Propor(a)ção

o que pra uns é pouco
pra outros531266
cabe
o corpo

 

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A cena

Os dedos,
naturalmente,
querem muito tocar esses botões.
Não
precisa ser Poeta,
qualquer rústico escreveria cartas 
terríveis
de amor e de guerra, caso colocassem os dedos
nessas teclas.
Letra
por letra
as palavras se formariam no papel, é como uma Polaroid, tu
vê o resultado
da obra
na hora,
por isso o lixo
fica cheio de folha
escrita
pela metade.
Acrescente ainda nessa cena
uma cerveja
ou um vinho, a janela aberta
pro vento fazer carinho, um pouco de talento e
Bingo
temos meia dúzia de poemas imortais.
A cabeça
é de quem escreve,
claro.
Assim como os livros da estante.
Mas o coração tá
na Máquina, a única máquina
que tem Alma
no mundo.

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O Prego

da beleza das flores estão todos
cansados
de saber.
Ela é
linda, dizem,
desde a Grécia dizem, desde
o começo do Amor.
Mas
e quanto ao
Vaso, esse
pai
esquecido?
Flor não tem asa nem mão. Das que saem do jardim, das
adotas na Floricultura,
quem
segura
todas as barras?
Quem é o Discreto que sustenta o belo?
Quem é transparente mesmo se colorido?
O foco não é dele mas ele
não liga, não
há ego num vaso, há terra
ou
água, é como o chão do mundo e
ser útil
é tão comovente
quanto ser
bonito.

 

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(*ilustra by Leonardo Ramadinha)

Vinho do Porto

fiz um boquete de bufar

bochechas, daqueles que te fazem babar, respirar alto, perder a dignidade, lembrar-se do lado

animal de ser humano, devido ao

tamanho do pinto do meu amor.

Quero ser boa nisso

de

engolir e

chupar, de colocar pra dentro o que acho bonito,

meus sonhos,

a dependência de amar alguém e querê-lo em troca, eu chupei o pau do homem que amo e chupei o

Medo

de não casar

de não ter filhos

de não ser feliz ou que a felicidade seja só isso que sinto quanto vejo a brisa

cor de rosa

no céu de inverno.

Chupei minha falta de grana,

o terror em saber que

talvez

eu nunca saia da casa dos pais por não ter dinheiro ou por ser covarde demais,  tenho quase 27 meu deus, me sinto diante do incurável mal

da geração dos poetas malditos que não ganham um puto com a sua arte e pior, só sabem falar disso, do que não se tem, eu preciso de um apartamento pra mim.

Das coisas que não possuo, a maior é que eu gostaria de ser

Lida;

nos textos

no sexo

na engulição de pintos

que também é sexo, longe de mim

Limitar

Profundezas, os encaixes que fazemos de corpos, quantos ainda por descobrir,

Sexo é poesia na prática se feito

Consciente.

Deixa eu engolir teu pau pela vida inteira pra ver se entendo

aquele livro,

daquele poeta

Safado

que eu ganhei

de um amigo que disse

que aquilo era poesia difícil e se tenho dívidas, eu devo tudo ao Joca, meu professor

de literatura, que me disse um dia

depois de ler em voz alta um poema meu,

ele me disse que eu tinha uma maturidade poética maior do que a de muitos escritores editados por aí, ele

não devia ter me dito isso, ele

não devia ter me contado nunca, agora

eu quero

ser lida e quero ser menos

esquecida

do que meus ídolos foram. Quero descobrir também se a felicidade é mesmo só isso que sinto quando olho pro meu cachorro, quando assisto minha mãe contando do como ela conheceu meu pai pela milésima vez

ou

quando chupo teu pau como ontem, quero saber se a felicidade

é só esse vento na espinha,

esse sorriso curto

no peito, sempre um pouco triste porque voa ou

se a felicidade

tem a ver com o que ensinaram pra gente sobre ser Grande, lá na velha escola dos anos

90.

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*na foto, ilustração de Tracey Emin

ida

peças de um quebra
cabeça, todas
são importantes, veja, não é uma competição, é
uma beleza o grupo
trabalhando junto para o funcionamento
perfeito
da existência, mas
o Volante
é o olho da águia, ele
te guia com classe, sem barulho, só com o toque, não
precisa de força e não é a toa que tu
coloca nele as mãos, não
os pés, pés são passos do esforço de pernas, mas a mão
é a parte que voa, é
a alma do braço, a palma,
palmas,
ela que te traz o objeto de desejo, ela proporciona o toque, ela guarda e
te leva
sem esforço
pro’s caminhos que tu ouses
percorrer e quem bom
que ousas, por mais
Medo que dê
os Buracos, existe uma roda
gigante
instrumento de
caminho
chamada
Volante.

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(*na foto, ilustração de Tracey Emin)

é diferente por dentro

imagine uma cabeça

fora da cabeça, no

pensamento não há linhas, é como dar um corpo pra sua alma além do seu,

pode ser em palavra e pode ser em imagem, pode ser cruel e

pode ser bonito

se visto

de fora,

pode ser doce de uma quentura que

ninguém

jamais imaginou sair de

você, sempre tão sisudo em público, mas

por dentro

quanto sol! e o que importa

nisso tudo

é que a Coisa passada pro papel é Coisa Sua,

terrivelmente sua e, por isso,

é

genuína, um caderno desses não é feito pra ser útil, antes

ele é

feito

por

Amor.

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(*na foto, ilustração de Tracey Emin)