a casa tem o telhado

Uma casa velha descascada com janela baixa pintada de branco.

Quem construiu essa casa foi um homem que

morreu.

Mas antes da morte de defunto,

o Homem morreu de amores por 1 menina que tinha

idade pra ser

A neta. Ela vivia na casa dele, era filha

de 1 amiga da sua mulher. Um dia,

as mulheres estavam distraídas

na cozinha

preparando o almoço, a menina desmaiada no sofá de tv ligada
e o Homem estava assistindo o jornal uma Ova,

estava é de olho naquele corpo de

17 anos, no máximo.

Levantou com passos de

garça e beijou devagar freando a pequena enquanto ela dormia e foi o beijo mais doce

que quase o enlouqueceu. Ela retribuiu com língua numa saliva

quente,

uma pele, o pelo das pernas

loirinhos, a calcinha rosada, ele colocou a boca e pensou que

desmaiaria com aquela delicadeza

de existência

feminina, pedia pra ela não gritar mas era ele que quase

Urrava, ela tinha uns peitos já

Enormes, soltos, bicudos, a barriga

Lisa, a bunda

lisa, um cu que não entrava nem o dedo, o cheiro

de sexo, o pau

uma pedra, uma vista tão bonita quanto olhar a Cidade do alto de 1

arranha-céu.

Depois disso ele nunca mais encostou na menina porque tinha um coração bom e também porque a mãe viajou

Com a pequena e não voltou

Pra Vila

Prudente por anos tão longos que o homem até morreu.

Mas todas as noites antes de morrer ele encostava na sua mulher, que

ainda era

uma bela

mulher, e fechava

os olhos

pra pensar que era a menina aquele corpo, deu

Certo, ele não

Enlouqueceu. Nos intervalos do amor, o homem construiu a casa de janela branca pra morar com a família, hoje

Casa velha descascada onde

morou a minha avó pós-família do Homem que amou 1 pequena e nunca esqueceu.

Minha vó trabalhava em

Biblioteca e não tinha tempo pra ajeitar a

casa. Quem fazia

Era Carolina,

minha vó a tinha contratado por uns

trocados,

Garota Jeitosa pra limpar janela, nunca quebrou

1 copo e cozinhava macarrão ao sugo pro meu avô

que sinceramente achava Carolina muito gracinha pra trabalhar assim

tão duro.

Os tempos mudam e a vida

muda pouco, envelhece menos que as coisas e as

Pessoas porque Ela não tem fim. Tem fim você, eu. A vida

Continua pós a gente.

A casa da minha avó hoje

está ainda mais velha que antes, inacreditavelmente antiga e não morre.

Todo mundo que morou nela

Está morto agora, são defuntos tão passados que ninguém nem mais comenta do sujeito, nem nas datas comemorativas tipo natal e ano novo,

menos a

Tartaruga. Minha avó tinha uma tartaruga que

Pertenceu ao Homem que construiu a casa amando

1 Menina.

Ele morreu e esqueceu a

Tartaruga no quintal de propósito porque era um bicho muito esquisito

andando lesma e se escondendo no casco toda vez que alguém varria o corredor.

A tartaruga ainda vive, assim como a casa, são 2

testemunhas

mudando tão

lentas.

100 anos humanos

tem cheiro de mofo, 100 anos

de coisas

também, um pouco.

A casa da minha avó não me ficou, vendi para pagar as dívidas e teve gente pra comprar aquela construção antiga porque o vintage

está em Alta. A Tartaruga eu peguei pra mim, ela vive

no meu apartamento e tudo o que ela já viu não está escrito, bicho

não fala,

então

nos damos o direito de fazer coisas terríveis na frente deles sem

nos preocupar com a repercussão externa. Mas Esquecemos

da repercussão interna, imagine o quanto que a pobre tartaruga já viu do Homem que amava

a Menina e a Cidade inteira

sabia, da esposa que

se também sabia,

preferiu não fazer nada a respeito, da minha vó que trabalhava muito

e do meu vô comendo macarrão ao sugo da

doce

Carolina, que um dia tomou banho de porta aberta. Ela estava com marca de biquíni. A janela do banheiro
era enorme. A vizinhança
em peso

Comentou o
caso.

