desespero lento

Palmas volumosas pra Ela,

elogios verbais e faciais, sons de sorrisos intermináveis na

Mesa

lotada de

gente, nenhum olho

olhava pra mim. Eu tinha pedido um garfo pro garçom, ele não trouxe, tive que

Levantar pra pegar enquanto Ela

tinha feito a coisa certa, fechado

um contrato milionário que melhoraria o mundo, quem sabe, em 10 ou 20 anos, a mulher

estava tentando, tinha estudado bastante inclusive na gringa e a mesa

Otimista, aplaudindo. Salivando.

Pela primeira vez na vida não senti ciúmes, meu ego querendo tudo estava

cochiloso. Também parabenizei a moça sem pensar que a moça

que mais amo

sou eu. Não quero nada, por hora.

Não preciso ser famosa, nem ter grandes ideias, nem dinheiro.

Não tenho um emprego mas tenho tempo. E posso ir à palestras em dias de semana não importa o horário.

Dentro de mim uma pequena paz, será que envelheci? Estou calma em estar onde estou,

Num almoço

De segunda sinto

Mini paz. Sem pressa chego nos lugares, cumprimento as pessoas sem

Pensar no que elas pensam de mim.

Já não olho todos os espelhos ao lado das escadas rolantes no shopping,

Já não tenho a curiosidade de me ver de costas. No carro,

Já não abro a janela para que os motoristas

me vejam e buzinem meu look.

Quando não me buzinavam, eu pensava que minha bunda era melhor que o rosto, me buzinariam se eu estivesse de pé e olha que eu nem gosto tanto de sexo assim, isto

Era apenas uma competição.

Agora Quando alguém

Me elogia, escuto tudo, não sorrio antes. No entanto Ainda sinto frio na barriga quando

Me sinto amada,

estou sozinha, insegura, pequena, esmagada pelos

Pés dos mais bonitos fortes talentosos e jovens que eu, eles formam na minha frente uma fila quilométrica e são

a Muralha, mal vejo o céu. Não,

as palmas não são todas pra mim e

tudo bem. Me incomoda, isso sim, o tempo que faz

que não recebo

1 abraço por amor. Tentei dar um abraço na mulher muito próxima de mim na mesa.

Cheguei perto, enrolei os braços no pescoço dela, deixei meu corpo pesar, usei

A imaginação. Disse a ela:

– momentos felizes merecem um abraço.

Mas fiquei pendurada, ela não deixou ser abraçada nem

Muito menos

Me abraçou. Que medo de morrer.

Que medo de morrer

em vida. Eu gostava do meu ego porque eu tinha esperança e

Alegria. O mundo é marrom. Não

Tem água, a terra dura mas as verdades duram menos que 1

Segundo, não gosto dos meus amigos aqui presentes, queria começar

de novo, em agosto do ano mais recente de agora.

Preciso voltar pro Mar e olhar azul. Entendo a mulher que sou terrena, mas

aquela Pescoçuda que tanto acreditava no poder de ser ela mesma, deus, onde

essa mulher foi parar? Ela deve morar no eco

estridente dessas palmas incansáveis que eu não aguento mais, não

Suporto, desatei pro

Banheiro, as mãos

no ouvido.

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2 comentários sobre “desespero lento

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