Poli Amor

Fiz a janta, perdi horas

cortando tomate em busca da salada

Perfeita. Aprendi num buffet de restaurante, combinei o queijo com

manjericão. Coloquei a travessa no centro da mesa. Recorri às velas e a toalha de renda pra deixar

a noite

mais leve.

Abri um vinho dois mil e sete, olhei no relógio, Sabia que

apesar do trânsito

ele não demoraria nada e foi só eu sentar no sofá que

o Pedro chegou. Sempre foi assim, do lado dele

eu não descanso. Agora cansei, ainda hoje meu Outro

me espera, prometemos.

O quase ex abriu a porta sem campainha. Olhou pra mesa antes de mim:

-pra quê isso, Carla?

– Nada. Eu tava precisando falar com você.

– pois fale. Você sabe que eu tô de dieta.

– só fiz salada. Toma um banho, eu te espero pra gente jantar.

Ele foi. Voltou depois de 10 minutos que pelo menos com água ele é um cara legal. Estava de shorts sem camisa. Pedi pra ele colocar uma camisa,

não pôs. E disse pra eu largar a mão de ser:

– Chatinha.

Sentamos. Lhe servi, inclusive

o vinho. Ele queria ligar a tv. Eu disse:

-Espera.

que eu preciso contar 1 coisa. Ele não perguntou o que era, talvez

nem se importasse ou talvez de tanto falar ele tenha desaprendido a ouvir.

o Avisei baixinho, que grito

é ausência e eu

estava lotada.

– Vou te deixar, Pedro. Conheci um cara que me olha nos olhos quando transa comigo, eu tô indo morar com ele. Minha Mala tá pronta. Essa é a última janta que

a gente janta junto.

Ele seguiu comendo. Mais uma vez Não teve coragem de olhar nos Meus olhos. Acabar com alguém depois que já acabou é

um pouco mais fácil, o arrependimento é do tamanho de um comprimido e fica o sentimento de que

o que foi feito

está Feito até tarde demais.

De cabeça baixa vi pela vela que ele chorava. Achei o mínimo, depois de quase 10 anos. Ele Disse pra mim o quanto era duro

Não mais me amar. Escutar o fim e sentir

só silêncio. A gente se acostuma a ficar junto, isso

é um jeito de amor

também. Conforto

é amor. Rotina

é amor. Anos juntos

É coragem. Largamos os talheres por 1 abraço e nele ficamos por minutos que nem sei.

Senti

o pau

do Pedro. Nos beijamos e

nos

Comemos depressa na nossa

Primeira-última transa

depois de tanto tempo.

os Três

Passeiam na rua 1 cão,

1 homem e

1 mulher.

Eles têm qualquer coisa de Chilenos dentro

de si,

usam malhas escuras de inverno apesar de não ser ainda

inverno, é

fim de verão e caiu há pouco uma bela chuva que deixou a

rua

úmida como memória.

O homem e a mulher não carregam alianças ou

mãos um do outro, mas

Se nota que são esposos. Há entre eles um peso velado dos anos que

passaram juntos, inclusive o cachorro, velho,

um cão que deve ter sido

um possível presente

De casamento.

Era noite depois da janta. O homem e a mulher conversavam

Baixinho sobre:

 

– Separação.

Conversavam pingado,

Longas pausas, olhos de quem se desistiu.

Amor infinito não existe, eles

Tão sóbrios

Bem Sabem. Com quem vai ficar o cachorro é a questão complicada, o cão sem coleira

logo

morrerá dentro do tempo bastante estendido de sua existência. Quantos anos ele tinha, 18, 19? Com essa idade,

uma pessoa ainda é criança se for pra falar de

-Morte.

Já pro Cão, é preciso urgentemente que ele passe Feliz

os últimos anos, se forem anos, de sua vida. O futuro ex. casal deve isso a ele, além dos passeios noturnos, dos banhos semanais e da ração importada 3 vezes por dia.

O homem e

a mulher fingem que não sabem de quem

O cão

Mais Gosta, está claro que ele gosta mais do homem. Eu também,

mais do homem,

o cachorro trouxe muito do Chile, mas

veio. A mulher nem isso veio,

decerto ela se esqueceu por lá. O único Inteiro da turma era o homem. Com suas dores, suas saudades,

Suas estações de rádio preferidas, ainda assim,

Ele

era todo Agora.

