Ele não é meu namorado

calcei por volta de doze sapatos tumblr_md5r8vgqJU1r5f81zo1_500 (1)

antes de sair pra te ver, como se
a escolha de 1
pudesse fazer qualquer diferença no jeito
que você me olha. Às vezes sinto que
se não fosse pela minha coxa,
você me acharia
Feia, eu me lembro do dia em que você me disse:
-Gosto de mulher Bonita.
não estou Disposta
a te perder.
Te sinto pequeno e bruto, depois tu coloca óculos escuros e chama o lugar que cê trabalha de:
-Teatrinho.
Quando cheguei na sua casa você me chamou pra morar contigo. Me Mostrou os cômodos, eu
Não disse nada, sei
que não foi um convite. Tomamos sorvete, você me fez perguntas difíceis eu disse
Sim pra muitas, tive mesmo um amor que me matou.
Sua cozinha é dividida em 2 partes, a parte que fica o fogão é pequena e boa, diversas mesas na sala, cada uma comprada em um
Lugar diferente, tu tem um apreço por coisas velhas, eu pensei aquelas mesas como moças de 4 pernas e a nossa tarde, única que tivemos, durou
Por volta de 3 horas, depois
um táxi.
Me deixam Besta, esses aplicativos de hoje,
o motorista chegou depois de 15 minutos e você queria foder de novo, enquanto isso, no meio da sala, teu irmão no quarto de cima, tu
Me beijava o pescoço com teu beijo sozinho, que
não me deixa respostas, é
você na minha boca, nunca fui eu na sua.
fiquei molhada, você me pegou na bunda, você enfiou a mão na minha bunda como se eu fosse imensa, pensei em derreter e o

O taxi

Chegou.
– BÍ, BÍ.

Levantamos as roupas sem nos olhar
Nos olhos. Você me acompanhou até o portão,
Teu dog também, 1 deles, que o outro
Quase que não deu as caras. Tuas vizinhas todas sentadas na porta de suas casas com roupa de verão, elas pareciam tão castas. Nos deram tchau e 1 delas te disse qualquer bobagem sobre o tempo que
Te fez
Sorrir.
Te desejei boa sorte,
nos beijamos seu beijo e ali
Eu subiria as escadas de novo, falaria pro moço
do táxi:
-me Espera.
E foderia
a última
contigo por 5 ou 6 minutos, teu quarto com cheiro de gente, a sua grande cama de artifícios, sua língua me abrindo por dentro, você me assopra, se apoia, quantas mulheres já passaram
por aqui?
Mas não subimos.
No portão você me chamou de gostosa e depois de cinco minutos no táxi,
o motorista me disse:

– Legal esse lugar que mora teu namorado.

Ma (r) te

Estou na minha mesa, computador ligado, word em branco e assim será pelo resto da tarde, máquina fotográfica, farelo no chão, uns talheres em cima do prato com cheiro de

janta,

rastro de vinho

no copo

eu

Sinceramente, não me

Suporto

mais.

Espero, inclusive bastante tranquila,

o dia em que escrever seja tão fácil

quanto

Ouvir um disco

Na vitrola, uma vitrola sem mesa, sem suporte, longe da tomada, em que você tenha que montar uma poção de coisas pra que ela funcione,

é prazeroso ouvir o disco e compensa esses pequenos conflitos,

como a falta de espaço em um apartamento no centro

De São Paulo.

Não me aborreço mas me preocupo, tem muito artista no mundo pra

Pouca arte, quantas pessoas são minhas vizinhas e quantas delas tem qualquer ambição artística? Acho que quase a metade, e

Quantas

Apesar do talento, estudo e o esforço absurdo que a arte demanda, quantas são

os verdadeiros poetas, pintores, atores,

quantas realmente mudarão a vida de alguém? E se não mudarem, a culpa seria delas?tumblr_n52wg3wpjF1rard87o1_500

Ou foi o editor

Que enxergou neblinado ou

é culpa do Brasil que não vai ao teatro, que

Não lê, prefere a cerveja mas vida não é eliminatória. Busco um herói da geração 2000,

que dance valsa e use óculos

escuros, gostaria que esse herói fosse

eu, mas

isso

Não existe, os líderes estão mortos ou nunca souberam caber nas gavetas das coisas nossas.

Melhor que nos sejamos Suficientes,

Geralmente eu me basto, menos quando não me suporto como tem acontecido nos últimos dias.

Eu queria escrever um livro

roxo, estou reunindo minha obra e desprezo todos os

Poemas que falam sobre eles mesmos, me lembra muito o ser

humano,

Que

doença, quanta saudade, quanta gente que eu não vejo há anos, marco almoços que não vou, tenho pressa. Eu disse pruma amiga:

 

– o mundo só fica menor quando encontramos alguém pra amar.

