Tamanho GG

dor deve ser vivida na vertical

Conheci um homem gordo que tem sugado todo o meu tempo.

Ele bebe, é

terrivelmente sexy

e mora na casa dos pais. Me diz umas verdades

sometimes

mas nunca fala de comida, é gordo por

fatalidade, não que eu ache

isso um problema mas ele

sim.

Pra mim, problema mesmo é meu amigo ter morrido aos vinte e poucos. Nem nos despedimos, queria ter dito algo como: Até breve, um dia eu também morro e, segundo os santos, a gente se encontra,

mas

eu acho que não.

Me soa

improvável esse lance de vida após a morte, pra acreditar nessas coisas eu precisaria de um copo de whisky. No seco

não engulo

história pra boi dormir. É tudo refresco de dor,

uma polida no sofrimento pra gente conseguir continuar sem desistir.

Quem morre

tá morto e isso é que é um Problema, não a gordura do homem gordo, terrivelmente sexy

que tem sugado todo o meu tempo. Falei isso pra ele. Disse:

–  Tem coisa pior do que não enxergar o próprio pinto.

–  Fácil pra tu dizer isso, tua barriga é mais dura que meu pau assistindo Silvia Saint.

– Que exagero, baby.

Esse cara entende pouco de mulher, mas

entende bem de literatura. E às vezes  gosta do que escrevo. Mas diz que me falta um preto,

tem frase que eu sou muito cor de

Rosa.

Será que a morte do meu amigo era o que me faltava?

Porque

por hora

não tem cor pastel em mim.

Ou será que preciso de mais mortes pra escrever sem dedos sobre as coisas que devem ser ditas?

O gordo contou que quer me comer algum dia. Eu:

– Tudo bem.

A gente conversa sobre cachorro e música, cinema

quase nunca.

Ele tem um ângulo inédito de ver as coisas, uma sabedoria natural que me dá o maior tesão. Por causa dele tenho vontade de fazer amor com todo homem acima do peso que vejo na rua.  Só não queria morrer cedo, para conseguir experimentar tudo o que preciso pra ser uma boa escritora. A merda é que a morte do meu amigo, além do rombo, me deixou com um medo danado da Vida. O que eu mais quero no mundo é ser escritora e, se eu morrer agora, nunca saberei o que fui. Quando perguntam do meu trabalho, digo:

-Eu escrevo. E sou atriz.

Sendo que não atuo há 5 anos e escrevo todo santo dia. Qual é o lance? Porque uma coisa eu Sou enquanto a outra eu só Estou? Se for por frequência, sou um milhão de vezes a mais escritora, mil anos luz na frente dos palcos. Me acostumei a ter o rótulo de atriz, me cai elegante.

Escritora Pesa,

é um parto,

mas eu aguento. Porque quero dizer forte de amor e de morte, além do sexo de cores flutuantes. São as únicas coisas que realmente importam,

afinal.

Enquanto isso não acontece,

Tento e Transo, pra aprender das pedras um caminho e pressinto que fazer amor com esse Gordo trará um bocado de humanidade pro’s meus textos.

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