por dentro é sempre outra coisa

Quando você pegou no meu braço e olhou pra minha pele com aquele seu jeito de observar até as veias, até as células, eu
senti vontade de
tirar o braço das suas mãos. Depois colocar de novo. Depois te lamber até sair o gosto do sabonete que você tinha lavado
os dedos, a palma, quando foi ao banheiro quantas vezes, 2? 3?, por conta dos
chopes que tu
tinha tomado. E pensar que pra ir ao banheiro
você abriu o zíper da calça, pegou seu pau nas mãos e depois
lavou as
mãos, eu
não lavaria. Quando você me deu o
– Tchau.
seco, depois do melhor abraço e batidas de coração que poderíamos nos dar, eu
engoli a rua, subi a calçada de cabeça baixa tão contente por não conseguir enxergar nada além de você, quis muito voltar
para te dar
um beijo. Pensei
1, 2,
3,
4 vezes, quase voltei, era só
virar o corpo na sua direção e
não era só virar o corpo na sua direção.
As escolhas são sempre profundas, mudaria tudo se eu tivesse voltado e eu
escolhi não voltar, somos um resultado
matemático de seleções boas ou
péssimas, não há
testemunha possível além de nós mesmos e jamais saberemos, nem tente. Se tentar,
estará prestes a conhecer a palavra Cansaço.
Eu escolhi esperar
com paciência
o nosso beijo que nunca
Aconteceu, apesar de termos passado tão perto. Somos bons
em (a)guardar. Porque amamos demais o gozo,
queremos prolongá-lo do tamanho de uma passarela, fazer da vida
apenas um motivo
de seguir vivendo pra te encontrar de novo.
Assim não se morre. Quando se quer muito alguma coisa,
com todo o coração, então não morreremos
até consegui-la, está na carne.
A gente
se almoçou,
sentei na sua frente como planejamos e sentei também um futuro
brilhante
ao seu lado.
Tudo dentro
Da cabeça
Da gente, os filmes mais lindos,
mais sujos, mais
pornográficos do mundo
feitos por mim
e por você,
sem nunca terem sido feitos.

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Não dá pra entrar muito fundo em outra pessoa que não seja você

te vi cansado numa foto, alisei
você com os dedos já que, por hoje, não podemos ficar juntos.
Sinto saudades de alguém que dei 7 beijos e nunca transei. Mas sei o gosto que tem o seu dedo e sei que você vai muito ao banheiro. Volta
de cabelo molhado, eu não digo nada.
Mas sei.
Esse corte novo cê detesta, prefere mais curto. Eu prefiro assim e desde então não nos vemos há
dias. Talvez não nos veremos mais.
Ao menos
temos os nossos cachorros, nossos celulares, temos a
vida pela frente, ainda temos um pouco de água, o chuveiro aberto,
o bar da esquina. Podemos nos locomover pelas ruas sem morrer nenhuma vez já que, Estranho, nós continuamos vivos. Por quanto tempo não dá pra saber que
deus é um sujeito que Joga, mas por enquanto estamos
aqui.
Podemos
Pegar um taxi, sentir tristeza, matar a fome com um lanche, pelo menos a nossa, sempre as nossas na frente de tudo. Ainda podemos dormir até as oito e dizer no trabalho uma
Mentira à toa, perto das tantas que contamos
só no dentista. Ainda podemos nos mandar mensagens de texto, evitar o amor, se estiver no
começo,
Evitar a gravidez.
Duro mesmo será quando não pudermos mais esses tão poucos.
Você me perguntou, inclusive, queria saber se eu era livre. Eu disse:

-Ninguém é.

Você sorriu:
-Eu sou.

E pensa que sim porque escolheu não ter carro.
Eu entendo você como o homem mais livre que conheço e não duvido
do dia em que tu me disser:

– Comecei a escrever aquele livro.

Ele Terá cheiro do que já foi, terá um pouco de mim
e todas as outras mulheres que você já conheceu,
em
Maior ou
menor grau de
Convivência, não importa. Ainda que moremos juntos, ainda que eu leia todos os livros você me disser que:
-É bom.
Mesmo que eu ame a sua mãe, que eu te veja com medo, que cê me pague um taxi pra casa e não aceite os seus 120 reais de volta. Ainda assim, sempre seremos
dois estranhos.

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Trilogia

de todos os homens dessa última semana você foi o único que me convenceu. A vida está verdadeiramente muito frágil, qualquer dor que tenho no peito acho que é infarto, as

pessoas

estão vazias, tentando conquistar as outras da mesma maneira que tentaram conquistar a conquista passada, a velha maçada do amor com um plus de poder ficar sem sexo por no máximo 3 dias e só. Somos cães, ultimamente,

somos búfalos, fortes e

sem foco, eu

já vi homens mais bonitos que tu,

mais bem acabados, inclusive,

me

querendo

querendo me dar carona

me levar pra casa

assim como você tentou. Digo não pra todos, deslizo como desliza a mão nos azulejos, quero

tudo até o ter, quando consigo

desisto. Não sou nenhuma gata de beleza inesquecível, mas

confesso que estou numa fase boa, homens interessantes andam me dando bola e eu fui escolher justo você pra beijar na boca, foi

um beijo

Ótimo

um pouco rápido no começo mas

depois te mostrei meu ritmo e a gente flutuou, você disse que ia bater punheta pensando em mim essa noite. Eu disse,

– Para.

E também bati a minha pensando em tu, teus dentes preenchem a boca, meus dentes são feios,  esquisitos, mas você me disse

que eram bonitos

e que também

você dava sorte

com

Mulheres, do ponto de vista estético. É culpa do seu charme. É uma tranquilidade sua seduzir moças. Amei todos aqueles livros que você me deu, a cidade

é tão grande, dará tempo de ler cada um?, ainda há espaço pra poesia?, mesmo quando temos que pegar condução mas

ao invés

pegamos gripe?