Eu a amo, no caso. E amo também A mim. E amo também a Ana Cristina Cesar, que era moça bonita e gostosa por isso

Se matou. A Hilda também, com whisky e aos poucos. A Clarice

Quase morreu de cigarro. Eu

Morrerei de tédio

E de falta de assunto no hall do elevador. Morar em prédio é a maior tragédia urbana que nos pode acontecer, mil famílias empilhadas, comendo, fodendo, brigando uma em cima da outra e depois se cumprimentam

Parcialmente

no elevador. Vejo da janela as crianças no playground. Lembro da minha infância, do meu casaco de veludo que eu usava até pra ir ao mercado, minha mãe dizia:

-pelo amor de deus, menina.

eu lembro de tudo, escrevo

e luto

pra me encontrar de novo em mim. Consigo de pouco e da janela noto um mini-fio

de sol. Ele resiste,

em meio a uma possível tempestade

que acontecerá em poucos segundos,

segundo aquela nuvem

gorda

Da direita.

Na firma um romance que não dura mais que 3 semanas

nos vemos todos os dias. Em alguns, até usamos a mesma cor de camisa, azul.

Bebedouro cheio, esperamos água na fila, sentimos sedes parecidas,

reparamos juntos na

moça que limpa o vidro,

logo pela manhã aqueles produtos

com cheiro

de limão. O vidro, primeiro, fica úmido, água

marca

também. Depois, a moça passa a flanela feito dança e, milagrosamente,

as manchas

desaparecem. Se fosse assim com o rosto da gente, com o coração da gente. Limpar os vidros da firma parece bem mais interessante do que as nossas obrigações todas na mesa, postas pra

depois do almoço, geralmente na praça

de alimentação do shopping

center.

Tem dias que tomamos café na mesma hora, gostamos de açúcar quase nada,

já estamos perto dos 30 e a boca

vai pedindo menos doce, vai ficando mais sozinha. Nossas mãos nunca se rasparam na hora de pegar a colher, eu

te vejo

mais

do que você me vê.

Em 1992 estudamos no mesmo colégio, descobri isso por uma amiga, ela me disse:

– estudei com Fulano no Oitavo B.

Eu estava no oitavo d, mesmo pátio, não te lembro. Nunca fizemos educação física juntos, nunca trocamos telefone nem nos temos nas nossas extensas listas de amigos no Facebook.

Mas a vida da gente

se encontra em tantos níveis que

Penso

Em você como uma companhia de beber um drink quinta à noite,

pra bater um papo sobre as coincidências que existem no mundo,

as perdas,

certas viagens de carro, as bolachas que gostamos e que estão extintas no mercado, as nossas

bandas de rock favoritas, os nossos cachorros odeiam visita,

o fato

de nunca acharmos as velas todas as vezes que acaba a luz em nossas casas, nos

divertiremos muito

antes de estragarmos tudo

por conta de uma transa

Casual.

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FAZIA 22 GRAUS

Ela chegou em casa de shorts e bochecha quente. Tinha ficado na academia por quase 2 horas, na entrada, o porteiro:

– Essa garota gosta mesmo de exercício, hãn.

e ela:
– É por conta do carnaval (risos)

Mas não era.
Era por conta dela mesmo, querendo ser Bonita mais
do que possível, querendo ser insuportável pro olho, querendo sexo, querendo Atenção, querendo
o mundo
mudo
na sua presença, eu digo
sobre o
físico. Sobre A bunda. Sobre A batata
da perna, especialmente.
Quando voltou pra casa estava morta de calor e pensou que iria tomar um sol antes do almoço, dava tempo, seria
bom.

Sua irmã, que já estava de saída, vestia meia, bota
Calça jeans
Casaco de couro feito fosse agosto, elas estavam em novembro.
E a irmã recém-chegada perguntou:

-Onde cê pensa que vai vestida desse jeito? Tá um calor danado lá fora.

-Tá nada, tá vento.

E a outra,
– Tá quente. Vou até descer pra tomar um Sol.

As irmãs continuaram discutindo sobre o Tempo, sempre tão relativo,
sempre tão diferente o jeito
que ele chega pra cada um de
nós.

E no dia seguinte, elas descobriram,
que a irmã agasalhada saiu sem casaco
e que
a irmã bochecha quente
Acabou almoçando
Sem
Descer pro
sol.

