maria sem dona

varal no terraço do sobrado de frente pra rua, a roupa

Limpa

estendida

voando

e tanto carro passando naquela avenida com pressa, a madrugada

acabou,

é

de manhã, as pessoas

ocupadas,

as desocupadas no bar

debaixo

tomando

cerveja e petiscos no prato, a blusa

de time, o mesmo time desde o dia em que o sujeito descobriu o que era

futebol.

no varal do sobrado

a roupa

exposta, lavada horas antes no tanquinho que é máquina mas também

precisa

da mão da dona maria 5 filhos, 40 anos

de casada e quantos anos sem dormir abraçada com o seu Nivaldo, marido

no papel, na peleomni-bd00092im

faz tempo que

não.

dona maria acha que acabou porque agora ela é gorda.

não sabe que seu nivaldo tem amante ainda mais gorda e toda sexta tem, graças a deus.

dona maria pendura a roupa com ajuda de um banco e a nuca

úmida, o cabelo sempre em coque, também um
avental.

o pregador

Segura

o voo das blusas, das calças,
dos lençóis, apesar que já caiu roupa lá no bar e ela busca, a presilha acanhada nos cabelos de dona
maria que foi

a menina de maior sorriso no colégio nova jertrudes até a quinta série,

depois escola

nunca mais. naquele tempo, ela

era Maria sem dona.

no varal a roupa

fica limpa por pouco

tempo com a cidade ventando assim.

melhor seria uma lavanderia fechada mas telhado custa caro e a dona maria

espera

seu Nivaldo em

casa, pacientemente.

colocar roupa no varal pra depois tirar deixa a dona maria menos

Sozinha estando ocupada, na tv não passa

nada

que presta, ela senta e vê

só na hora do almoço. deita

só pra dormir, sempre antes do seu nivaldo chegar tão tarde e também deitou

no meio da rua, esticada e

crua, no dia que o banco de estender

virou.

no bairro foi o maior auê, algumas crianças

nunca tinham visto um corpo e queriam ver, os pais disseram pelo amor de deus.

seu nivaldo correu pra casa quando ficou sabendo que.

não correria pra casa se não soubesse que, aliás hoje

ele tinha sérios planos de

ficar com Nena pra sempre porque as coisas

que ele sentia quando estava nos braços dela lembravam muito ser feliz do jeito que ele via nas capas de revistas e também na infância, nos braços da mãe. deu certo com ele viúvo, seu Nivaldo abraçou o corpo da esposa como há muito tempo

não fazia. deu 2 dias e ele se mudou pra casa da Nena, o sobrado

à venda, as pessoas passavam de carro e ficavam olhando.

dona maria

foi morar no cemitério e lá se sentia sozinha do mesmo jeito, o dia inteiro

sem nada pra fazer e muita terra, então

era um pouco pior.

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