o feito

Vida

dividida

em contra

passos,

a matemática

define em partes

a existência

o

relógio é Senhor dos Espaços,

na parede,

no braço e

nos casos

mais graves, dentro da cabeça da gente, tic

tac tic

tac

corre que a vida

tem prazo

chegou o minuto

exato de

ver-te

comer-

te

nós

dormiremos em cima das horas, não há nada mais bonito do que a falta de compromisso, isso

se chama

Liberdade e só o Amor é capaz de parir um tempo

sem

registros

t           i       c

t                            a                             c

bom mesmo é ponteiro virando

bússola

reka_koti1

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Margarina

Feriado,

um porre.

Quando as pessoas estão de folga

elas não sabem o que fazer por si mesmas, ficam perdidas indo pra piscina com boias de verão

e veem

pela primeira vez em anos

o corpo

em sunga

de seus filhos.

Se assustam, acham que os pequenos cresceram rápido quando

na verdade

Longa tem sido a

Ausência e a jornada de trabalho. É uma espécie de salvação, se manter ocupado,

é conservar-se distraído

algo muito válido aos untados-de-medo em assumir que a

vida

é apenas isto,

essa tragédia sem heróis ou

portas que se abrem sozinhas, a maçaneta só move com o seu toque, não se iluda que

a ilusão

é o pior dos

demônios. Pro homem que entende isso e não reza, pra ele eu sirvo um café. E abro a porta de casa. E mostro-lhe meus livros preferidos.

Feriado, que

Maçada.

Há quatro anos,

eu estava fazendo as mesmas coisas num dia como Este.

Muda pouco,

A vida.

Quando dizem que:

– Muda bastante.

É  pra

evitar o

suicídio

coletivo.

Eu mesma, nunca tentei. Costumava acreditar nas propagandas de margarina, na tele sena, nas promessas de casamento que meu homem

fazia

quando tinha vontade de

comer

meu cu.

Hoje, já não consigo acreditar em muita gente e

nem me importo, really. Talvez essa seja a única coisa que tenha mudado ou

quem sabe

eu só esteja sendo mais honesta comigo mesma.

Do que me resta, ainda acredito em chá,

Virilidade suficiente naquela água quente

e colorida

apoiada numa xícara pra`s  visitas se sentirem bem

quando sentadas num sofá que não é delas. Passamos a vida fazendo isso, sentando em sofás que não são nossos. Acho bonito, me parece de uma coragem tão comovente

quanto

a Morte.

Também nos poemas de Bukowski eu acredito, aquilo sim tem alguma mágica , o brilho da velha escola e não nesses textos lotados de discurso de merda, se ao menos levássemos os versos ao pé da letra. Qual o quê.

Gastamos os dias dizendo, mas

de ação,

colocamos bem pouco

A mão

Na massa. Eis a sina do escritor, já dizia Miller. Se o cara fizesse metade do que diz, ele não precisaria estar escrevendo sobre isso.

Sinto-me Farta da vida.

No entanto

me alegro com pouco esforço, se me chamarem pr`um almoço noturno

eu vou e falo

groselhas,

até começo a achar o feriado bacana a beça,

melhor que trabalhar

o tempo

todo.

O cinema está lotado.

As igrejas,

cheíssimas. Cada um busca a resposta que gosta e não a que precisa.

Às vezes

penso que a vida pede mais do que sentido,

ela carece de

algo

melhor que

isso. Como o Humor, por exemplo.

Ter Humor

é possuir um kit de sobrevivência

no meio

da Floresta: não garante a vida, mas te faz acreditar que sim.

Eu tentaria

– em vão –

um suicídio. Por hora,

neste caso,

ainda prefiro  falhar.

 

robert-frank-_belle-isle_-1955-dia-no-t2008-821

 

(*foto de Robert Frank)

O Conselho

um faroeste dedicado às dores

das mulheres malditas

 

Falei pra ele:

– Esta noite é sua, baby.

Ele me ouviu obediente. Devo ter dito a frase com bastante convicção,  talvez por culpa do álcool que rondava meu corpo.

Devo ter dito tudo alto demais,

sexy demais durante o fumo do charuto Cubano.

Dançamos colados, eu

estava apaixonada e

depois

fui embora, tinha que passar no aniversario de outra amiga.