E pegamos pessoas também, nesse compromisso social falido que chamamos de amor, hoje em dia tem até aplicativo pra descolar uma foda, e que tipo de foda seria essa quando sei a quantos metros exatos está a tal pessoa que penso que desejo comer? Ficou pior que pagar almoço por quilo, procuro a dignidade e não encontro, escrevo-te de

olhos fechados no computador, não preciso ver as letras, minha mente está em Ontem, compreendo o teclado de cor e vou jajá ao mercado

te comprar um vinho

e te ligar às 11, perguntar teu endereço, pra gente passar a noite junto como se fôssemos casados, dois estranhos num grau máximo de intimidade é a nova ordem, um amor

a qualquer custo,

quero teus dedos na minha boceta, enfiados, se movendo lento na minha dança molhada enquanto a gente se beija, você aos 38, eu aos 26,

faltando poucos dias pra copa

pra`s férias

escolares

pra aquele show que tu tanto esperava,

faltando 2 dias pro domingo, mais 1 domingo dos não-sei-quantos

ainda terei,

qualquer coisa pode esperar, não

acredito em

urgências,

exceto

quando digo

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Paixão

Sei que
do nosso amor
não vou me esquecer
nunca.
Sempre haverá no travesseiro
na nuca
no creme de passar na pele
algo de ti
um pouco de mim
um cheiro de nós.
Fizemos no carro
Assistimos Zé Celso
Fomos na padaria de sábado a tarde
Eu fiquei te esperando
Você perdeu a hora
E depois tomamos chuva.
No meu aniversario, você me deu bombons e perguntou o porquê
daquela cicatriz na minha coxa.
Fomos ao teatro ver comédia de mãos dadas.
Agora
você é o ator.
Seus sucos, que você sempre tomava
E o documentário de carnaval que assistimos
Jantamos na rua de luzes.
Entramos na loja de máscaras.
Nos beijamos em cada farol vermelho.
cê arrancou minha calcinha com os dentes.
E me lambeu por vezes que não pude aguentar.
Não pude.
Fomos ao municipal ver a ópera, eu tava de chinelo e a sopa do intervalo te fez muito mal.
Eu guardei aquela garrafinha azul, sabe?, queria lembrar de você
pra sempre.
Como se precisasse.
Jogamos xadrez
Você fumou
E me mostrou suas mágoas
Seu quarto
Sua cama
Me deu um livro
Me deu dois livros
Um cd gravado do Chico
E uma bata
E uma carta que eu achei que era pra mim
Mas era uma conta
Cê ficou sem graça, me deu um beijo
E o teu cachorro morreu.
Tenho saudade dos seus lençóis e das músicas que você me colocava.
Toda vez que escuto Joni Mitchell
ou Bob Dylan
em alguns bairros,
quase em todas as flores e
Em muitos homens
morenos
Eu vejo você
Eu sinto você
Faz tempo que a gente não transa, mas não nos meus sonhos.
Podemos ficar a vida sem se ver, com você casado, apaixonado,
não importa.
Toda vez que penso em ti, eu juro, é a mesma sensação do primeiro dia
que você chamou meu nome.
cê me tocou no rosto em maio.
Me beijou a boca em junho.
No frio
Sentados
Na escada, com suas meias pretas e seu tênis claro, seus pelos e sua vergonha.
Você é um homem tímido pro seu quase um metro e noventa. Não sabe olhar nos olhos, mas sabe beijar um corpo.

Não se engane se algum dia tu achar que acabou.
O que eu sinto por você me acompanha e segue firme
desde o momento em que te (re)conheci.

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A homenagem

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Estava dirigindo quando me veio você.  De Bob Dylan no carro plus o cheiro da feira que fiz pela manhã. Fim de tarde, tipo as seis, meio sol  meio chuva, bem do jeito  que era quando a gente se encontrava.  Fazia um tempo, até, que eu não lembrava de ti. É que terminamos mal, cê ficou puto e me chamou de puta. Eu não queria mais te incomodar. Te tirei da cabeça.

Aí hoje a tarde, eu e um amigo estávamos conversando sobre beijo. Na boca. Ele fez umas confissões engraçadas e eu também, sempre há aquele tempo em que a gente é muito jovem e só faz merda. Depois a gente cresce. (e a merda aumenta.)

Acontece que todo esse assunto, de amor e coisas carnais, ficou em mim e me veio você. É que, porra, nossos beijos eram coisa de outro mundo. Abrir minha boca na boca de alguém nunca foi tão delicioso. O jeito que cê me tocava o peito enquanto passava a língua na minha e aquilo não acabava, durava tanto, o tempo que fosse, era muito gostoso, eu sei que você tá puto, mas a lembrança do teu gosto, baby, me deixa um tanto molhada. Quem te ensinou a amar assim? Meu Deus. Sou tua, vem. Não nos apaixonamos, eu me lembro, nosso beijo era suficiente por si mesmo, um caso a parte que quase pedi em casamento, só pra ter tua boca na minha quando eu bem precisasse. E preciso.

Paro no farol. Tem câmeras por toda a parte. Coloco minha mão dentro da calcinha. Me toco com a sua velocidade e fecho os olhos como se tua barba estivesse aqui, no meu pescoço. Imagino tua voz rouca me dizendo coisas que não aguento e tua mão, decidida, apertando a minha coxa. Minha bunda.

O Farol abriu. Merda, preciso de só mais um instante, só mais um segundo e eu….ahhhhh. ai..aaai.hummn.

Entre buzinas e freios, xingaram minha mãe de puta.

Não, gente, calma. A puta aqui sou eu.

O farol fechou de novo.