depois que li marguerite duras

fecho a porta do quarto no meu pequeno apartamento.

a vida

com suas implicações diárias por exemplo fazer comida ou lavar a roupa, eu fecho a porta pra isso também e para as conversas entre minha mãe e eu.

depois falamos

mãe, eu quero dizer quando fecho a porta e ela

Entende, as mães são assim, as dores morrem caladas no peito delas que entendem tudo o que vem de um filho,

chorando elas entendem

que o ser humano saído do útero

não tem nada a ver com a palavra Meu.

de porta fechada no espaço mínimo

sento na cadeira. Hemingway escrevia de pé eu vi num filme que tenho

aqui no quarto,

só não acho

onde? o computador na mesa

 

 

Aguarda

 

 

com a folha virtual em branco.

nunca senti medo da folha em branco, acho bonito quando dizem: eu Sinto.

meu teclado

é como um piano

é como se eu tocasse uma música que já ouvi antes

naquela festa

que dançamos juntos,

meu corpo conectado com o que Conto

e o que conto absolutamente conectado com a música, no fundo

querendo ser A Música e com sorte

atingir uns corações Bem no Meio enquanto todo o resto

some.

dobro a testa enquanto escrevo,

faço um vinco na pele que em breve se tornará uma ruga definitiva. não me preocupo, nada

me preocupa, apesar dos dermatologistas dizerem tanto

que essa ruga entre o nariz e a testa

é típica de quem se preocupa.

 

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