Tempo

encontrá-lo hoje mais tarde

não lembra em nada

encontrá-lo hoje mais tarde há dois anos.

Em nosso auge, meu olhos eram os dele, eu mal respirava no dia do encontro

marcado, éramos amantes. Semanais, mas bastante profundos quando o assunto era sexo.

Acabamos, quando ele casou. E depois de anos, 1 café para hoje

à convite dele, feito

pelo facebook.

Dormi normal essa noite. Não fui ao banheiro. Não super escovei os dentes de manhã. Quase mandei uma mensagem dizendo:

deixa quieto. vamos nos esquecer. 

mas não era medo ou vontade de vingança por não me sentir tão amada quanto eu dava amor. O desistir aqui

era pura

falta

de ânimo.

Mais tarde tomaremos um café. Um café frio, imagino.

Um café de grandes grãos.

Não desmarquei.

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Na firma um romance que não dura mais que 3 semanas

nos vemos todos os dias. Em alguns, até usamos a mesma cor de camisa, azul.

Bebedouro cheio, esperamos água na fila, sentimos sedes parecidas,

reparamos juntos na

moça que limpa o vidro,

logo pela manhã aqueles produtos

com cheiro

de limão. O vidro, primeiro, fica úmido, água

marca

também. Depois, a moça passa a flanela feito dança e, milagrosamente,

as manchas

desaparecem. Se fosse assim com o rosto da gente, com o coração da gente. Limpar os vidros da firma parece bem mais interessante do que as nossas obrigações todas na mesa, postas pra

depois do almoço, geralmente na praça

de alimentação do shopping

center.

Tem dias que tomamos café na mesma hora, gostamos de açúcar quase nada,

já estamos perto dos 30 e a boca

vai pedindo menos doce, vai ficando mais sozinha. Nossas mãos nunca se rasparam na hora de pegar a colher, eu

te vejo

mais

do que você me vê.

Em 1992 estudamos no mesmo colégio, descobri isso por uma amiga, ela me disse:

– estudei com Fulano no Oitavo B.

Eu estava no oitavo d, mesmo pátio, não te lembro. Nunca fizemos educação física juntos, nunca trocamos telefone nem nos temos nas nossas extensas listas de amigos no Facebook.

Mas a vida da gente

se encontra em tantos níveis que

Penso

Em você como uma companhia de beber um drink quinta à noite,

pra bater um papo sobre as coincidências que existem no mundo,

as perdas,

certas viagens de carro, as bolachas que gostamos e que estão extintas no mercado, as nossas

bandas de rock favoritas, os nossos cachorros odeiam visita,

o fato

de nunca acharmos as velas todas as vezes que acaba a luz em nossas casas, nos

divertiremos muito

antes de estragarmos tudo

por conta de uma transa

Casual.

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é porque agora ele tem namorada

houve um tempo em que a gente se via todas terças e
quintas
pela manhã.
Fazíamos Inglês não na mesma sala
por isso
o nosso tempo
era tempo de
intervalo que
dividíamos sem mágoas com o pão de
Batata, ás vezes
um café.
Não me lembro quando
começamos a nos entender, deve ter sido eu, geralmente
gosto assim.
7 e meia da manhã antes do trabalho era o melhor horário do Dia, você de camisa, eu de ginástica.
Conversávamos sobre os Beatles já no
Let it Be e as músicas que não morrem nunca.
-Meus netos cantarão os caras. – você dizia gargalhando e eu achava aquilo
lindo. Falei do meu aniversario no dia do John, que
era terrível o fato dele ter morrido e falávamos também sobre literatura, entre um gole
e outro
no expresso. Eu disse:
-Você já leu Clarice?
Na escola foi a sua resposta e escolas estragam tudo. Explicam as coisas que são de sentir, dão
provas
que são Provas de tédio e por isso
você não gostava. Porque não conhecia e não foi culpa sua.

Te comprei um livro dela. Te dei embrulhado, mas
não era presente.

Foi numa
livraria que
Hoje em dia já fechou, o shopping mudou muito.
Você também,
depois de 6 anos. Te vi ontem do ponto, caminhando na rua com sacola de mercado. Você me viu também, inclusive
Já nos vimos outras vezes, moramos perto e
Sabemos disso. Mas sempre
um de nós
Prefere fingir que não. Escolhemos nos Ignorar mutuamente
e eu não entendo esse vazio que o Tempo
Faz
Com certas pessoas
Depois que
Passa
Um tempo. Deve ser pra existir
a palavra
Saudade.

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Uma mulher, segundo si mesma

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Das obrigações estou farta, exausta do que me nega 
do que em mim se repete 
dia
após
dia

Não aguento mais minha cara. Essa cara que não combina comigo, que não escolhi em nada, que não me interessa em nenhum traço, e nem meu corpo, que a vinte e cinco anos me persegue, me esconde. E me fode. 
Me aborreço com uma intensidade suja, em pleno contraste com os sinos
de natal e com as promessas de um ano 
novo.
Preciso de um pouco de espaço.
Estou cansada 
de tudo me que tira 
o gosto do café da esquina, de tudo que me furta da embriaguez 
e da boemia. 

Choro ao volante, poluo o meio ambiente e não faço esporte. Mais um ano que se passa e eu
simplesmente
não fiz nada a respeito daqueles sonhos, no máximo,
planejei uma viagem 
que não fiz, 
faltou dinheiro, 
aquela merda.
Estou ficando velha
com pouca idade, meus amigos me disseram
estou ficando azeda mas ainda tenho espinhas, quando o que eu deveria ter
são as linhas 
de expressão, sou 
atriz. 

Ainda bem que tem você, com sua língua 
milagrosa.
Se não, 
nem sei.
Cada lambida tua é um ano a mais que ganho 
Ontem mesmo, quase fizemos amor no chão de locais imundos
E sabe que, com ontem, eu ganhei uns dez ou doze anos a mais 
de vida.
Obrigada. 
O mais incrível é que cê me deseja. Cê acha minha bunda linda e disse que mesmo pequena 
eu era maior que tu.
Tu me deseja, eu sinto, mas não entendo como teu pau fica duro ao meu lado. Nesse mundo, sempre tem alguém que não concorda 
nem um pouco 
com você. 
Sorte minha, amor. Estou farta de espelhos.