, e que nenhum homem jamais se aproximasse de mim por causa dos seios.

Mas é sempre pelos seios e eu me sinto sozinha. Não quero ser carne, o desejo me assusta. Não gosto de festas e nem de sertanejos.

Da música,

preciso do blues e da cerveja e de alguns compassos que me façam ter coragem de olhar nos olhos.

Semana passada eu estava na rua.

Mês passado também, de bicicleta, que uma mulher, once in a while,  precisa de ar. E de amor. E de algumas carícias na coxa.

Qual o quê!

Impossível encontrar um ser que te queira como és. O que vejo são seres que querem a-si–mesmo, num dueto do sozinho infinito. Assim fica fácil, assim fica sexo. Eu passo.

Prefiro a janela e uma bela siririca.

Não me importo de ficar nua ao meu lado, pelo contrário, me sinto leve.

Tenho Bukowski no travesseiro e Beatles no meu carro, eu tô legal.

Entre o amor só

e o amor egoísta

eu fico com o livro.

 

 

(Smiths aqui)

Confissões de um safado

Se entregar aos prazeres da vida nunca foi 
lá muito seguro. 
Por isso, 
pra não correr riscos, 
nos reprimimos dia a dia
bem devagar
achatando o que há de lindo 
no gosto 

da experiência.

Nos poupando, é bem verdade que a vida 
fica mais fácil. 
Mas aprendemos pouco, 
bem pouco, 
ao vivermos assim. 

Se entregar aos prazeres da vida 
e respeitar as nossas vontades 
(por mais loucas que sejam) 
nunca foi tarefa simples.
É um ato de coragem 
permeado pelo acumulo de falhas
E de inimigos
E de alguns corações partidos mas, pelo menos,
estamos vivos.

Que todos vão te amar
Pode estar certo que não.
Que irão te entender ou perdoar
muito menos.
O máximo que irás conseguir
É uma meia dúzia de admiradores patéticos
E nunca mais ser esquecido
Para ser sempre lembrado
Como aquele que não tem limites
Que é o sacana libertino
o hipócrita que
não vale 
o centavo que come.

Calma minha gente
que eu 
estou 
também 
aprendendo.

A vantagem
Se for vantagem
É viver o que se diz
a flor da pele
Conhecendo os outros
e a si mesmo
num jogo infinito
e intenso
pois 
enquanto eu tiver instinto
Não preciso de cerveja.
Minha droga é o risco. 

Cada dia eu me descubro mais podre
e mais humano
e nem um pouquinho diferente 
de nenhum de vocês.

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