ele esqueceu o casaco no trem e a foto foi parar na mão de uma menina de 3 anos que percebeu a importância da foto e a guardou até morrer

1 rosto e outro rosto

numa foto de frente

sem artifícios.

lado a lado fotografados os rostos existindo,

eles se Encontraram anos antes

atrás da

foto, desde então

trocam fluídos. pintas.

frases que eles entendem de verdade ouvindo 1 do outro como quando ela disse:

 

eu queria conhecer Cuba.

 

e por trás disso

o sonho de ser bailarina e a falta

de coragem

na vida,

isso ele ouvia claramente quando ela dizia de cuba, ninguém precisava calar contando do que dói, no ar

entre as bocas

já se sabia.

os 2 rostos

eram carnes tão

normais,

os defeitos escorriam das peles que mutuamente se aceitavam pela manhã,

o bafo,

a olheira,

ficar velho dia após dia com o outro de testemunha, a fome matinal, o cheiro de quarto fechado,

as secreções.

eles diziam Sim pra tudo isso sem incomodo ou pelo menos não ao ponto de deixar o amor dormir.

tem sono pesado quando dorme, o amor.

eles viajavam muito

principalmente de trem

o dinheiro pouco, as mãos coladas. eram loucos para ver

o que cada cidade nova

tinha

a oferecer para aqueles olhos,

4 somando os 2,

aqueles olhos que já se viram em posições inesquecíveis, imensuráveis,

e sem alardes

seguiam se vendo.

 

a foto foi tirada em Cusco,

 

click

 

 

congelando nos rostos a história dos anos juntos.

o retrato

saiu pela máquina

instantânea,

foi guardado com zelo no bolso do casaco dele, ela

estava de vestido manga

longa.

saíram dali felizes e com um pouco menos de dinheiro.

a qualquer momento, que a vida nunca dá

notícia,

a qualquer momento ela pode morrer de escorregão no rio

ou ele pode morrer jovem

de coração cansado.

eles podem brigar por um mal entendido a caminho de Cuba, o próximo

e tão esperado

destino,

 

-nunca vi essa moça que me mandou beijo.

 

e a namorada

não acreditaria, pela primeira vez não veria

a frase debaixo como sempre via,

estaria ocupada vendo a própria que é O Medo de ficar Sozinha e morrer

sem nenhuma mão pra secar a testa,

o ciúme,

o não saber perder.

ainda bem que a foto foi tirada logo

em Cusco com aquela vista

e congelou a história de amor dos 2 rostos no auge que passará, como tudo,

pra servir de exemplo de amor pro mundo,

o sujeito que apertou a câmera

uma espécie de santo.

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