Meti a colher

deitado na cama o Homem de olhar congelado como alguém que morre de olho aberto, mas ele

estava vivo, por isso

era ainda mais triste.

aquela deitada tinha o peso da desistência de um time de futebol inteiro

antes mesmo

de soar qualquer apito, só porque disseram1333264506433072159

no vestiário

que o time adversário era muito bom.

Chamei seu nome,

-Pai.

Pra soprar vida nele, já que era o seu aniversário e aquilo parecia tudo menos 1 comemoração.

Pai.

Chamei de novo porque ele não me olhava. Passei a mão no seu ombro numa tentativa de carinho.

-Que foi, Pai?

não tenho mais paciência pra isso

foi o que ele

me respondeu. Aconteceu 1 briga

de amor

com a mãe em pleno dia de fazer os anos e era assim sempre, as memórias de aniversário dele estavam intimamente ligadas com brigas

de amor

com ela.

-Não fica assim, pai.

Ele me olhou e quando me olhou

a vida voltou de leve no olho dele. Acho que ele lembrou dos velhos tempos, pois

em algum lugar do Antes,

meus pais se deram bem o suficiente pra fazerem filhos.

Eu queria muito ajudar a ficar tudo certo sem saber qual era o próximo passo depois de querer. Queria fazer ele mudar

de vida, mas sei que se ele mudar, tanta coisa vai cair e ficar devastada como num terremoto, a Cidade morre do jeito que a conhecíamos depois do abalo

sísmico, a cidade

seria a

mãe. E o terremoto seria

o pai.

Conversamos. Ele não queria presente de aniversário tipo um sapato novo pra usar com jeans, ele

Queria

um pouco de paz no amor, se ainda era amor, só porque algum dia

Foi. E disse que seu pai morreu aos 64 anos, então

pela lógica

ele teria mais 15 anos de vida pra conseguir

a paz.

Isso pela lógica, mas a vida

não tem lógica, eu sempre posso morrer antes de ver alguém que amo

Morrer.

Posso bater as botas

agora, podemos bater as botas

juntos, pai e filha se jogando do décimo segundo andar de tanta

tristeza.

Eu queria conseguir demostrar mais o meu amor pelo meu pai, como por exemplo preparar o café da manhã dele diariamente, mas isso seria rotina e toda rotina é uma pequena escravidão

silenciosa.

Somos silenciosos meu pai e eu. Somos castos nas escolhas das palavras.

Nunca dizemos de nós mesmos, ao menos que sejamos solicitados que sim então

dizemos com

conversas silenciosas.

Quando estamos juntos nunca ligamos a televisão, apesar que ele sempre me diz:

-tá tarde, vai dormir.

o que também é um jeito de se livrar. Eu entendo, pai.

É difícil ficar junto com alguém que conhece muito

dos seus rombos, é pior que espelho. Por isso é tão duro pra gente estar no mesmo cômodo, sabemos as cores

dos ternos

das dores que moram na gente. Ainda assim,

essa noite eu vou dormir do seu lado, nem que seja do alto da minha

própria cama.

 

 

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