Já a Tartaruga sabe muito
mais que
isso e
se manteve em silêncio. A casa também, em silêncio,

não por escolha, mas

por não haver outra

saída possível.

Não a toa que a Tartaruga tem 1 casco,
a dor de ver é Grande e precisa
de um pouco de

Solidão.

Anúncios

o verdadeiro coração

o sono mora no olho, o sonho

também, o feio

também.

meu feio

é muito morador de olho. Meu bonito, meugiphy

cansaço. Minha fé, minha

fome. As maquiagens todas

no olho. Uma foto é recusada quando alguém está de olho

fechado, ou seja, muito importante mantê-lo aberto. Morte fecha olho.

As ilusões

abrem.

Os excessos de cerveja e

de vinho deixam

o olho pisca-pisca. Minha família mora no olho,

minha vó lá no fundo do olho,

a dor de cabeça

também no fundo, junto

com a vó antiga. A saudade respinga

Olhuda.

Meu ego. Quando estou doente se nota

Pelo olho.

– Tá abatida.

Dizem, é pelo olho que ve(e)m.

Os maiores mentirosos mentem pelo olho. São gênios,

poucos conseguem ter esse acesso a estrutura da Iris e modifica-la assim ao ponto de mentir e as pessoas

acreditarem olhando nos olhos. Os mentirosos amadores não encaram.

A força do olho no olho é um Soco em câmera

Lenta.

Um músculo, o olho.

Um pântano. Paulo

Autran tinha Olho
Afluente.

A intimidade

nasce do olho. O olho tá grávido quando um casal começa no Amor.

O silêncio de dizer todas as coisas do mundo sem dizer é a Mansão do olho, 1 casa Enorme com jardim sem portão e

Invisível.

o dia em que eu gastei dinheiro demais

era um cantor preto, careca, voz de

sereia, o meu cantante preferido daquele programa que, em meados dos anos 90, estava só

começando, mas

agora

já é a velha forma de reality

show.

Eram uns 15 cantores concorrendo a sabe-se lá o que, tinha a ver com 1 prêmio em dinheiro e

Vaidade, todos

tentavam muito ser o melhor segundo o público e os

jurados. Eu,

só tinha olhos pro meu calvo cantor preto.

Ele não era como os outros, bitolados na tela da televisão. Ele,

era trejeitado pra falar quando não estava cantando mas

na hora das suas apresentações

ele deixava

o acaso agir e destampava o palco que virava um buraco fundo de muito blues e sou(l). Eu acreditava em deus ouvindo esse homem

cantar. Ele carregava na voz

Aberta

a história da família inteira, a vó cantava na beira

do Rio

Lavando roupa, a dela e da metade da vizinhança, mulher-trabalho,

a gordura

nunca a impediu de acordar cedo todos os dias e

que Timbre!

A bisavó era coro na Igreja, ficou mais famosa que o padre, o pessoal só ia na missa pra ouvi-la

cantar. Rezava o terço em voz de lamuria e nunca se ouviu coisa mais bonita

em toda Minas

gerais.

O pai

Cantava na Obra e a voz do homem

se ouvia lá do último andar no prédio que morava colado no que ele construía.

Depois andando pro ponto de camisa aberta e

a pinga,

ninguém dava nada pelo sujeito, um tipo cu seco, vesgo, boca torta. Agora da janela dos prédios tinha gente que chorava ouvindo o homem cantar. Dona Dora, a síndica, dizia pro marido que pagaria até ticket

em teatro grã-fino só pra conhecer o dono

da voz

do blues. O marido ficava puto. E passava duro na rua

pelo pai do meu preto, procurando o maldito cantor que deixava Dona Dora tão acesa sem nem desconfiar

da reza

1/3.

Essas historias,

meu cantor contava em entrevistas rápidas

nos bastidores do vídeo Show. Suas falas nunca eram protocolares,

Ele aumentava as lentes das câmeras de televisão e chegava imenso na gente sentada no sofá o assistindo, aquele sujeito

Era Incrível. Eu tinha 10,

11 anos, pouca coisa pra fazer na parte da tarde e um dia,

No programa dos cantantes,

meu cantor ficou na Berlinda,

Estava pra sair do programa e dependia das nossas

ligações. Pediu ajuda olhando pra`s câmeras, eu gelei.