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O Cigano

A gente gostava de Dylan juntos, tínhamos um bocado de coisas em comum como o

ketchup da

batata

frita,

uns escritos,

whisky na madrugada, os balcões de boteco de estrada e

sonhos.

Nesse mundo cão,

as semelhanças ajudam a gente a pertencer. Com ele eu Pertencia,

ele tinha a mania de viajar sem dar satisfação,

Largava tudo e saia de férias, eram ordens do seu

eu

lírico, ele sabia bem que um dia morreria e esse dia podia ser hoje, um pouco mais tarde, ou

quem sabe,

amanhã bem cedo

antes mesmo

do sol nascer. A maior parte das pessoas se esquecem da sua morte, ele nunca, usava isso como desculpa para as maiores revoluções, era

bonito olhar pro cara enquanto ele falava de certos artistas, Bacon, Jack London, quanto mais sujo ele estivesse,

mais sexy ele ficava, devia ter uns quarenta anos meu novo amor e se sei disso não é pelo rosto, mas pelos casos que ele contava. Ou era tudo mentira ou ele tinha quarenta anos apesar de aparentar uns 30,

não teria dado tempo pra fazer tanta loucura, como da vez  em que ele viajou por anos em cima de uma moto

ou quando ele deixou o cabelo crescer até a cintura,

o vi em fotos antigas com fundo

de poeira,  pedi

pra ele deixar crescer de novo, o Cigano balançou a cabeça positivamente, não negava favores pras suas gatas.

Ele era do tipo de cara que parava pra ouvir um jazz num boteco qualquer

no matter who was waiting for him

at home.

Aliás,

Pra ele,

home was as dead as Good.

O cigano conhecia o mundo por terra, nada de aviões e sucos de latinha, odiava paparicos dos puxa

sacos, com ele

eu tinha de ser séria no amor,

o que sentia

eu dizia no duro, ele não gostava também de cerimonias. Por

isso

casamos de couro em cima da moto

cruzando fronteira com  o México, cabelo ao vento,

a gente se pediu em casamento, eu sei

é

bastante old Fashion pra dois malditos

irrecuperáveis

como nós, mas qualquer esponja de aço tem seu dia de algodão. Nessa noite, eu me lembro, a gente trepou no mato, uma formiga picou minha bunda, ficou inchado, parei no médico, tomei uns lances que me deixaram com mais tesão do que de costume e eu fiz meu homem chupar-me o cu no meio do posto de gasolina, ele

fez

ele fazia

tudo que eu pedia, me amava,

eu tinha dado sorte nessa, até que um dia

ele me disse:

– Vou viajar e dessa vez você não vai. Quero ficar sozinho.

Eu disse:

– Claro. Também preciso.

Mas precisava uma ova, estava Amando brutalmente esse sujeito e achei que ele

Nunca mais sairia de mim.

Seis anos se passaram feito vento, o Cigano nunca mais me ligou. Fiquei sabendo por outros que agora

ele tem um filho

com uma loira peituda e ex

modelo,

me pergunto se ele está contente com a vida burocrática, espero que não e que um dia

ele me procure.

Daqui, vou  levando

sempre um pouco mais triste e estava certa quanto a ele não sair de mim nunca mais, são tantas as noites que bato uma pensando nele. Depois eu choro e levo pra cama todo e qualquer sujeito de cabelo

comprido,

uma hora

dá bingo.

 

madmag-2

 

Não deixe a mulher sozinha

Queria ter comprado aquela máquina de escrever que vimos Juntos. Você estava certo, eu preciso de raízes, uma hora ou outra acaba a crise e eu tenho que escrever com mais instinto. Teria ido hoje na loja,

depois do almoço,

mas acabei me perdendo no chá, eu fiztumblr_mbaeaxkkYC1rq7yhco1_400

um chá

da tarde

pra gente: tu

não

veio.

