Vampiro

a calçada tinha uma árvore crescendo que ainda não fazia sombra e era larga para os meus 7 anos, uma estrada, dava pra brincar de amarelinha, de boneca, de bicicleta
só na calçada que carro voa, dizia minha mãe,
criança também morre, dizia meu pai,
e minha vó nunca dizia só colocava
a cadeira
de plástico
na garagem de frente pra calçada
o portão aberto
ela sentava a Tarde
ali,
o sol na minha nuca
suor de criança por todo cabelo, blusinha escrito mickey, shortinho escrito nada, pé descalço com urgência pra brincar de tudo que eu tinha planejado logo de manhã eu comigo mesma,
bola, pega pega, banho na boneca, quebra cabeça, gude, elefantinho colorido, chapolin colorado, olimpíadas das crianças sumidas, ioiô, caça ao tesouro, natação no asfalto, morto vivo,
o suor escorrendo

atrás

dos joelhos

e minha vó sentada

sem dizer palavra
e sem tirar o olho
de mim.

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