fome

minha blusa estava larga pra mim. Cabia um palmo a mais

de peito além dos meus que não são grandes, mas

são Fêmeas que

querem boca

tanto quanto a própria

boca ou

mais, já que estão em 2.

Passei o dia com a Blusa e nada me aconteceu a não ser eu

me sentindo muito fresca com esses 30 graus em Sampa city, o vulcão

das cidades

Malditas e também alguns olhares, de homens distraídos

com o corpo feminino no caso o meu.

Fui ao cinema, não pensei mais em peitos. O filme era pretencioso sobre sexo,

de um grande Diretor Alemão que

por terem dito que ele é:

-Grande.

Agora se dá o direito de enlouquecer. Fui ao cabelereiro,

Fiz um coque, pedi um sorvete de palito no bar. Me deram, inclusive

o troco.

Voltei pra casa dirigindo pensando que amanhã daria tempo sim,

de fazer mercado e dormir

um pouco

mais. Voltar pra casa de carro é uma estrada longa que gosto de sentir com janela aberta.

A janela estava abertíssima, inclusive, no máximo que podia e eu querendo que ela fosse 1 porta. Parei no pedágio e disse

Boa Tarde pro homem que me olhava tão sorridente da cabine como se eu fosse uma pop star.

Peguei as moedinhas na carteira e ele sem tirar

Os dentes

do rosto

me disse:

-moça, a blusa.

Num balbuciar de sílabas semi-sem voz.

Olhei pra baixo e vi

1 peito de fora, o que estava do lado da janela,

absolutamente de fora,

nem o cinto do carro cobria e o Bico

Duro.

Olhei de volta pro moço que estava me olhando panorâmico. Um peito nu de mulher

no meio da cidade grande é

das misturas mais poderosas do mundo para desestabilizar 1 vida de

tédio.

Segurei os segundos antes de puxar de volta a

blusa, segundos esses que fizeram toda a diferença

pra deixar aquela cena

digna de ser contada em beira de bar pro’s amigos, quiçá até

daqui uns anos.

Então arrumei a blusa, devagar. Demostrei vergonha que não foi de toda mentira, pedi até

desculpa,

Ele tão leve me disse:

– não moça. desculpa eu.

e o outro cara,

da outra cabine,

me acenou de longe um tchau Gentil.

Acelerei,

amando ser mulher.

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ombro

andava tão quieta. em todas as conversas ela
só ouvia.
tinha um rosto de gente interessada, daí o abuso, mas
por dentro
ela era
lotação da
Sé.
Precisava dizer umas boas, também,
Umas perguntas do tipo
Depois que morro nunca mais vejo meu corpo nem os corpos das pessoas que amei?
Só que antes
Ela precisava encontrar alguém de ouvido grande
maior que a boca ou pelo menos os 2
do mesmo tamanho,
que luta, ela pensava,
olhando a cidade de são Paulo 6 da tarde esperando o
busão
que demoraria muito,
muitíssimo
pra passar.
Antes
precisavam passar os carros que estavam na frente e parecia que sempre
tinham carros demais
na frente
de Ana.
Respirou fundo, de uma profundidade que
se fosse em metros,
Dava longe na nova
Zelândia, saltos
de bungy Jump
Sem vista pro mar. Cidade de pedra essa são Paulo, com suas
pessoas de pedra.

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Golf

deus sem você é deus.tumblr_ncalpo0VHh1tlkm4zo1_500
você
sem deus
é nada, li
a frase
na traseira de um
caminhão.

Fiquei pensando,

eu sou
tanta coisa

enquanto deus
é um sujeito que nunca vi. Superestimado ele,
com certeza, no fundo um omisso. Sem coragem de dar as caras pra falar
abertamente
das merdas que fez.
Quando olho a cidade do carro
sinto vontade de morrer, o rio
acompanha o asfalto, o rio
é Sujo,
feio e, ao redor dele inteiro,
acontecem diversas obras, o governo
quer construir um Futuro além dos sofás sem dono na estrada, dá pena,
a pessoa pensa,
não quero mais esse troço, então
ela joga
o troço
na Rua que a Cidade
é grande, ela sempre
aguenta.
Ultrapassei o caminhão, queria conhecer o Motorista com tanta certeza das coisas que não existem.
Olhei o sujeito,
ele tinha bigode e na boca
uma goma
de mascar.
A cidade está lotada, fora as pessoas que não estão ali, estão em casa, nos shoppings, nas lojinhas. Do carro,
vi um cara no celular rindo pra tela, vi uma família atravessando na faixa, fazendo o certo, eu vi sacolas,
faróis vermelhos e constantes, a
Velocidade reduzida, as multas, a mãe sem paciência e sem sorriso,
O trabalho de
Merda até às 18, um mar de gravatas mal pagas eu vi
do carro a gente toda e
Deus é deus,
Você
é nada. O dose
é que sinto que sou tanta coisa, como posso caber no
Nada? Se me amo num homem que quero
Conhecer mas
não conheço, se compro discos, se acendo luzes, fecho armários, leio livros, penso em mim, como posso
simplesmente
não Ser?
Deus
é um Esporte pra poucos.

