Morreu na Mesa

Infelizmente no dia do Engasgo ela
estava sozinha.
Comia Melancia com a mesma
volúpia que chupava uma
rola, a moça
era Puta. De trabalho, porque
nas atitudes,
uma freira. Sempre Coesa, uma pessoa compacta, se soltava pelada apenas e quem poderia culpá-la? Tinha um corpo dos diabos,
cabelo, bunda, tudo. E tinha seus fãs, clientes
que ligavam pra dizer até
– bom dia.
ia
além do sexo, os seus encontros, era quase amor, ela
fazia amigos. E os atendia, no seu telefone azul. Marcava horários impossíveis, 6 horas da matina pruma Transa, não
negava cliente e
não era por dinheiro. Era porque ela sabia o quanto todo mundo estava sozinho.
Dava festas em casa, vez em quando. Reuniões cheias de homens, especialmente. Mulheres algumas, bem menos. E se divertia com pouco, com desenho
animado, uma música bacana, fazer a janta ou
comer melancia, sua fruta
preferida no mundo.
Nesse dia, de TV ligada, ela
cortou melancia na mesa.
E comia em grandes pedaços, sem cuidado, assistindo ao
noticiário da manhã. Sentia-se feliz de um jeito
estranho.
Passava violência no jornal, assaltos, canalhices. Eu poderia dizer que foi por isso que ela engasgou.
Mas a verdade é que
ela se engasgou com a sua fruta preferida no mundo e
morreu
em cima de mesa
por causa de 1 caroço
ou
pro’s mais atentos,
porque estava
muito sozinha.

A morte

pode ser besta também.

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o Balcão

Copos que passam de mão
em mão,
a mesma mão que usou sabonete uma ova quando
saiu
do banheiro pós-mijo.
Luz baixa, em alguns cantos
quase nenhuma.
As dores todas postas
no balcão
do bar
da esquina,
todos iguais e sempre
diferentes
ao seu modo
abandono
de ser.
Encontrar alguém na solidão fica fácil, ninguém ali
tem
coisa a Perder. Saem, de 2 em 2,
1 casal
a cada meia hora
pelas portas
dos fundos, sendo que
a frase final de
todos eles
é sempre:
-Vamos dar o fora daqui?
numa tentativa
infinita
de arranjar Testemunha pra
vida,
a sua vida,
pessoal e terrível.

O ser humano não tá pedindo muito.
Em qualquer lugar do mundo
Toda gente só
quer
Amor.