o casamento

o som do taco estalando com o peso dos passos

dele e o olhar fulminante

pra ela, que vinha de um peito Gelado cansado de

Sofrer. Aquele olhar guardava o palavrão mais Diabo de todos os tempos que sequer foi inventado, nem mesmo durante

a segunda guerra mundial não por falta de Urgência, mas

Sim

porque em Guerra não há tempo pra Sentir nem a Dor da própria guerra.

Aquele olhar dele

guardava todas as angústias engolidas, entupidas, enfiadas goela abaixo,

Angústia que já morou no estômago, que subiu os

degraus do

pescoço e foi morar no olho

Violento

Dele.

Mas esse olhar

ele só lançou quando se afastou dela e saiu da sala.

Ela distraída com o próprio pé, se olhando vaidosa depois de ter dado mais 1

De suas

Respostas atravessadas, dizendo que ia trocar a bolsa que tinha

Ganhado dele de aniversário Sim, na verdade

Que ia fazer caridade ou jogar a bolsa na lata

Do lixo,

Ela disse Qualquer coisa bastante agressiva também no tom, menos

No amor.

Ele deu um sorriso duro pior que soco e ela tão perdida em si, se amando como

Sempre porque ninguém mais conseguia tal feito, ela

mal percebeu

que ele não a amava mais e o quanto Isso fazia

tempo.

Ela jura que ele a ama muito. Conta disso no cabelereiro.

Talvez num dia bêbado ele a mate, talvez

Falte peito e falta, Mas ele

já a matou pensando que sim. Enquanto ela berra seu monólogo diário contra o mundo, ele imagina 1 Faca

fazendo bife daquela mulher que não se cala talvez nem com

A morte tamanha a sua

Força em Resistir.

Ela ainda o Ama. É desastrosamente insuportável porque não aprendeu a ser outra coisa. Ao lado dele ela Se sente triste com quem assiste um jovem morrer e ele também, tristíssimo.

O casamento continua, por qualquer motivo que eu desconheço mas penso

que Deve ser porque lá na Igreja,

no dia 20 de maio 30 anos atrás,

o padre disse que era até que a morte os separe e eles 2 carregam nos músculos Muito medo da ideia de

deus, como se

o Amor

fosse uma espécie de

Solitária.

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