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Não dá pra entrar muito fundo em outra pessoa que não seja você

te vi cansado numa foto, alisei
você com os dedos já que, por hoje, não podemos ficar juntos.
Sinto saudades de alguém que dei 7 beijos e nunca transei. Mas sei o gosto que tem o seu dedo e sei que você vai muito ao banheiro. Volta
de cabelo molhado, eu não digo nada.
Mas sei.
Esse corte novo cê detesta, prefere mais curto. Eu prefiro assim e desde então não nos vemos há
dias. Talvez não nos veremos mais.
Ao menos
temos os nossos cachorros, nossos celulares, temos a
vida pela frente, ainda temos um pouco de água, o chuveiro aberto,
o bar da esquina. Podemos nos locomover pelas ruas sem morrer nenhuma vez já que, Estranho, nós continuamos vivos. Por quanto tempo não dá pra saber que
deus é um sujeito que Joga, mas por enquanto estamos
aqui.
Podemos
Pegar um taxi, sentir tristeza, matar a fome com um lanche, pelo menos a nossa, sempre as nossas na frente de tudo. Ainda podemos dormir até as oito e dizer no trabalho uma
Mentira à toa, perto das tantas que contamos
só no dentista. Ainda podemos nos mandar mensagens de texto, evitar o amor, se estiver no
começo,
Evitar a gravidez.
Duro mesmo será quando não pudermos mais esses tão poucos.
Você me perguntou, inclusive, queria saber se eu era livre. Eu disse:

-Ninguém é.

Você sorriu:
-Eu sou.

E pensa que sim porque escolheu não ter carro.
Eu entendo você como o homem mais livre que conheço e não duvido
do dia em que tu me disser:

– Comecei a escrever aquele livro.

Ele Terá cheiro do que já foi, terá um pouco de mim
e todas as outras mulheres que você já conheceu,
em
Maior ou
menor grau de
Convivência, não importa. Ainda que moremos juntos, ainda que eu leia todos os livros você me disser que:
-É bom.
Mesmo que eu ame a sua mãe, que eu te veja com medo, que cê me pague um taxi pra casa e não aceite os seus 120 reais de volta. Ainda assim, sempre seremos
dois estranhos.

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Não sabia que a minha rua era a sua casa

Te ligava pela segunda vez sem retorno, estava na frente
da sua
casa quando olhei pra janela do segundo andar. Você estava dentro,
conversando com alguém que
não dava pra ver, eu
só via você e só veria
mesmo
você
ainda que tivessem vinte e oito pessoas visíveis na janela. Cê me sorriu sem exageros,
sorri também, tentei um aceno
mas a mão não subiu inteira, no fundo
eu mal sabia que
raios
eu estava fazendo
ali, esperando alguém que não conheço pr`um
Almoço.
Erámos
(e somos)
estranhos, mas
como nos entendemos bem pra quem tem 1 dia de namoro.
Namoramos por 1 dia, melhor
que quase todas as bodas que conheço. Não houve sexo mas foi como se houvesse, nas nossas cabeças, e até hoje
imagino nossas transas bucólicas, transas caóticas, horas pelados tentando se encaixar, demorando,
fingindo que não só pra alongar
o amor, a cidade de palco, ao fundo
carros,
obras de arte, teu pai, a vitrola que você
não tem. Tudo no mundo devia
durar
apenas e
tanto
vinte e quatro horas. Mais que isso
não precisa, pra lembramos de certas tardes

é porque agora ele tem namorada

houve um tempo em que a gente se via todas terças e
quintas
pela manhã.
Fazíamos Inglês não na mesma sala
por isso
o nosso tempo
era tempo de
intervalo que
dividíamos sem mágoas com o pão de
Batata, ás vezes
um café.
Não me lembro quando
começamos a nos entender, deve ter sido eu, geralmente
gosto assim.
7 e meia da manhã antes do trabalho era o melhor horário do Dia, você de camisa, eu de ginástica.
Conversávamos sobre os Beatles já no
Let it Be e as músicas que não morrem nunca.
-Meus netos cantarão os caras. – você dizia gargalhando e eu achava aquilo
lindo. Falei do meu aniversario no dia do John, que
era terrível o fato dele ter morrido e falávamos também sobre literatura, entre um gole
e outro
no expresso. Eu disse:
-Você já leu Clarice?
Na escola foi a sua resposta e escolas estragam tudo. Explicam as coisas que são de sentir, dão
provas
que são Provas de tédio e por isso
você não gostava. Porque não conhecia e não foi culpa sua.

Te comprei um livro dela. Te dei embrulhado, mas
não era presente.

Foi numa
livraria que
Hoje em dia já fechou, o shopping mudou muito.
Você também,
depois de 6 anos. Te vi ontem do ponto, caminhando na rua com sacola de mercado. Você me viu também, inclusive
Já nos vimos outras vezes, moramos perto e
Sabemos disso. Mas sempre
um de nós
Prefere fingir que não. Escolhemos nos Ignorar mutuamente
e eu não entendo esse vazio que o Tempo
Faz
Com certas pessoas
Depois que
Passa
Um tempo. Deve ser pra existir
a palavra
Saudade.

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