fardo

a casa escura, os pais dormiam, ela gostava deles assim

dormindo, lhe davam paz e ao mesmo tempo não estavam mortos.

acordada sua mãe falava alto, seu pai

fazia perguntas, você foi na lotérica? pagou a conta de luz?

e a cabeça dela querendo

apenas ser

casulo, o pescoço querendo o silêncio de uma floresta

já que o silêncio completo não existe, nunca atingimos o nível máximo de nada, nem do amor, nem da permanência, mas o som de uma floresta parece calmo o bastante, o som do vento encostando

nas folhas, nos pelos. ela deslizou

pelo escuro da sala

de all star e ainda morando

com a dona Neusa e com o seu

Adelino sempre tão conhecidos na feira de sábado não acredito

que sou filha dos meus pais.

daqui a pouco

eles estariam tão velhos que

ela não poderia mais

ir embora, teria que ficar

de enfermeira, sempre alguma coisa, algum trabalho que ela precisava fazer. também não tinha namorado

ou roupa preferida, encostou a porta do quarto, tinha livros, no entanto se houvesse um incêndio ela não choraria por nenhum.

 

não ter nada

 

era pra deixar seu corpo mais leve na cama, pois acontecia justamente o contrário, ela colocou a mão no rosto

com angústia, com vontade de

trocar de vida, deve ter alguma porta, deve ter

tanto mundo que nós humanos não enxergamos e que uma pomba por exemplo

enxerga, de repente ela percebe

o rosto da mãe na penumbra, toma um Susto

a dona Neusa pede desculpas, queria saber se você tinha chegado bem ao mesmo tempo que se ofende olha aqui, Marina, eu não sou nenhum fantasma.

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Ribeirão

as pessoas estavam reunidas dentro de casa, nasceu

o menino jesus

e tantos outros meninos que ninguém jamais saberá o nome

 

-vou brincar lá fora.

 

-está bem. – minha mãe disse distraída, ela voltava a ser filha na presença da minha vó e

me esquecia

 

ao mesmo tempo que isso machucava

 

me dava também uma certa liberdade

que eu gostava, apesar do medo

e de não saber muito bem o que fazer com o tempo sem a minha mãe comandando o navio das horas que me pertenciam, por direito, afinal

eu estava viva com o meu corpo no mundo, cada um tem o seu

pra cuidar.

 

cuidei do meu naquela tarde,

 

peguei a bicicleta que trouxemos de São Paulo.

a rua da minha vó era plana

e antes de começar a pedalar eu ia pra ponta

da rua

ficava olhando pra frente, fileiras de casas até onde a vista alcança.

dia 25 nasceu

tanta gente

por que então? só falar de um.

 

me sentei na bicicleta.

pedalei, era fácil

 

-só na rua da vó. – minha mãe dizia

 

a voz dela ecoando

dentro do meu peito que respirava sobe e desce querendo países inteiros

e todos os pássaros

e todos os parques

do beto carreiro, mas

quando chegava no fim da rua

solene eu

dava meia volta, começava tudo outra vez.

 

pedalei mais rápido

 

para pelo menos Ter alguma coisa, o vento no rosto, as casas passando

 

e no fim da rua eu virei tão brusco que acabei me derrubando no jardim da dona glória. caí na terra, o fofo da terra, demorei um tempo para me levantar. não era vergonha, não estava doendo

demorei porque de repente eu me dei conta

ali e com pouca idade que

aquela terra

num belo dia

será inevitavelmente o meu último lugar nesse mundo.

Outra

vomitou a janta, caldo amarelo descarga

abaixo, depois olhou

a própria barriga e

chorou um pouco, ainda estava gorda, amanhã não comeria nada nem café.

foi pro quarto,

pegou uma tesoura. cortou a gola da camiseta do colégio, experimentou, a clavícula saltada. procurou então um colar na penteadeira, aquele com a mão de buda.

o inspetor do colégio achava ela bonita, sempre dizia que menina bonita, mas os seus amigos e os outros alunos, não.

ela pegou a calça do uniforme, a mãe bateu na porta, filha?

 

-estou terminando a Lição.

