uma questão de sobrevivência

quando você me ligou

 

senti na sua voz uma Tristeza

 

discreta, mas

assim que notada

absolutamente infinita

e precisando muito

se derramar em alguém a tristeza líquida

 

enquanto você me perguntava (as coisas que moram

no pó das

palavras) se eu precisaria do carro naquela semana.

 

respondi que

não

 

segurando firme

a tampa da sua

dor

tentando deixar claro que hoje eu

não consigo

preciso de mim

pra lançar meu livro

por isso fingi não perceber

que você e a mãe tinham brigado

de novo

e que você não tinha dormido

de novo

e que por dento você estava quebrado

com alguém varrendo os cacos pra pele

empurrando os cacos com vassoura

pra pele cortando tudo

não me conte pai, te implorei muda, não me conte que quando você me conta eu morro no peito, eu viro você e hoje eu não posso, hoje

não dá

pra brincar de engolir.

 

fez-se uma pausa

 

e então

você me mandou um

beijo, desligamos.

 

 

te imaginei engordando

 

pra fazer caber nos ombros mais essa

lágrima

 

quando passou por mim um cachorro

 

que olhos profundos,

 

me trazendo de volta praquele momento que era meu.

 

 

 

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