Tinha me prometido, inclusive, mas a sua boca fala mais do que seus passos, sempre foi assim. Eu tinha deixado a casa limpa, comprado bolachas, terminado um livro

pra gente conversar. Sei que não gosta de futilezas, verticalizo-me por ti all the time. E porque te amo

me esqueci do mais importante:

que tu

é

casado.

Tua mulher

Teve criança

eu sou último plano. Também queria fazer neném e cê me diz:

– Calma doçura.

Odeio quando você me diz disso, faço drama, quero agora. Uma mulher precisa de estepe, qualquer segurança e algumas promessas. Já existem bocas pra tu alimentar,

eu sei

Mas não é só de grana que se vive um povo. Tu me prometeu um chá e 1 filho mas nunca

avisa quando.

Estou farta e febril é o fim.

Queria te ligar, são 5 e combinamos 3. Olhei o telefone, Vermelho.

Que sozinha, Benito, que bobagem, eu tinha te colocado um vestido.

Olhando assim

de cima

tenho belas pernas, ótimas cochas. Por vaidade, levantei um pouco o meu vestido. Sou Cristã mas não morri. Tentei te ligar no celular, fui amável. Poderia tentar ligar na tua casa, imagine. Te foder, you Know, mas eu te amo e acontece também que não sou ignorante. Sei respeitar a burguesia. Só gosto de saber do seguinte: caso quisesse, poderia Te foder numa boa.

Te liguei no celular, portanto, o chá

Gelado.

As bolachas

Murchas, te liguei no celular e tu não me atendeu. O telefone vermelho na mão direita, chama

que chama

mas tu

não me atende: Maldito.

O telefone gelado no meu ouvido, minhas coxas e tu acredita que o formato do tel

lembrava teu pau?

A cor também, que tu é branco e fica ruivo quando está de pica dura.

De repente,

o telefone me pareceu tão tocante. Dei-lhe um beijo de língua. Beijei com gosto aquele tel e fui descendo pelo peito, barriga, perna. O telefone lembrava muito teu pau e eu o enfie em mim,

pra mim. De fora,

restou Só o fio.

Gemi e pensei que agora

Seria uma boa hora

Pra tu me ligar: que solidão,

amor.

O pedido

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Saudade.
de tomar banho no seu banheiro de abajur. 
Aquela proposta de irmos juntos a banheira 
ainda vale nos dias que correm?
Hãn?
Que por aqui não mudou nada, viu. 
Tu continua enlouquecendo minha cabeça. 
Quero um amor carnal(val) contigo mas não só. 
Não só, pretinho. 
Quero contigo um encontro de almas. 
E, quem sabe, até um filho.
Nunca tinha pensado em filho antes de você. 
Sou mulher-não-mãe: me dou melhor sozinha. 
Nunca quis criança no peito,
me chupando só os homens. 
Mas toda vez que olho pra tu
sinto que um filho poderia ser
a melhor ideia do século.

Gosto do jeito que você mexe comigo, 
do seu apartamento de mobília solta. 
A gente pode fumar por ali, entende, 
conversar sobre arte. Sobre gente.  
Gosto do que sinto quando olho pra você, 
um lance caleidoscópico.
Tu é noturno, parece que bebi 
quando te escuto
vindo.
Olha pra você.
Porra, te acho lindo. 
Mesmo acostumada com beleza anatômica.

Queria te ligar, me ligar em ti. 
Queria que a gente já fosse casado pra acordar
com teu peso na minha lombar.
Quer café na cama?
Eu levo. Faço tudo, até mamão. 
Leio pra você histórias de vida pública. 
Getúlio Vargas, John Lennon, esses caras 
souberam morrer. Leio poemas também, 
leio seus sonhos.
Posso até  cantar, se te distrai. 
Não sei amar de pouco.
Pra mim
tem que ser de infinito.