-quando acabar tome seu banho, não quero você dormindo tarde outra vez.

 

ainda bem

 

que a mãe não abriu a porta

 

mas a menina foi rápida, colocou toda a roupa que estava cortando embaixo da cama.

 

pegou de novo

 

quando sentiu que a mãe tinha se afastado

e fez na calça do colégio uma pequena fenda que se abriria mostrando a meia enquanto ela caminhasse.

provou a calça, se olhou no espelho. não era o ideal porque ela estava gorda

e também porque essas calças de colégio não são feitas para deixar ninguém bonito, claro que a Tuti e a Mafê ficavam bem bonitas

vestindo isso ou vestindo o que fosse, tirou a camiseta, botou um sutiã.

com bojo e além do bojo

experimentou colocar em cada peito duas ombreiras que ela tinha arrancado dos casacos que herdou da mãe. então sim, vestiu de novo a camiseta, mal podia olhar a própria barriga no espelho, mas até que de roupa ficava melhor e as mamas altíssimas

e o colarzinho

de buda

amanhã as pessoas vão pensar a Amanda está no mínimo diferente.

agora

ela só precisava dar um jeito naquelas malditas olheiras.

passou base corretivo base corretivo tantas camadas que a pele mudou de cor. ela se maquiava com força pensando nas pessoas bonitas que conhecia, a Luana, por exemplo, aquela tinha o rosto de um anjo. algumas pessoas até já disseram que ela parecia irmã da Luana, a irmã feia só se for, mas sabe que assim maquiada

de bojo e tentando

ser magra, talvez ela consiga apresentar com alguma dignidade o seu seminário sobre o tiradentes

amanhã no palquinho da sala de aula, o palanque, e as pessoas impressionadas com a pessoa que a Amanda virou.

Berço

meu filho levanta os próprios pés, coloca na boca, a baba vai virando chuva nos carros estampados no lençol. comprei essa roupa de cama antes do Chico

nascer

numa loja em Osasco cheia de mães

quando chega a noite

a luz da loja se apaga

amanhã começa tudo outra vez, se não tivesse pausa

 

enlouqueceríamos.

 

Chico, eu digo. Chico, repito, não estou te chamando, estou te contando seu nome,

é assim que as pessoas que quiserem a sua atenção ou

quiserem falar da sua Presença vão se referir a você que acabou de soltar um nhé

em breve será uma palavra, em breve

frases inteiras, histórias em outras línguas até que. um dia você vai usar

as palavras que eu te ensinei

junto com as palavras que você aprendeu

sozinho/ na escola

para brigar comigo, me magoar, e eu vou te magoar também, inevitavelmente, vou magoar seu pai e tudo o que existe

ainda assim iremos à praia

pela primeira, pela décima vez.

 

te percebo com sono.

 

afago a sua barriga, tem algo de cachorro nos seus gestos, na sua inocência que sei (e é uma pena)

sei o quanto vai passar. por mais que eu te proteja – polvo que sou –

vai chegar o dia

em que você olhará para a vida sem nenhuma esperança e

conversando com os seus amigos dentro do apartamento de algum deles, todos bêbados, você dirá minha mãe

era boa. um pouco exagerada, neta de italianos, também não tinha senso de direção. mas era boa, a velha, me deu um afeto tão puro

e eu debaixo da terra

sorrirei sem boca nem dente pensando que ganhei uma espécie de sobrevida.

estado noturno

viro de bruços, como se boiasse, e percebo que o meu estômago ainda dói. tenho comido muito rápido, como se a comida fosse um ódio, imagino que nado em uma piscina que cresce, quando vejo estou em alto mar. desisto do bruços, me sento na cama. Bruges, na Bélgica. eu estive lá, uma vez.

procuro meu chinelo com os pés, calço

caminho até a geladeira de funcionamento incansável.

abro a porta

em busca do pote de melão, por engano pego o de alho e desisto

de tudo, vou pra sala, me sento no sofá.

que desespero no peito

por não estar fazendo o que outros estão fazendo, dormindo. parece tão simples, as crianças fazem à beça, fechar os olhos, desligar a mente do mundo.

outro dia sonhei que

tocava um feto de nascimento prematuro e isso escureceu a minha mão, fui ficando cinza, Não encoste em nada, os médios gritaram, mas eu já tinha encostado nas paredes, nas cortinas, senti que ia morrer.

quando acordei anotei o sonho. foi a última vez que dormi.

pego a revista que está na mesa de centro. folheio no escuro

aquelas marcas de roupa querendo o dinheiro de todos nós e então me aborreço, sou manada, era pra eu estar dormindo igual a todas as outras criaturas.

fecho a revista, visto um robe.

desço o elevador de costas para o espelho.