Não dá pra entrar muito fundo em outra pessoa que não seja você

te vi cansado numa foto, alisei
você com os dedos já que, por hoje, não podemos ficar juntos.
Sinto saudades de alguém que dei 7 beijos e nunca transei. Mas sei o gosto que tem o seu dedo e sei que você vai muito ao banheiro. Volta
de cabelo molhado, eu não digo nada.
Mas sei.
Esse corte novo cê detesta, prefere mais curto. Eu prefiro assim e desde então não nos vemos há
dias. Talvez não nos veremos mais.
Ao menos
temos os nossos cachorros, nossos celulares, temos a
vida pela frente, ainda temos um pouco de água, o chuveiro aberto,
o bar da esquina. Podemos nos locomover pelas ruas sem morrer nenhuma vez já que, Estranho, nós continuamos vivos. Por quanto tempo não dá pra saber que
deus é um sujeito que Joga, mas por enquanto estamos
aqui.
Podemos
Pegar um taxi, sentir tristeza, matar a fome com um lanche, pelo menos a nossa, sempre as nossas na frente de tudo. Ainda podemos dormir até as oito e dizer no trabalho uma
Mentira à toa, perto das tantas que contamos
só no dentista. Ainda podemos nos mandar mensagens de texto, evitar o amor, se estiver no
começo,
Evitar a gravidez.
Duro mesmo será quando não pudermos mais esses tão poucos.
Você me perguntou, inclusive, queria saber se eu era livre. Eu disse:

-Ninguém é.

Você sorriu:
-Eu sou.

E pensa que sim porque escolheu não ter carro.
Eu entendo você como o homem mais livre que conheço e não duvido
do dia em que tu me disser:

– Comecei a escrever aquele livro.

Ele Terá cheiro do que já foi, terá um pouco de mim
e todas as outras mulheres que você já conheceu,
em
Maior ou
menor grau de
Convivência, não importa. Ainda que moremos juntos, ainda que eu leia todos os livros você me disser que:
-É bom.
Mesmo que eu ame a sua mãe, que eu te veja com medo, que cê me pague um taxi pra casa e não aceite os seus 120 reais de volta. Ainda assim, sempre seremos
dois estranhos.

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Elogio

Um Escort a dez por hora numa avenida de movimento: não

eu não acredito em deus. Tem um cara na minha academia, sessenta e poucos anos, se

deus fosse vivo, ele

seria esse cara. Muita ruga, muito charme, magro, olho

danado, boas leituras, bom cheiro, nada nele não me agrada,

deus seria assim.

Mas com essa avenida tão fria, essa falta de velocidade, acabo ficando

Bastante

realista. O vento eu não vejo mas ele existe. Isso não é prova de que deus também existe, porque o vento

eu sinto e

em sentir eu acredito. De deus, escuto muito dizer e se fosse rezar pra pedir as coisas, acho que pediria pra achar um livro perfeito,

que me traga brisa

e me traga um jeito

forte

de pensar

diferente.

Um amigo chamado Marcelo me disse um dia pra eu não acreditar em elogios. Disse só pra eu continuar estudando e

Escrevendo, balancei a cabeça positivamente.

Levei a sua fala como um elogio, talvez o melhor que já recebi, e acreditei nele.

O Escort continuava a 10

por hora, me deixando nula em qualquer possibilidade de ultrapassagem para além da buzina ou do voo.

O Escort

estava no meio da rua

me fazendo ter tempo pra pensar no como eu cheguei até aqui. Por que escrevo? Por que escrever pra mim é natural? Eu podia dançar, ao invés. Ou tocar gaita.