As minhas tardes sem ele, imagine, ficariam

Desastrosas de tristes naquele calor horroroso de novembro, minha mãe me chamando

Pra secar louça e eu

sem desculpas pra dar de que estou fazendo

Outra coisa, mãe, agora não, porque eu não estaria fazendo absolutamente nada e ela perceberia, meu ócio estava por 1 fio. Além do mais o preto ainda não tinha cd gravado,

o programa era a sua chance,

aos 11 anos eu não sabia que existia Muddy Waters e Nina Simone, meu cantor era único e eu queria que ele tivesse

todas as chances do mundo, meu primeiro

grande

Amor.

Peguei o telefone e disquei o zero

800

do time dele. Liguei quantas vezes, 1000,

2000? Eu tinha tempo, era menina e meu preto

saiu coisa nenhuma do programa, ficou que foi uma beleza até a semifinal, o problema foi quando

veio

a conta de telefone e meu pai gritou meu nome

lá da cozinha de

cinta

com uma voz

Rasgada

que não lembrava em nada

meu cantor voz de

sereia.

Liberdade 2 segundos

– eu gostaria de ser livre,

ela me disse,

implorando.

não me pediu com palavras, mas no eco das palavras ditas ela pedia

ajuda.

O que é ajudar alguém? Ainda mais,

o que é ajudar alguém a ser

Livre? Logo eu, a escrava

da minha história e da história do

Planeta, todos que leio e que vejo vieram antes de mim, senão6ec980003b842fc8e03f930c18426bd1

eu não os veria, eu os

conviveria. São todos anteriores, os metres, que Peso, eu

sou só o Agora, no Futuro

serei passado, 1 velho cadáver vintage.

Sou

Mulher,

sou sozinha, sou a dúvida de atravessar ou não

a rua com esse tamanho de mala nas costas que é existir. Vou ajudar alguém como, respirando?

Eu disse pra ela,

-Respira.

Achei uma boa. Respirar é livre quando não prestamos atenção, repara.

Mas repara muito devagar

porque se você reparar sem sigilo,

então parará de respirar natureza e começará a cadenciar o ritmo do

ar, ou seja,

o Estrago.

É preciso estar Distraído pra ser Livre,

deve ser 1 jeito possível. Querer algo já é a grade.

Me sinto desconfortável em tantos lugares que não deixo de ir porque estou desconfortável. Gostaria de dizer um bocado de coisas agressivas para a mulher morena da padaria que não sabe dizer bom dia sem levantar aquela maldita sobrancelha. Queria dar um beijo no homem do banco de trás do ônibus.

Sentar e beijar, sem pedir. Colocar a mão dele do dia inteiro de trabalho dentro

Do meu vestido, a calcinha

em casa, o banco já

Molhado, o cara da esquerda olhando, sem saber se filma ou se chama

A polícia.

Não faço. Não faço nada. A cidade com pessoas é 1 lugar complicado.

E quando não faço nada de Nada,

Zerada no sofá olhando o mar

Que não existe da minha janela, então

sou

Livre. Que engraçado ser livre, é pouquinho.

Somos teimosos em transformar sentimento em Utopia para podermos reclamar

porque reclamar

é um bem seguro para o funcionamento Urbano. As pessoas ficam calmas depois. Sentam, trabalham. Pensam nas férias que terão e nas férias que tiveram, quando

Estar Feliz, de fato, é coisa simples,

quase vulgar e

Enlouquece. Sou livre deitada no sofá, quem diria. Se percebo, perco. Se me esqueço, pássaro.