 

-olá. – digo para o marcos porteiro da noite.

-dona Mirtes. – ele responde balançando a cabeça e aquilo é tão pouco, me sinto desamparada, sento no banco ao lado da portaria.

as velhas senhoras do meu prédio sentam ali na parte da tarde

conversando com o porteiro da tarde

 

sem sono? – o marcos de repente me pergunta, sorrio como se não me importasse

 

 

a brisa noturna invade meu robe num pequeno arrepio.

 

 

-e você, dorme que horas?

-não sou muito de dormir, dona Mirtes.

 

entrou um morador.

 

-boa noite.- ele disse pra nós dois

ficou no ar um cheiro de cigarro depois que ele passou.

 

penso que é melhor dormir menos. – o marcos prosseguiu. – assim quando eu morrer, terei vivido quase a idade completa do meu ano de morte, não apenas os dias.

-bom, isso é verdade. mas eu não sei se.

-o que?

 

 

de novo a brisa

 

crescendo grande boca.

 

 

está ficando frio. – eu disse, me levantando.

boa noite, dona Mirtes.

-boa noite. –palavras frouxas

 

e o elevador me levando para o Abismo que é não saber o que fazer com o tempo, minha mente está suspensa, eu só queria tocar no feto e escurecer.

a hora mais escura

a escola ainda estava vazia se não fosse pelo zelador que abria a porta e o cumprimentava sempre pelo nome

 

o professor retribuía

o cumprimento

 

olhando de relance para aquele rosto que por sua vez ele não lembrava

do nome, era Lalo? ou talvez fosse Tito. vou perguntar de novo pra diretora

e dessa vez anotar.

 

com os alunos acontecia a mesma coisa, o Antônio só lembrava do nome de alguns não porque tiravam boas notas, mas porque dali de cima do tablado

os nomes que ele lembrava eram de seres que despertavam a sua curiosidade

seja pela curva da coluna

seja pela timidez excessiva

 

especialmente o silêncio que fazia um determinado aluno chamado Manuel.

 

o menino ficava desenhando grandes navios no caderno enquanto Antônio explicava na lousa uma ou outra regra gramatical sem que isso se tornasse uma afronta, pelo contrário, para o professor aquilo era sinônimo de resistência. a escola impõe uma escuta cega e pouca escuta do lado de dentro,

 

espontaneamente o Manuel olhava para dentro

 

desenhando grandes barcos que o professor jamais vira em lugar nenhum. quando o menino ia mal nas provas, Antônio ficava com ele depois da aula explicando e explicando a matéria incansavelmente, o próprio Manuel não entendia bem aquela proteção, não era proteção, era quase um espelho.

 

– obrigado, meu querido. – Antônio disse ao zelador.

 

adentrou a escola,

 

o barulho do sapato no piso fazia nascer o prelúdio de um samba que morria quando o Antônio entrava na sala dos professores.

 

ele pendurava a bolsa no cabideiro, pegava um café na máquina.

 

sentava em uma das poltronas, a mais próxima da janela, tão cedo que lá fora parecia noite, seus alunos ainda estavam dormindo, os que moravam mais perto da escola com certeza estavam dormindo

 

e assistia

a transição do céu

assim, totalmente só e sempre perdendo o momento exato em que o marinho vai ganhando tons de rosa era seu jeito de desenhar navios.

