esquecimento

lendo um livro sobre escrever romances Anoto o que penso das coisas que leio em cima das frases e ao lado
com um prazer sem tamanho de reconhecer aqueles escritos como algo que eu acredito também mas nunca tinha colocado em palavras
até que o Orhan Pamuk simplesmente colocou, decidiu vou escrever um ensaio e
colocou,
leio com fome, grifo, anoto e do alto do meu êxtase noturno
sentada na larga mesa da cozinha
de repente eu me lembro
que um dia morrerei.
meus livros, por enquanto espalhados pela casa, hora ou outra cairão na mão de alguém que não sou eu.
a pessoa que ficar com eles
ou pelo menos a pessoa que ficar com este em que anoto fervorosamente meus pensamentos
em cima dos pensamentos do autor como se fosse um caderno
feito a 2 sem o consentimento de 1
será que essa pessoa vai me entender?
ou vai me apagar?, já que escrevo a lápis.
ou vai pensar que violei o livro de Pamuk
o gênio
e eu serei apenas aquela
que estudou sem chegar
em lugar nenhum,
zero bolsas em Harvard no currículo,
nenhum mestrado em Portugal ou filho, nenhuma prisão por algo heroico ou
terrível, nenhum susto na humanidade, nenhum despertar provocado por mim,
apenas fiz
curiosas anotações no livro de Pamuk
que será vendido com mais facilidade no Sebo, será? que teremos sebos no futuro,
ou a Pedroso se transformará numa rua de carros flutuantes
movidos à luz solar num planeta cada vez mais quente com os humanos derretendo feito bonecas de plástico?
toda vez que penso no futuro
lembro que se viva já sou 1 cisco imagine então
depois de Morta.

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