Trilogia

de todos os homens dessa última semana você foi o único que me convenceu. A vida está verdadeiramente muito frágil, qualquer dor que tenho no peito acho que é infarto, as

pessoas

estão vazias, tentando conquistar as outras da mesma maneira que tentaram conquistar a conquista passada, a velha maçada do amor com um plus de poder ficar sem sexo por no máximo 3 dias e só. Somos cães, ultimamente,

somos búfalos, fortes e

sem foco, eu

já vi homens mais bonitos que tu,

mais bem acabados, inclusive,

me

querendo

querendo me dar carona

me levar pra casa

assim como você tentou. Digo não pra todos, deslizo como desliza a mão nos azulejos, quero

tudo até o ter, quando consigo

desisto. Não sou nenhuma gata de beleza inesquecível, mas

confesso que estou numa fase boa, homens interessantes andam me dando bola e eu fui escolher justo você pra beijar na boca, foi

um beijo

Ótimo

um pouco rápido no começo mas

depois te mostrei meu ritmo e a gente flutuou, você disse que ia bater punheta pensando em mim essa noite. Eu disse,

– Para.

E também bati a minha pensando em tu, teus dentes preenchem a boca, meus dentes são feios,  esquisitos, mas você me disse

que eram bonitos

e que também

você dava sorte

com

Mulheres, do ponto de vista estético. É culpa do seu charme. É uma tranquilidade sua seduzir moças. Amei todos aqueles livros que você me deu, a cidade

é tão grande, dará tempo de ler cada um?, ainda há espaço pra poesia?, mesmo quando temos que pegar condução mas

ao invés

pegamos gripe?

E pegamos pessoas também, nesse compromisso social falido que chamamos de amor, hoje em dia tem até aplicativo pra descolar uma foda, e que tipo de foda seria essa quando sei a quantos metros exatos está a tal pessoa que penso que desejo comer? Ficou pior que pagar almoço por quilo, procuro a dignidade e não encontro, escrevo-te de

olhos fechados no computador, não preciso ver as letras, minha mente está em Ontem, compreendo o teclado de cor e vou jajá ao mercado

te comprar um vinho

e te ligar às 11, perguntar teu endereço, pra gente passar a noite junto como se fôssemos casados, dois estranhos num grau máximo de intimidade é a nova ordem, um amor

a qualquer custo,

quero teus dedos na minha boceta, enfiados, se movendo lento na minha dança molhada enquanto a gente se beija, você aos 38, eu aos 26,

faltando poucos dias pra copa

pra`s férias

escolares

pra aquele show que tu tanto esperava,

faltando 2 dias pro domingo, mais 1 domingo dos não-sei-quantos

ainda terei,

qualquer coisa pode esperar, não

acredito em

urgências,

exceto

quando digo

de Amor.Bild 4

rabisco

lua,
não é preciso ver pra saber que ela existe, tipo deus se 
ele 
existisse, se 
deus fosse 
menina seria a(deus) mas 
mesmo quando nos despedimos da lua
dormimos nela one way
or
another, a gente viu a mesma lua porque era a mesma noite e se isso
não foi um encontro, nada
na vida
se encontra, nem a música com o ouvido, nem o pelo com o sexo, o teu
sexo
sem banho
tem cheiro de
(uni)verso.

 

asa Delta

Trancar pra não
perder
sempre foi o grande lema de quem
ama, não
do Amor. Do amor,
nunca.
Engaiolar o Belo é Medo disfarçado de
hábito, é
empalhar sentimento em Banho
Maria, afinal o
Momento
é coisa que
nasce pra
morrer mais
que a gente, um Fugaz de vida flash mas
as pessoas,
elas
pensam e
pensando
chegaram numa solução interessante, um
objeto que
guarda e
exibe
o que de mais doce
já aconteceu.
Se até as
Dores
passam, imagine então os Prazeres, eles
não passam,
eles
lampejam.
É aí que entra a
máquina.
Depois,
a foto.
Depois um
guarda foto, só para as melhores, de codinome Porta.
As piores
ficam no álbum,
as melhores
abrem Saudade sem
chave
toda vez que
somebody
olha um retrato e
não esquece.

