Mercado de Pulgas

(ao som de Simon & Garfunkel)

 

 – Cê transa de música?

De vinho, o corpo é mais importante. O quarto também, os lençóis de flores jogados com cheiro de sexo. Fundamental é não lavar os lençóis. Nunca.

Conheci o sujeito ao acaso. Ele gosta de erva e

de bike, cultiva um bigode bonito à lá

Salvador

Dali.

De mochila nas costas ele é um Artista no vulcão

ininterrupto

da Cidade.

Discute deus de camisa aberta e o Amor em copo de cerveja. Abaixo as formalidades!,

tô dentro

mas

ele

é diferente dos

diferentes.

Fico nua quando a gente conversa, é

erótico mas

é político também.

Esse sujeito sabe contar história com foto, ele

faz poesia com imagens e é assim mesmo que literatura deveria ser. As pessoas nunca foram

tão pessoas

quanto nos retratos dele. Se por culpa da erva ou do dom eu não sei mas

ele

indiscutivelmente

carrega uma  conexão magnética com o mundo e

o canudo

é o Sexo.

Pra melhorar, ele vive me mandando foto do pinto.

A tora é rosada e limpa, apesar dele dizer de não tomar banho all

The time.

Quando toma,

me contou que passa shampoo no saco.

Ele tem umas quinze namoradas. Me quer no grupo, eu disse:

-Calma.

Foi charme, na

verdade

quero penetrar no grupo

apesar de que

no clube das suas mulheres,

definitivamente,

ele é o rola-rei. Tem um ego absurdo, o moço, mas

qual atravessador de séculos que não tem? Hemingway, Miller

Johnny Cash.

Esse sujeito também vai perdurar, pressinto. Quero chupa-lo, beber um pouco do seu talento, deve ser neblioso o gozo do Bigode, melhor que whisky, melhor que muito escritor de merda que eu conheço.

Convidei-o pruma transa sem música. Ele disse:

– Tudo bem.

E no dia combinado bebemos todas, menos erva. Ele chupou meu pelos, lambeu meu sovaco, nunca nenhum homem tinha chegado tão longe comigo. Daí

eu

caí

de boca, o pau tinha gosto de maçã.

Eu disse:

– Tu toma banho, né, seu puto? Cê toma banho todo dia.

Ele sorriu e pediu segredo. Depois brindamos com chá. Ele

Jogou os lençóis  pelo quarto e pegou a máquina de foto, a gente tava num hotel

de quinta. Começou a tirar fotos minhas. Dizia:

-Linda. Isso. Vira de costas, deixa eu ver tua bunda.

E me beijava, vez em quando, durante os cliques.  Eram beijos curtinhos, de língua

preguiçosa. Depois o Bigode foi embora, 1 de suas 15 namoradas estava ligando. Eu

não farei o mesmo,

não ligarei jamais.

Quero

ser diferente

das

diferentes, apesar de que penso estar sentindo aquele vento que se sente quando a gente

se apaixona.

Imagem

 

(*foto via  zmftw)

 

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