a atriz da festa de ontem é gay

o computador ligado

num quarto de hotel

com alguns contos que ele estava escrevendo e que ficariam prontos em 3 anos,

alguns críticos dirão até que o livro:

-é uma revolução, mas

 

por enquanto

os contos eram palavras

Soltas

ainda que boas

palavras soltas

ao lado dos dois que se beijavam na cama, era amor

?,

claro que

não

com ela pensando que sim

sentindo vontade de esfregar o rosto do escritor em seu ventre

toma,

chupa isso tudo que tenho no centro de mim, vai

lambe,

me come,

ele comia

um homem que

caramba,

era ocupado não tinha tempo,

mas escrevia coisas vivas

e tinha um olho

grande que não fechava nem dormindo no estilo semicerrado,

o quarto nunca escurecia totalmente por conta disso.

ele

tinha um tamanho de corpo ajustável

e um jeito de sentar no banco da praça que não era comum.

entre 50 homens na praça sentados

encapuzados com roupas iguais

ela o reconheceria com facilidade e até

pelo tato.

fazendo sexo com o escritor em quartos de hotéis ela nunca pensava em nada

apenas papilas

dilatadas

e pressa.

era inacreditável

sentir aquelas mãos que direto ela via pela tv dissertando sobre poesia e política

agora espertas

e sem pausa

mergulhadas em seu peito

especialmente em sua bunda

de quatro rebolando e ele dizendo isso

isso, pelo amor de deus,

isso.

 

-você gosta? -ela perguntava se esfregando sem reconhecer tão pouco a sua própria voz.

 

ali,

nascia uma mulher que podia se chamar Paloma,

Cássia,

Débora, mas nunca seu nome regina. aquela mulher era nascida do tesão

pelo escritor

num quarto de hotel, sempre em quartos de hotéis que escritor famoso não tem casa, é como um rock star.

ela pensou que tinha encontrado alguém

que lhe faria companhia em algumas tardes que ele não tivesse muito ocupado escrevendo, também ela começou a escrever uns poeminhas

péssimos mas bonitinhos

já que eram fruto daquele encontro.

por um tempo

também ele achou que tinha encontrado alguém,

vou sossegar, ele pensava

sozinho

olhando ela indo pela janela

do hotel

sem virar pra trás e aquela Bunda.

gostava quando ela lia seus contos, ele se sentia mais nu do que quando estava pelado comendo ela com o pinto solto no saco e o cu aberto

e assim foi

por um bom tempo

até o dia

do computador ligado

cheio de contos do futuro livro do escritor que já era famoso e ficaria ainda mais. naquele dia

nenhum dos dois amantes abaixou as calças.

eles ficaram só nos beijos

e ela não estava menstruada. era algo no Ar

que estava esquisito

com cheiro de que raios eu estou fazendo aqui.

esse ar

denso

pegou os dois de surpresa e pouco a pouco os impedia de avançar nos beijos pra virar um sexo.

percebendo tudo isso em silêncio cada um no seu ritmo

eles seguiram se beijando

na força do hábito de se quererem tanto

pelo menos até ontem era assim.

os beijos

foram ficando

preguiçosos com o pensamento longe

até que finalmente as bocas se desgrudaram, meladas,

com o hálito do outro incomodando

o gosto muito forte da saliva.

ele

tinha um compromisso de escritor

com o carro esperando lá embaixo mas isso não era motivo, quantas tardes maravilhosas de correria e sexo eles já passaram juntos,

tudo entre eles sempre foi

rápido e obscuro com o carro lá embaixo esperando,

o problema dessa tarde era

outro

 

 

(ontem numa festa,

ele tinha conhecido

1 atriz.

conversaram

sem trocar telefone

mas a cara dela ficou grudada

na memória

dele,

especialmente a cara dela rindo)

 

 

isso

de conhecer alguém que mexe com a gente

foi chegando no quarto de hotel pelos poros,

é claro que eles ainda não tinham racionalizado essa sensação,

o corpo percebeu primeiro

por isso o ar denso

cheirando acabou.

 

-o carro tá me esperando. – ele disse fechando o computador

colocando na mala

junto com alguns livros que ele usaria hoje, na palestra.

-claro, – ela respondeu pegando a bolsa

um peso de bolsa.

 

 

no elevador

já e de repente

os dois se transformaram em

estranhos

e tudo ficou muito insuportável

na descida infinita

até o térreo.

 

 

 

 

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