que ama fazer sexo com você

meu pescoço fica alto
relevo em veias quando faço
força pra empurrar o sofá em dias de faxina, quando pego
o cachorro da vizinha,
também quando falo mais longa
pra ser ouvida por alguém mais
longe
de corpo
que eu.
Meu pescoço tem alguns pelos que são cabelos no
começo de ser 1 cabelo, finos, curtos,
Desajeitados. Quando engrenam
Se misturam com a cidade capilar já tão habitada para nunca mais ninguém
o encontrar como individuo porque a partir de então o começo de cabelo deixa de ser 1 para ser
o todo.
Meu pescoço quando ama fica muito comprido, a pele
vira cobra, gira 300
e 60 graus por amor. Meu pescoço não tem boca, a sua língua
é referência de boca pra ele.
A nuca são os olhos,
1 pescoço é uma pessoa Inteira. Tem seus pessimismos, nos dias que trava. Aguenta o peso da cabeça que é a coisa mais gorda do mundo sem reclamar, não porque é um santo, mas
porque não tem boca. As veias são jeitos possíveis de dizer que quase ninguém escuta. Mas a voz também, quase ninguém escuta.
Por dentro,
o pescoço é um taxi de líquidos e massas. Por Fora plácido, ingênuo. Por dentro muito trabalho no transporte, por isso ele é
em pé. Minha pintas
desaparecem nele dependendo da luz. Quando estamos na cama escura não tenho pintas.
às vezes
esqueço de passar sabonete nele,
perfume nunca, meu pescoço é tão
bêbado.
Às vezes ele fica comprido pra ajudar o olho
a ver, no meu caso te ver
chegar. O pescoço cede, tranquilamente, o protagonismo pra Cabeças.
Vive miúdo, sem alardes. Dança por amor a música, dobra por amor ao Riso.
Sua grande felicidade é ser tocado, na verdade
o Pescoço é um sexo.

criminosinha

– aperta pra você sentir o ponto.

Coloquei o dedo de leve, ela falou:

– aperta direito.

Então coloquei o dedo forjando desajeito, a carne

até virou,

eu ficava procurando alternativas para ser sutilmente insuportável e assim castigá-la pela prisão que ela me causava pelo simples fato de sermos da mesma família.

Ela desvirou rápida o bife que estava quente e falou de novo, sem ranços,

como se meus erros

fossem culpa da minha falta de prática na cozinha e não da minha falta de

Coração nas relações cotidianas:

– Aperta.

Então eu Apertei com força, dessa vez

foi desproporcional,

cheguei a fazer 1 buraco

no bife.

Agora sim ela ralhou comigo, reclamou com gestos aéreos da minha completa falta de tato, Fiz como se não tivesse entendido o que ela

Tinha me pedido.

Acontece

que eu tinha entendido perfeitamente,

podia ter apertado o bife e falado:

-Certo, aprendi o ponto.

Naquela altura eu já teria inclusive caído fora da cozinha, mas eu fazia

questão

de fingir Idiotice só para desgastá-la. Para lotá-la de pequenas raivas durante o dia até que chegasse a noite e ela

Explodisse pela acumulação passiva, quase delicada,

de infortúnios domésticos que a sua Filha lhe fazia

passar.

Não sei se ela percebia as minhas maldades.

Tem dias que meu coração é mole de chorar em reportagem humanista na tv e é sincero,

Tem dias que quero matar pessoas, penso

que teria coragem

pra Matar até um bicho e isto

também é sincero, existem cidades, praias e campos dentro de mim.

A fragilidade do meu cachorro nos meus braços me hipnotiza,

Uma criança nos meus braços me deixa Muda, é 1 pessoa

Pequena a criança e É possível matá-la pelo pescoço como se mata uma galinha

Pra comer. Penso

em um bocado de coisas criminosas e interessantes que são provavelmente possíveis mas tem 1 muro

bem alto

do tamanho de uma escada pro céu na frente dos meus piores ímpetos,

Travo.

Só consigo ser Sutil e aos poucos, pelo menos assim

não serei descoberta e posso seguir sendo o que nasci pra ser, a

Terrível. Cadeia é a cidade dos Diabos que não deram certo, por isso

as grades tão

tristes.

tumblr_nkg608nxz41s5ayero1_500

Amor seria bom (demais) pra mim

Regiane sempre foi minha amiga, eu pensava.

Ficávamos juntas na hora do intervalo.

