acidente

homens pendurados por cordas limpando o prédio.
Ela, ainda com sono,
tomava café preto na cama sem perceber.
na semana anterior um aviso no elevador dizia:
feche as janelas no dia
21.
ela leu pensando em janta e o dia
chegou que os dias
chegam mesmo,
o jato de água
tirava o encardido, foram anos sem coragem ou dinheiro pra limpar a imundice que a vida fez, o vento, a chuva, o sol
também
até que alguém de pulso
na reunião de condomínio disse:

– chega.

e ligou pra empresa que faz o serviço.
ela esqueceu que hoje
era dia 21.
saiu da cama a caminho do banheiro.
de shorts arriado cagou de peito à mostra
tatuagem recém feita no braço dizendo
o amor da minha vida sou eu
além de
1 livro
entre os dedos
quando 1 homem lavador de prédio pousou na janela aberta.
que barulho de água, ela achou que era chuva,
que cheiro de bosta, ele achou que era o rio
quando viu
aquela mulher
na privada: eles se olharam incrédulos.
estranhamente ela gostou de ser olhada,
muitíssimo já se sentia
molhada e não ousou se mexer 1 centímetro.
ele
gostou ainda mais, pensou
vou entrar,
foi a corda que não gostou de nada e

despencou.

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