laboratório

andei na praia aos 14 sem pensar em telefonar pra ninguém.

era eu

e uma turma de amigos

também os pais da minha amiga, a casa com 4 andares.

no último ficava o quarto mais bonito

claro que era dos pais

com janela de vidro

desnudando Mar

do alto, dando pra ver mais do mar do que debaixo, da areia, tomando sol.

foi Uma semana

de verão

em Ubatuba com estrada de carro e curva,maya_0

longe de casa longe da mãe longe da escola Longe.

numa dessas tardes tão

parecidas,

que dias bons e calmos sempre se parecem fazendo a gente se perder,

eu estava na piscina

sentada no pescoço do renan com um biquíni preto de estampa reggae.

eu ouvia

reggae e dançava forró

jamais usava salto

era chinelo o tempo todo e a pele morena cada dia mais. eu era linda

porque não me importava.

então fazendo guerra

de água com meus amigos

Menstruei aos 14

pela primeira vez.

senti algo no meio das pernas que não era só o pescoço do renan ou o Frescor que isso me dava. era algo interno, espesso mais que

xixi, se locomovendo pra fora do biquíni sem que eu pudesse controlar.

pulei na água

e chamei baixinho

minhas amigas que fizeram

festa, eu era a última

que nunca tinha

virado mulher.

mas que hora pra acontecer, pensei. no apartamento em são Paulo cinza não descia nunca e agora que eu estava na praia querendo mar

acontece,

o mods

vai virar uma fralda e pra piorar

meu biquíni era Mínimo.

minha amiga falou:

 

-vem aqui.

 

fui

até o quarto dos pais dela

que não estavam lá, estavam no centro,

fazendo mercado.

ela abriu o armário da mãe e pegou um o.b.

 

-bota isso. – ela disse. – assim você pode nadar.

mas boto onde?

-dentro ué.

-dentro Dentro? –perguntei espantada.

-é, dentro Dentro. não dói, besta, é de algodão. eu uso sempre.

 

fiquei com vontade de perguntar

se aquilo de ob tinha qualquer coisa de pinto entrando, se engravidava botar aquele algodão dentro,

não perguntei.

em algum lugar eu Sabia

que aquilo

não era de fazer filho, se fosse imagina quanta Criança a mais no mundo teriam principalmente as esportistas, já que minha amiga me disse que as nadadoras são as que mais usam.

entrei no banheiro.

ouvi na lembrança recente minha amiga dizendo: abre Bem as pernas.

Abri.

vi o sangue

escuro e grosso, parecido com gelatina de morango,

bem diferente de quando eu cortava o dedo,

gelatina de útero,

provei: não era ruim.

era forte

o gosto, feito vinho pra quem não tá acostumado.

desembrulhei o o.b., a mão

trêmula.

Coloquei no meio dos pelos, não entrou fácil. Forcei, abri mais

a perna, uma gota larga de sangue pingou no chão

e meu dedo tentando

afundar o algodão compacto

em mim

aquele cotonete gigante

fazendo nascer uma vontade

de me

Tocar, especialmente uma vontade

de que o renan

me tocasse

quem sabe até assim, com esse sangue

grosso, quem sabe até botando

a língua.

 

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