O problema

é que

ele levou muito a sério o que eu lhe disse, achou mesmo que era Dono da Noite, um pouco também por culpa do álcool,

sempre o álcool e

quebrou tudo no bar, xingou o gerente, se revelou um novo sujeito muito mais interessante. Fiquei sabendo por amigos. A história ficou bem famosa na cidade, quem não conhecia o troublemaker ou estava morto ou

era surdo, o bom de interior é isso,

1 copo quebrado e voilá

tu

vira

popstar. Pouca coisa acontece em cidade  pequena, até chuva passa só de vez em quando e as mulheres querem sempre a mesma coisa: grana. Pode ser fama também, meu amigo

ficou famoso

naquela noite,

quebrou cadeira,

bateu num puto 3 vezes maior que ele,

roubou whisky,

mijou na pia,

a mulherada

ficou maluca.

A policia chegou, ele se intimidou o cacete.

O garçom apontou:

– Foi esse o cara que estuprou a loira.

Meu amigo argumenta:

-Nem tanto. Apenas comi a gata sem ela querer. E outra, a loira gozou.

Os policiais deram risada, a loira também e o meu amigo lascou um soco na beiça do garçom dedo-duro.

A loira

tinha gozado e quem poderia culpa-la, esse meu chapa ficava tremendamente sensual quando estava sanguíneo e no fundo

eu tinha me arrependido do conselho que lhe dei. O deixei famoso na terra das víboras, que burrada, ele acabou virando o

Pica-de-ouro.

Eu,

Enciumada,

dizia:

-Sou a mentora do Pica.

As pessoas riam aquele riso escrachado dos bêbados, deus, como eu odeio esse tipo de gente. E respondiam complacentes:

– Claro, guria. Claro.

Tomar no cu. Estava cansada de não ser prezada pelas coisas que fazia. Decidi tentar chamar alguma atenção já que esse meu amigo nem ligar ele me ligava,  estava ocupado demais comendo 90 por cento das mulheres da cidade. As que sobravam ou tinham mais de 60 ou

eram da família,

menos as primas que prima não é parente e quando digo que esse cara era um perigo, I

mean it.

Também não o culpo, ele não comia mulher há tantos anos e tenho minhas dúvidas se ele não perdeu o cabaço com a loira do bar no dia do conselho. Me deve mais essa, o maldito. Fui à casa dele. Por sorte

ele estava. Atendeu a porta apressado, acho

que ele pensava

que eu era outra

Pessoa:

– E aí, Pica! Esqueceu das velhas amigas?

Ele ficou me olhando.

– Vim cobrar pelo conselho daquele noite. Te ajudei como se ajuda um filho na merda e tu nem me cumprimenta direito quando me cruza na rua. Qual é a tua?

– O que é que tu quer? Dinheiro?

Não.

-Então o que? Meu carro? Aquele vinil roubado?

– É, até que teu carro não seria uma má ideia, mas não. Eu quero o teu pau.

– Sério? Mas… eu não posso te comer, cara, tu pra mim é quase uma irmã.

– Quase, mas, não sou.

Ele ficou em silêncio.

– Ao menos tente, seu puto, se não espalho pro mundo que cê é um viado de merda.

Aquilo o deixou furioso, eu adorava quando ele ficava assim. Me beijou de língua grossa, me agarrou pela bunda e me levou pro seu quarto. A gente foi tirando a roupa nos corredores, fazia tanto tempo que eu queria aquele homem. Uma pena ter sido na base da chantagem mas, pelo menos

consegui o que queria. Ou achei que conseguira porque

Na hora

H

O Pica de Ouro

Não foi nem de lata

Nem de bronze. Me disse:

– Não consigo, cara, tu é minha amiga.

Aquilo me deixou emputecida.

-Então pra me comer eu sou sua amiga, ne, puto? Agora pra me cumprimentar na porra da rua eu sou uma estranha?

– Calma, pô, eu tô exausto, a culpa não é sua.

Ficamos em silêncio por um tempo. Depois ele me disse, visivelmente aborrecido:

– Ou talvez seja caralho!  Tu nunca foi meu tipo.