 

saudade,

um barco nos levaria pra longe, a morte também, um beijo seu

com certeza me faria soltar o balão invisível que carrego comigo especialmente para os dias sombrios, meu balão passaria

pelas janelas dos apartamentos

subiria até seu máximo décimo oitavo andar, depois

 

explodiria,

arde

pro balão explodir assim, mas

 

para as janelas dos apartamentos ele teria sumido, apenas, sem nenhuma dor ou som, também a música

nos levaria pra Longe e tem nos levado

para lugares que, por deus nem o sexo, a música e o sexo,

 

dançar com você aqui

 

na sala da nossa futura casa, o piso fresco, o bebê que ainda não temos, você me levanta, cheira meu ventre enquanto toco

o teto da nossa futura casa onde chorarei em filmes que pelo trailer

não pareciam tão tristes, vou pra longe

também quando balanço no parquinho que me viu crescer, o vento sempre tentando levar consigo os

cabelos, as

saias, numa pequena coreografia do adeus.

 

o artista

ele chegou cedo no ateliê, tinha brigado com a mulher mas não por isso

 

– o desenho que ele deixou em suspenso ontem à noite –

 

era como se os traços implorassem me termine para que eu possa viver.

 

antônio trabalhava rápido,

geralmente construía suas obras em um dia único, até mesmo os desenhos que viraram quadros e depois lhe renderam prêmios, dinheiro que ele gastou mal e mal comprando uma mesa

de jacarandá

e um bolo

de confeitaria

que ele comeu sozinho no ateliê, os pés no piso frio.

era um lobo solitário, sua esposa reclamava

com razão, era um homem inatingível, se escondia na própria arte antônio, em que mundo você vive? também não fora pai,

ele foi alguém na cozinha enquanto a esposa preparava o café das filhas,

e as levava pra escola,

tudo passava por ele tão depressa

os acontecimentos, natal, ano novo, páscoa, aniversário

um trem que ele jamais alcançaria ainda que corresse em fôlego máximo, por isso

preferia o ateliê afastado de tudo

chegou ali

naquela manhã tão cedo

tirou o casaco, deixou na cadeira e era como se ele já estivesse sentado ali.

lentamente pegou o desenho que ficou pra hoje, um início de vaso que tendia a ser antigo, ele estava inclinado a desenhar algo antigo

apesar da pouca experiência com louças.

 

Antônio se sentou em sua grande mesa de jacarandá

 

2 Antônios agora, o da blusa e o de carne e osso

 

brigou com a esposa, horas antes, mas

não por isso

 

pegou o lápis, deixou que a mão o guiasse

pelo desenho

igual ele fazia criança quando sua mãe o levava até o rio

pra brincar, o que tem no vaso? o que poderia ter

no vaso

 

Antônio pensou um pouco,

 

e se fosse de vidro? por dentro um cemitério

de borboletas, ele nunca tinha visto um corpo de borboleta, pra onde elas vão depois da morte? pro vaso, esse imã,

depois que terminou o formato ele pintou com diversas cores

a pilha de corpos depois da guerra que era existir na cidade grande sendo pequena e voadora, ele foi experimentando

texturas possíveis para asas inúteis, o suor lhe cobria a testa, lá fora um tipo vento que costumava trazer chuva quando uma leve ereção lhe ocorreu.

date

você colocou sua mão na minha, eu quis tirar

minha mão uma flor

esquecida, entre escombros, você alisou a pele

não estou pronta, tentei te dizer

mas saiu outra frase, saiu algo como

já estive aqui, uma vez.

sinto vergonha

do jeito que meus dedos se arredondam em formas humanas, meus ossos, e você me olhando para além do que sou sem nunca me ver, eu também não te vejo, mal vejo a mesa em que estamos, os pés se esbarram, será que estou com o sapato certo? será que,

 

chegou a lagosta

 

não sei

comer lagosta.

-eu te ensino,

 

suas mãos.

 

penso o tempo todo

nas impressões que te causo, queria viver, simplesmente, assistir nunca mais. você me pergunta

sobre o meu trabalho, respondo que

bom, faço o que posso.

mas você gosta?

claro e

mudo de assunto, comento do vinho, você lida em silêncio com o fato de eu não estar sendo cem por cento sincera

e quem está? sendo cem por cento sincero,

você segue

em silêncio

parece quase triste

eu não devia ter aceitado esse encontro, onde eu estava com a cabeça? me conheço o suficiente para saber que não mudei uma vírgula e então te escuto dizendo você é muito dura consigo mesma, por que?

ah, meu amor.

você devia passar uma tarde

lá em casa

com a senhora minha mãe

mas achei melhor dar outro tipo de resposta menos íntima

até porque

não vamos passar dessa janta, então eu disse

 

-como? não entendi.