Tem um outro amigo meu, o Mateus, ele me disse que escrever é empurrar letrinhas. Empurrar

Foi uma ótima escolha de

verbo.

Também ele já me disse uma vez que sou bonita, mas me chama mais de gostosa do que

De bonita.

Homem é

grosso, mulher é

carne. Acho péssimo isso em todos os quesitos da vida menos no sexo.

Agora o Mateus, eu gostaria muito que ele me visse pra além das alegorias. Outra dia

ele disse que eu estava muito magra, mas ainda

bem gostosa. Eu não agradeci e

acreditei de novo. Comecei a comer melhor.

O Escort

virou a direita,

ufa.

Agora dirigindo veloz tenho chances de não pensar mais em nada, como se

fosse possível. Se deus fosse vivo, além do livro, eu pediria pro cara um tempo de pausa.

Zero de pensamento, um vácuo sereno

e Profundo,

Descuidado,

Um silêncio de dentro, um shiu pras vozes internas, dá pra pedir

Mais de 1

Coisa

Pra deus? Acho que sim, mas talvez com estratégia. Tem gente que pede em reza felicidade, mas

Convenhamos, a felicidade engloba um infinito de desejos e

possibilidades, que gente

Esperta.

Acreditar deve ter gosto de pirulito.

 

ida

peças de um quebra
cabeça, todas
são importantes, veja, não é uma competição, é
uma beleza o grupo
trabalhando junto para o funcionamento
perfeito
da existência, mas
o Volante
é o olho da águia, ele
te guia com classe, sem barulho, só com o toque, não
precisa de força e não é a toa que tu
coloca nele as mãos, não
os pés, pés são passos do esforço de pernas, mas a mão
é a parte que voa, é
a alma do braço, a palma,
palmas,
ela que te traz o objeto de desejo, ela proporciona o toque, ela guarda e
te leva
sem esforço
pro’s caminhos que tu ouses
percorrer e quem bom
que ousas, por mais
Medo que dê
os Buracos, existe uma roda
gigante
instrumento de
caminho
chamada
Volante.

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(*na foto, ilustração de Tracey Emin)

Mesa pra um

Nas ruas os pés sem cabeça,tumblr_ljyo6lHa8t1qe7ucso1_500

as placas.

Não olho nunca pros rostos,

nunca pros olhos, que eles dizem demais pra quem sabe de menos.

Prefiro a janela e uma bela macarronada.

O apartamento em paz e sem tv.

Cortinas cremes, um suco, alguns livros que não sei qual começar, é difícil,

me parece definitivo escolher uma história só. Sou mulher de muitas, não há vazios por onde amo.

Tentei o rádio, mas é só notícia e eu não quero notícia: quero voar.

Voltei a vitrola, olhei discos.

Talvez eu devesse voltar a pintar. Ou talvez eu devesse continuar a dormir. Não sei. De que vale a vida, afinal? Me vem vontade de morte toda vez que o céu

fica assim rosado.

Mas quando escurece passa. É que escurece também em mim o medo e as coisas podres.

Queria juntar no peito todas as contradições do mundo. Queria que nada fizesse sentido, nem meu corpo, e que nenhum homem jamais se aproximasse de mim por causa dos seios.

Mas é sempre pelos seios e eu me sinto sozinha. Não quero ser carne, o desejo me assusta. Não gosto de festas e nem de sertanejos.

Da música,

preciso do blues e da cerveja e de alguns compassos que me façam ter coragem de olhar nos olhos.

Semana passada eu estava na rua.

Mês passado também, de bicicleta, que uma mulher, once in a while,  precisa de ar. E de amor. E de algumas carícias na coxa.

Qual o quê!

Impossível encontrar um ser que te queira como és. O que vejo são seres que querem a-si–mesmo, num dueto do sozinho infinito. Assim fica fácil, assim fica sexo. Eu passo.

Prefiro a janela e uma bela siririca.

Não me importo de ficar nua ao meu lado, pelo contrário, me sinto leve.

Tenho Bukowski no travesseiro e Beatles no meu carro, eu tô legal.

Entre o amor só

e o amor egoísta

eu fico com o livro.

 

 

(Smiths aqui)

O diário da amante

(leia ao som de um cigarro)

Nossos olhos se encontraram pelo espelho.

Puta que pariu.

Eu estava mesmo a procura de um amor reviravolta, só achei que ia demorar mais um pouco.

Meus lençóis ainda estão quentes.