Tinha certeza que se um dia eu esquecesse meu lanche ela me daria sua bolacha de morango e no dia que eu esqueci minha maçã

ela

Não me deu

Absolutamente Nada,

fiquei assistindo Regiane comer e ela

comendo me assistindo Assisti-la. Pensei,

ela deve estar com fome. Foi na quinta aula de matemática que eu entendi o que era

Fome.

Cheguei em casa num pequeno desespero que minha mãe se preocupou e pediu desculpas pelo

esquecimento. Eu disse tudo bem e almocei

muito rápido pra comida entrar logo em mim e matar aquela sensação de vazio, mas

o vazio não morreu depois do almoço,

fiquei a tarde toda com o Rombo de Regiane.

Tínhamos muitos momentos juntas. Ela era cheirosa e mais alta do que eu.

Os meninos

desmoronavam quando ela passava, ficavam falantes, jogavam bola com agilidade. Depois que ela ia embora pareciam

moscas.

Teve um dia que ela foi melhor

na prova de inglês

do que eu.

No intervalo, que tudo o que importa

Na escola

Acontece no

Intervalo,

Ela contou pra todo mundo da nota dela versus a minha e foi muito amada pelas pessoas.

Tínhamos aula de argila no colégio. Tínhamos que trazer camiseta maior pra cobrir o uniforme e não manchar.

A Camiseta, depois,

ficava com um cheiro forte de giz de cera vencido. A Regiane espirrava muito com o cheiro. Pedia pra colocar a camiseta no meu armário do colégio

que ficava com cheiro duplo,

o meu

o dela.

Eu nunca falava não. Mas me sentia triste de um jeito pequeno.

Virou o ano com peru morto na mesa da minha família,

Fogos no céu do recém chegado 1999 e a

Regiane

Mudou de sala. A diretora fazia isso, separava

as panelas

pra que brotassem outras relações.

Não Reclamei.

Regiane reclamou muito. Fez que lutou duramente pra mudar de sala

Mas quando perguntei pra diretora,

Regiane não tinha ido nenhuma vez falar com ela pra pedir qualquer coisa que fosse, nem 1 clips.

A gente se via nos corredores, ela dizia de saudade. Eu dizia de saudade. A verdade não existe em fatos, só em relações menos

na nossa.

Nossas classes eram porta com porta, nossos professores pediam gizes emprestados

1 para o outro e nós duas

Distantes como se fosse geográfico o nosso motivo.

Era ódio o nosso motivo, um ódio calado na companhia que nos obrigávamos a fazer uma pra outra.

Nossas mães

Nem se conheciam, nós não morávamos perto, não nos dávamos

Carona, nem intimidade, nem amor. Eu também fazia as minhas. Falo dela, mas um dia deixei uma saúva picar o braço de Regiane de caso pensado só pra ver

Coceira e

Inchaço no corpo da minha amiga ou

A vingança. A gente se obrigava a ficar juntas porque além do ódio mútuo

a gente

detestava muito

a si mesmas, precisávamos perdidamente nos machucar.

Nos mutilamos por anos, 2 Soldadas de guerra. Agora, mais velhas,

não aguentávamos mais tanta pele aberta.

Comecei a me amar com 17 quando eu e Regiane nunca mais nos vimos depois da formatura de colégio.

Tchau, tchau quando acabou a festa mas era

Adeus.

O Tiro

Conversei com bastante gente nesses últimos dias,
Um tamanho de gente,
gente de outras cidades chegando hoje na minha cidade,
gente
com brilho na pele, gente rápida, gente
boa, algumas pessoas tem vida longa, sorri muito nesses últimos dias,
desgastei minha mandíbula, fui
em festas,
reuniões de trabalho, reuniões de
amigos, cinemas,
não disse Não pra nenhum convite,
fiz uma pequena viagem no fim de semana pruma fazendinha
no interior
de São Paulo, vi gados, os cachorros trabalhando cedo, o sol nascendo em céus
incansavelmente belos, acordei tarde, acordei lento, fiz andanças, comi
bem, dormi mal, eu tentei
tentei
Tentei mas Nada
disso
me convenceu que a vida
vale a pena, afinal. Não estava triste, tinha apenas Escolhido
1 solução possível e
me matei terça-feira à noite, sem
remorsos.