A

a pequena de óculos que vejo só de segunda e espero

toda segunda pra gente bater nosso papo de 4 minutos que o ônibus dela sai às 6

depois

às 7 e o das 7

é tão lotado que

ninguém senta, os que estão sentados parecem mortos

não piscam pro lado pra não ter que ceder o banco pra mãe, pra velha, pra perna

quebrada.

a pequena corre pro ponto e espera no ponto a vida melhorar.

o olho por trás dos óculos não é de todo triste, deve ser porque ela é mini e a tristeza fica compacta pra caber no seio

que abraça

a terra

inteira. corro

pra encontrar com ela que trabalha

no lugar

que estudo, rodo, pano e balde

todos os dias

em todas as salas,

 

-eu já tenho idade.

 

ela me disse ontem, na blusa branca estava escrito o nome de uma praia que ela nunca

foi.

a pequena encolheu depois de velha não só de tamanho mas também na vista da cidade que não vê.

eu a amo, estamos

habitando

o mesmo mundo ao mesmo tempo na mesma geografia e penso que

inventaram deus

porque essas coisas delicadamente bonitas acontecem o tempo todo e a ciência não explica

nem as artes nem

os esportes, então vamos dar um nome pra leveza que às vezes a vida tem, vamos chamar de deus e dizer que deus mora longe inalcançável e que ele é pai,

mas

o pai

da pequena

abandonou, o marido nunca

registrou, as reuniões

de pais

e mestres estão cheias de

mães e

mestras,

os sumidos disseram por telefone não estarem prontos pra serem pais agora, quem sabe outro

dia.

Copia de Infinito001

 

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