Olhei pra ele incrédula. Eu fiz tudo por esse cara. A gente é amigo há mais de 10 anos. Já emprestei dinheiro, já perdi foda, deixei o cara famoso,  já fiz até

mercado pra ele e

quando peço em troca

uma simples trepada

ele tem a pachorra de me dizer que eu não sou a porra do seu tipo?

Não pensei duas vezes.

Desci pra cozinha, procurei nas gavetas a faca de churrasco. Achei. Voltei pro quarto com ela nas costas, ele já estava assistindo Futebol. Cravei-lhe rápida a metálica no peito e pensei que os homens

todos

não valem o brinquedo que guardo

na gaveta.

tn_FrostLynn_CountryGirl

 

(* foto de Lynn Frost)

Escada

Depósito de cabeças cansadas ou
preguiçosas
o que

quase
na mesma.
No duro
o leve.
De roupa
só fronha ou
nada,
apenas o macio que guarda
aquele velho
cheiro
de-cama.
No cinema e na vingança
ele também pode Matar, não há pluma que não seja perigosa, eis o charme
nada muito doce
tem muita graça.
Mas isso de morte é coisa de humano, espuma não fere sozinha. De função que é só sua,Travesseiro
de sonhos
é
Travessia.

 

 

 

Mercado de Pulgas

(ao som de Simon & Garfunkel)

 

 – Cê transa de música?

De vinho, o corpo é mais importante. O quarto também, os lençóis de flores jogados com cheiro de sexo. Fundamental é não lavar os lençóis. Nunca.

Conheci o sujeito ao acaso. Ele gosta de erva e

de bike, cultiva um bigode bonito à lá

Salvador

Dali.

De mochila nas costas ele é um Artista no vulcão

ininterrupto

da Cidade.

Discute deus de camisa aberta e o Amor em copo de cerveja. Abaixo as formalidades!,

tô dentro

mas

ele

é diferente dos

diferentes.

Fico nua quando a gente conversa, é

erótico mas

é político também.

Esse sujeito sabe contar história com foto, ele

faz poesia com imagens e é assim mesmo que literatura deveria ser. As pessoas nunca foram

tão pessoas

quanto nos retratos dele. Se por culpa da erva ou do dom eu não sei mas

ele

indiscutivelmente

carrega uma  conexão magnética com o mundo e

o canudo

é o Sexo.

Pra melhorar, ele vive me mandando foto do pinto.

A tora é rosada e limpa, apesar dele dizer de não tomar banho all

The time.

Quando toma,

me contou que passa shampoo no saco.

Ele tem umas quinze namoradas. Me quer no grupo, eu disse:

-Calma.

Foi charme, na

verdade

quero penetrar no grupo

apesar de que

no clube das suas mulheres,

definitivamente,

ele é o rola-rei. Tem um ego absurdo, o moço, mas

qual atravessador de séculos que não tem? Hemingway, Miller

Johnny Cash.

Esse sujeito também vai perdurar, pressinto. Quero chupa-lo, beber um pouco do seu talento, deve ser neblioso o gozo do Bigode, melhor que whisky, melhor que muito escritor de merda que eu conheço.

Convidei-o pruma transa sem música. Ele disse:

– Tudo bem.

E no dia combinado bebemos todas, menos erva. Ele chupou meu pelos, lambeu meu sovaco, nunca nenhum homem tinha chegado tão longe comigo. Daí

eu

caí

de boca, o pau tinha gosto de maçã.

Eu disse:

– Tu toma banho, né, seu puto? Cê toma banho todo dia.

Ele sorriu e pediu segredo. Depois brindamos com chá. Ele

Jogou os lençóis  pelo quarto e pegou a máquina de foto, a gente tava num hotel

de quinta. Começou a tirar fotos minhas. Dizia:

-Linda. Isso. Vira de costas, deixa eu ver tua bunda.

E me beijava, vez em quando, durante os cliques.  Eram beijos curtinhos, de língua

preguiçosa. Depois o Bigode foi embora, 1 de suas 15 namoradas estava ligando. Eu

não farei o mesmo,

não ligarei jamais.

Quero

ser diferente

das

diferentes, apesar de que penso estar sentindo aquele vento que se sente quando a gente

se apaixona.

Imagem

 

(*foto via  zmftw)