tática

fui brincar na casa da nicoli, a primeira vez

que entrei na casa dela,

antes

não éramos amigas e nossos muros

colados,

a janela do meu quarto dava pro quintal da futura.

a nicoli

tinha 1 casa de boneca tamanho quase detumblr_o4jw2s8rmr1qmggloo1_500

gente, a madeira pintada de branco,

a porta

pintada de

rosa, eu sonhava Viver

com a casa de boneca sendo

Minha, deitava na cama e pensava

quero.

começou o ano e a nicoli no colégio caiu na minha sala.

ajudei ela num trabalho de ciências,

a plantar rabanete na horta, dividíamos o lanche e ela percebeu que eu era sua vizinha, me chamou pra brincar quarta feira e fui.

entrar

no quintal da nicoli

pela porta da frente pesava proibido,

vi tanto

aquela vista

pela janela parecendo impossível, a família dela era

francesa e distante de todas as famílias da rua

nunca pensei que um dia

pisaria ali sem ser de dentro da minha cabeça.

quando passava na marginal

e via as casas de boneca debaixo da ponte com placa de

vende-se

pedia pro meu pai parar o carro pelo amor

de deus mas ele dizia que marginal não se para.

agora

finalmente eu estava

dentro de 1 casa

de boneca e me sentia

invencível.

a mãe da nicoli trouxe suco e biscoito pra gente,o cachorrinho dela também brincou, colocamos ele

dentro da casa que tinha cômodos

cozinha com xicrinha

cheiro de plástico

caminha de caber barbie e até bonecas maiores, as bebês.

minha franja ficou molhada

eu suava muito quando estava

feliz.

fui mãe de meninas de plástico e dona

de casa

de mentirinha

por horas que passaram tão rápido quanto segundos, eu tinha combinado com a minha mãe de voltar às 5.

perdi a hora

no quintal não tinha relógio

mas na verdade

perdi a hora deliberadamente, não quis voltar pra casa até que a mãe da nicoli nos contou:

-escureceu.

olhei pro céu marinho.

guardamos juntas os brinquedos.

dei um abraço de até amanhã na minha amiga e voltei pra casa, bati na porta que estava trancada com medo

de ladrão.

ouvi uma voz

por trás da porta me perguntando que horas

eu mandei voltar.

fiquei arisca. previ o que viria. pensei vou correr mas a porta abriu antes com minha mãe perguntando de novo, pausadamente:

– que horas eu mandei voltar?

– 5. – respondi aguda.

ela me olhou áspera e numa puxada rápida o cinto
da sua calça foi parar

na mão.

depois na bunda, A Minha,

às vezes escapando pras coxas

outras

estralando pras costas porque no começo eu tentei fugir mas logo

entendi

que o melhor era ficar parada e
deixar

também o
choro.

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