-nada, esquece.

 

e eu já sentindo saudades do que nunca tive com você,

em algum universo paralelo e se eu evoluísse muito, acredito que nosso encontro poderia se estender pelos anos, só não estou conseguindo passar dessa noite, quem dera eu passasse

você pediu a conta.

sua mão está longe agora, a minha

está na perna

ainda dá tempo de

fazê-la voar

até você, vamos, que em breve será tarde, a mão a coisa mais pesada, não sai do lugar, não sai.

 

semente

-queria viajar pelas Américas, abrir os braços no topo de uma montanha.

-paulo, você anda lendo muito os beats.

-eu tô falando sério.

-eu também. tira a cara dos livros, coloca no mundo. olha o preço que tá a passagem.

-você me acha ingênuo.

-muito pelo contrário e exatamente por isso. a vida do lado de fora precisa de você.

-elisa, há quanto tempo somos amigos?

-desde a faculdade.

-isso. e desde lá, escuta bem, desde lá nós dois não estamos indo a lugar nenhum.

-como não?, olha essa festa.

-não estou falando da festa.

-da próxima vez não te chamo.

-para de bobagem, você me entendeu. vamos viajar juntos, eu, você e mais nada.

-ai, paulo.

-vamos? a vida é uma só.

-tá, e começaríamos por onde?

-tem muita coisa em Cuba que eu gostaria de ver. você sabia que o Hemingway morou lá pra escrever um romance?

-todo mundo sabe disso.

-eu podia fazer o mesmo.

-ótimo. e depois?

-depois vamos vendo. você disse das passagens, mas a gente não precisa de dinheiro. podemos trabalhar nas cidades e ir viajando, vamos conhecer o mundo devagar.

-e a nossa vida aqui?

-estou falando de jogar tudo pro alto, elisa, você não entendeu? não aguento mais trabalhar naquela maldita escola, minha família me odeia, a rita então nem se fale.

percebe? eu não tenho nada a perder.

-você está louco.

-pois o louco aqui

vai te mandar um tremendo cartão postal.

ela deu um tapa no ombro dele, prendeu o lábio com os dentes.

 

-adoro essa música.

-vamos dançar?

 

eles se levantaram e

 

rapidamente sumiram

na pista

 

de vez em quando um braço

de vez em quando os cabelos

de elisa, entre tantos,

 

demoraram pra sair de lá quase três da manhã e então

saíram, cambaleantes, pagaram as bebidas no caixa

 

e ganharam a rua, não é melhor pegar um taxi? não, vamos andando. está uma noite tão bonita.

 

caminharam,

 

até a casa dela

conversando sobre as músicas que a dj tinha tocado

e no quanto ela acertou em colocar Lionel Richie logo depois de Michael Jackson, uma combinação de fato explosiva, na porta de casa ela disse ficou tarde, é melhor você dormir aqui.

 

-dou aula amanhã às duas

-a gente coloca despertador.

 

ele subiu os degraus, ela na frente, procurou a chave na bolsa

o bob não latiu.

 

abriu a porta,

 

o paulo se jogou no sofá como se fosse

uma piscina.

 

-cuidado as costas.

-não sinto nada, estou morto. – e o bob cheirando

-ei. deixa ele em paz.

a elisa foi pro quarto, pegou travesseiro e cobertor.

 

quando voltou

o paulo já estava dormindo

 

-parece criança. –comentou pra si mesma

 

também ela

estava muito cansada

fechou a cortina pra não entrar luz, mas

sempre entrava.

 

antes de se deitar ela tomou um banho

 

(o bob no tapete do banheiro)

 

e enquanto tomava

 

imaginou que

a água na verdade era Chuva

de algum país exótico que ela nunca foi.