Por que tu não troca a cor da camiseta?
Sempre de branco, que coisa.
Ficarias bem de vermelho. 
Quer minha calcinha? Uma carona, quem sabe?
Eu dou.
Quero te ver pela manhã até 2060, 
quando já estivermos murchos.
Velhos pro sexo e pro suicídio.
Até lá te proponho uma vida nova. 
Não faltará comida nem música. 
Não haverá documentos
Cartórios
Ou coisas funcionais.
Nada que estrague
a criatividade
de um homem.
Nossa casa será galpão onde 
os cômodos 
se dividirão por uso, não por tédio.
Nosso moleque andará pelado
E jamais tomaremos chá.
Viajaremos uma vez por mês 
para lugares que nos enlouqueça. 
Não visitaremos sua mãe no domingo, 
talvez na terça ou
na madrugada.
Não faremos média, 
não andaremos de carro e, 
principalmente, 
não acordaremos antes do meio dia.
Juraremos sinceridade sem sequer 
abrir a boca. 
Nossa casa será macia
E será nosso pequeno refúgio lunar.
Pra você que é noturno, 
um cometa com telhados
e uma chica bem peituda 
te esperando.
Topas?

Cenas de um divórcio ou A viúva

Tenho que limpar a casadesesperada

tá toda suja da semana atrapalhada

Nem troquei a fronha e agora

tenho que lavar a roupa

e a louça

de ontem.

Mas que dia.

Que diabos.

Preciso lavar o banheiro

Caguei

Cagaram

E ninguém limpou

Que merda.

Que sujeira.

O vaso está imundo

And so and so meu coração.

 

 

Tenho que fazer mercado

Não tem nada na geladeira

Nem uma fruta

Só sobrou ovos

E um pimentão embolorado

Que deixou as coisas com cheiro

Tá tudo bagunçado and so

and goes meu coração.

 

 

Não sou de reclamar, entende,

Mas tá difícil fazer tudo assim

Sozinha.

Foram trinta anos da gente junto

Dividindo a cama

E as compras.

Agora tu deu o fora

Com uma putinha de 25, a idade da tua filha,

não tem vergonha?

Eu tenho.

Eu me sinto um lixo

Usada

Velha

Cansada dessa vida.

Cansada.

Dá o fora, veio fazer o que aqui?

Pegar tua mala?

Fazer a barba?

Vai embora, não entra mais aqui,

Tu vai buscar tua filha lá em baixo, entendeu?

Aqui não seu merda, aqui não que eu tô sofrendo e a culpa é tua.

Eu só queria que tu fosse mais romântico

Mais sensível e que não dormisse roncando igual a um porco.

Aposto que com ela tu não ronca, não é, desgraçado?

Sai daqui!

Me deixa em paz.

Me deixa a paz, me solta o braço que eu preciso chorar

de ficar roxa

and so

and

Gone

Meu coração.

O pesadelo

Tenho tensão amorosa. Te provoco e te toco numa transa macia. Tu me morde, me encaixa, mesmo com 
o passar do tempo. Porém a vida se renova em gente que nasceu nos anos noventa. Todos de noventa, e eu ficando pra trás. Tenho medo que cê me troque por um broto. Na janela do meu carro vislumbro o passado em flashes. Engasgo. Compreendo que meus peitos já não são mais os mesmos. Ainda assim, fodo mais que essas gatinhas de dezoito a vinte dois. Minhas tetas são antigas, nada plásticas, mas Essas crianças pintadas de cabelo raspado são pequenas, são novatas. Eu tenho estrada. Me sinto larga por estar na roda há mais tempo. Saca? Me sinto á frente da ninhada, bem na frente. Tão na frente que de lá avisto a sombra da moça- morte. Merda!
Não quero morrer tão cedo, não, não, não quero. Tenho coisas pra fazer, entende, farmácia, emails, sexo, passaporte. Me deixa aqui, porra, por favor, socorro! Amor! Amor, acorda! Socorro! Sua vaca, me larga, socorro, amor, acorda!! Socorro!!!
Levanto da cama num salto.
Meu homem, um pouco assustado, me abraça de lado. De barba por fazer e sem camisa, ele nunca me pareceu tão bonito. 
– Calma, tô aqui. Foi só um sonho, calma. Pronto. Assim… Respira, mulher. Isso…Cê quer alguma coisa?
– Me chupa. – solucei.
– O que?
– Depois me fode.
Ele sorriu. Que homem lindo, meu deus, que sorte a minha. Ele me agarrou pelas coxas e arrancou minha calcinha.
– Mais devagar, baby. To me sentindo muito sozinha essa noite.

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