 

Fiu Fio

das cores
podemos só
escolher
meia dúzia
pra passar nablade-runner-tournage-polaroid-01
boca.
Podiam ser mais, podiam ser todas, o azul 
o verde
o banqueiro
o médico
todo mundo que quisesse passar batom que passasse
os feirantes, os rabugentos, imagine aquele puto brigando contigo de
batom, seria bom, seria
humano, minha avó, tua sogra,
passar cor na
boca devia ser decreto
pra antes das refeições, assim
a gente não esqueceria nunca do quanto existir é
efêmero, a Morte
estraga festas como um
guardanapo estraga
a pintura, esse
creme de
lábios,
amanteigado e
didático
devia ser also
democrático,
assim como
o Amor e também
Deus,
no dia do juízo
final,
deve
passar Batom pra
conversar com a gente sobre
suas
Sapecagens.

 

O Cigano

A gente gostava de Dylan juntos, tínhamos um bocado de coisas em comum como o

ketchup da

batata

frita,

uns escritos,

whisky na madrugada, os balcões de boteco de estrada e

sonhos.

Nesse mundo cão,

as semelhanças ajudam a gente a pertencer. Com ele eu Pertencia,

ele tinha a mania de viajar sem dar satisfação,

Largava tudo e saia de férias, eram ordens do seu

eu

lírico, ele sabia bem que um dia morreria e esse dia podia ser hoje, um pouco mais tarde, ou

quem sabe,

amanhã bem cedo

antes mesmo

do sol nascer. A maior parte das pessoas se esquecem da sua morte, ele nunca, usava isso como desculpa para as maiores revoluções, era

bonito olhar pro cara enquanto ele falava de certos artistas, Bacon, Jack London, quanto mais sujo ele estivesse,

mais sexy ele ficava, devia ter uns quarenta anos meu novo amor e se sei disso não é pelo rosto, mas pelos casos que ele contava. Ou era tudo mentira ou ele tinha quarenta anos apesar de aparentar uns 30,

não teria dado tempo pra fazer tanta loucura, como da vez  em que ele viajou por anos em cima de uma moto

ou quando ele deixou o cabelo crescer até a cintura,

o vi em fotos antigas com fundo

de poeira,  pedi

pra ele deixar crescer de novo, o Cigano balançou a cabeça positivamente, não negava favores pras suas gatas.

Ele era do tipo de cara que parava pra ouvir um jazz num boteco qualquer

no matter who was waiting for him

at home.

Aliás,

Pra ele,

home was as dead as Good.

O cigano conhecia o mundo por terra, nada de aviões e sucos de latinha, odiava paparicos dos puxa

sacos, com ele

eu tinha de ser séria no amor,

o que sentia

eu dizia no duro, ele não gostava também de cerimonias. Por

isso

casamos de couro em cima da moto

cruzando fronteira com  o México, cabelo ao vento,

a gente se pediu em casamento, eu sei

é

bastante old Fashion pra dois malditos

irrecuperáveis

como nós, mas qualquer esponja de aço tem seu dia de algodão. Nessa noite, eu me lembro, a gente trepou no mato, uma formiga picou minha bunda, ficou inchado, parei no médico, tomei uns lances que me deixaram com mais tesão do que de costume e eu fiz meu homem chupar-me o cu no meio do posto de gasolina, ele

fez

ele fazia

tudo que eu pedia, me amava,

eu tinha dado sorte nessa, até que um dia

ele me disse:

– Vou viajar e dessa vez você não vai. Quero ficar sozinho.

Eu disse:

– Claro. Também preciso.

Mas precisava uma ova, estava Amando brutalmente esse sujeito e achei que ele

Nunca mais sairia de mim.

Seis anos se passaram feito vento, o Cigano nunca mais me ligou. Fiquei sabendo por outros que agora

ele tem um filho

com uma loira peituda e ex

modelo,

me pergunto se ele está contente com a vida burocrática, espero que não e que um dia

ele me procure.

Daqui, vou  levando

sempre um pouco mais triste e estava certa quanto a ele não sair de mim nunca mais, são tantas as noites que bato uma pensando nele. Depois eu choro e levo pra cama todo e qualquer sujeito de cabelo

comprido,

uma hora

dá bingo.

 

madmag-2

 

Pausas são luzes

um
não-se-perca-no-mundo-das-Letras, é como na vida
numa
cidade turbulenta mesmo que boa, é tanta coisa, tanto som, tem horas que a gente
não aguenta, é preciso desistir por hoje, vem o sono, o carro, compromissos, os
chamados
pra existência
burocrática, a gente
é obrigado
a parar
mesmo quando não
queremos
nem
um pouco.
Mas calma, o
marcador
te guarda a página,
a última,
e caso tu tenha vários,
eles
podem marcar teu lugar prefiro no mundo daquele livro e quem disser
que ler
não carece de ajuda
está louco
no sentindo da falta de entrega
no ato
de entrar em
contanto
com as palavras de um poeta

Gérard-DuBois20-500x508