Eu quis fugir-te. Essa história de colocar olho no olho me cheira a estupro. Parece que a pessoa está te lendo toda, sugando teus pensamentos, te deixando nua.  Assim mesmo, sustentei tua encarada por alguns segundos. Foi o que aguentei. Minhas costas ficaram úmidas e também minha calcinha. Qual é o teu segredo?

A voz?

A barba?

Socorro, baby.

Esse teu jeito de como-quieto-e- não- te- ligo me deixa louca. Não me olhe mais assim ou eu vou te.

Bom.

Vou te dar uma chave de pernas.

Aposto que tu nem reclamaria. Sei que sonha comigo, que imagina a minha bunda e, na noite passada, imaginou meu peito. Minha barriga. Ai, que cê deve comer tua mulher

pensando em mim.

Teve um dia que cê veio me falar um não-sei-que e encostou a mão no meu ombro: meu sangue subiu pra bochecha. Não sou tímida, repare, só não sei lidar com a paixão.

O que eu sei é que nos daríamos muito bem.  Na cama e fora dela. Discutiríamos García Márquez ao som de John Coltrane. E depois falaríamos de deus

e de como ele tem sido um velho sacana. Conversaríamos sobre trabalho também,

mas só um pouco. Depois nos comeríamos, cada um com seus órgãos, mas nunca gozaríamos juntos.

Sou eu que preciso de mais tempo,  por causa do amor e também

por causa do clitóris.

Tua mão no meu ombro eu nunca esqueci. Prometo. Tu é rústico e isso me excita. Tu é casado e isso me fode.

Gostaria de conhecer tua mulher.

Ela faz o que? É arquiteta? Aposto que trabalha com decoração. Deve ser bonita, que tu merece. Mas não deve ter sal nem pimenta. Ela dorme de calcinha grande, acertei?

Eu durmo só de lavanda.

Ela deve ser loira, nariz perfeito, mas pouca bunda. Eu, amor,

sou puro Blues.

Te deixo louco sem você nunca ter me tocado.

Pensa nisso.

pensa em mim e pensa no meu corpo em cima do teu. As probabilidades de encaixe

são grandes.

Vou te deixar meu número na porta do carro, quer?

A gente combina um café, ué, não tem gente que pede indicação de livro?

Conselho pra vida?

Dinheiro emprestado?

Pois então.

Eu

só tô  te pedindo uma chance.

A homenagem

Imagem

Estava dirigindo quando me veio você.  De Bob Dylan no carro plus o cheiro da feira que fiz pela manhã. Fim de tarde, tipo as seis, meio sol  meio chuva, bem do jeito  que era quando a gente se encontrava.  Fazia um tempo, até, que eu não lembrava de ti. É que terminamos mal, cê ficou puto e me chamou de puta. Eu não queria mais te incomodar. Te tirei da cabeça.

Aí hoje a tarde, eu e um amigo estávamos conversando sobre beijo. Na boca. Ele fez umas confissões engraçadas e eu também, sempre há aquele tempo em que a gente é muito jovem e só faz merda. Depois a gente cresce. (e a merda aumenta.)

Acontece que todo esse assunto, de amor e coisas carnais, ficou em mim e me veio você. É que, porra, nossos beijos eram coisa de outro mundo. Abrir minha boca na boca de alguém nunca foi tão delicioso. O jeito que cê me tocava o peito enquanto passava a língua na minha e aquilo não acabava, durava tanto, o tempo que fosse, era muito gostoso, eu sei que você tá puto, mas a lembrança do teu gosto, baby, me deixa um tanto molhada. Quem te ensinou a amar assim? Meu Deus. Sou tua, vem. Não nos apaixonamos, eu me lembro, nosso beijo era suficiente por si mesmo, um caso a parte que quase pedi em casamento, só pra ter tua boca na minha quando eu bem precisasse. E preciso.

Paro no farol. Tem câmeras por toda a parte. Coloco minha mão dentro da calcinha. Me toco com a sua velocidade e fecho os olhos como se tua barba estivesse aqui, no meu pescoço. Imagino tua voz rouca me dizendo coisas que não aguento e tua mão, decidida, apertando a minha coxa. Minha bunda.

O Farol abriu. Merda, preciso de só mais um instante, só mais um segundo e eu….ahhhhh. ai..aaai.hummn.

Entre buzinas e freios, xingaram minha mãe de puta.

Não, gente, calma. A puta aqui sou eu.

O farol fechou de novo.