A Dança

pensei que era um abraço o que faríamos
ao
nos despedir: não foi.
Acabamos num aperto de mão frio, sem encaixe,
num encostar de peles que não sabem bem porque estão assim tão perto.
Nossos dedos ficaram perdidos, dedos que se fossem de Escolher
prefeririam não se encostar mas
se Encostam.
No gelo, ouvi de você um gasto:

– Obrigado por tudo.

mas,
indiscutivelmente,
eu não fiz nada pra merecer esse tudo.
As convenções sociais são tão surdas, tão carentes de
Malemolência.
Me interessam mais os definhamentos, as hemorroidas, o dia da morte da gente, a foto do visto
que tirei pro passaporte, eu
estava faminta no dia e como chovia perto do lugar em que deixei meu carro.
Não parei no estacionamento. Nunca paro. Deixo na rua, que vaga particular é preço de 20 mangos. O dólar
Tá muito alto, por isso a embaixada americana
e(r)ra tão vazia, eu
queria ter falado sobre isso com você. Discutido mais teu gênio. E queria ter te dado um abraço na nossa despedida de garagem. Não funcionou porque abraços não dependem só de 1.
Ficou ao invés um buraco,
depois das tantas semanas convivendo juntos, bebendo, comendo, sentando no mesmo sofá,
diariamente o mesmo sofá, a mesma torneira, o mesmo canal de tv, mas
a Intimidade
nunca
esteve nessas coisas. Ela costuma se demorar um pouco mais na casa da Entrega.

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