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Ele me chama de Mulher e me convida prum los_angeles_16800
Whisky.
Diz:
– Vamos, eu te busco e tal, por onde você anda? Onde você mora?
Não sei onde moro, amor. Deveria morar na minha casa, mas lá é o lugar aonde eu menos moro e,
por vezes
me pego pensando sobre o quanto eu seria Mais-eu se morasse
Mais-só.
Ah, o sonho da Liberdade, essa mistura maluca de coca-cola com sucrilhos.
Sempre tão impossível e tentador
bonito
e interessante.
Meus lençóis, meu sabonete. Como eu queria uma privada só pra mim. Já diz o nome,
P r i v a d a: não é coisa pra se dividir com ninguém.
Juro que daria tudo pra dormir no sofá e
não ter alguém pra me tirar dali, dizer pra eu ir pra cama, desligar a tv, escovar o dente. Tenho 25 anos, porra, e minha família não me respeita.
Na minha casa eu me masturbaria até na cozinha e quase que já me vejo tomando um café na varanda do meu futuro apartamento.
Meu canto seria uma constante de mim. Lá
não entraria ninguém que não fosse do meu agrado. Mulheres dormiriam na sala, Homens tomariam banho, poucos cagariam, muitos comeriam e minha parede seria
menta.
Eu teria uma vitrola e um fogão de 65, tapetinhos cor
De creme
E cortinas
Muitas cortinas pra praticar meu esporte preferido, o
Isolamento.
A cozinha teria quadros e a sala
nada,
acho,
só a vivência dos amigos
e amantes.
Não,
ninguém mandaria em mim. Eles
nem teriam esse direito. A sagrada boca da minha mãe se calaria, enfim.
Tudo
dependeria
apenas
de mim.
Que tesão meu deus eu quero muito mas sou artista e
por minhas poesias
Ninguém paga um puto.
Dizem:
– Do caralho, Aline, do caralho!
Mas não é de caralho que se vive um homem. Ou talvez
Seja.
O fato
é que não pago nem as contas do mercado. Moro com gente
que me abafa, que não me assanha nem nas cores
nem nos volumes.
Tudo é emprestado,
Atravancado, Até a geladeira e o papel higiênico. A toalha de banho, o cheiro.
Outro dia mesmo um cara me disse:
– Pô, gata, vamos fazer umas fotos? No estilo sexy intimista, bora?
Eu:
Não sei não, hein. Não tenho corpo pra isso, mas tenho uma imagem a zelar. Como é que fica minha vida acadêmica? Meus alunos vão querer me comer. E outra, onde faríamos essas fotos?
– Na tua casa, ué. Por que não?

Por que não?!
Tu
não entendeu porra nenhuma do que eu disse aí em cima, né, irmão?

Maria

Imagem

Não volta, aquele dia
E a gente não se vê faz tanto tempo, desde janeiro, aposto que tu lembra do jeito que trocamos de roupa no carro, da minha barriga e
da sua e do nosso completo
Abandono.
Agora é setembro e algumas coisas mudaram, não muitas. Ainda martela em mim a angústia por termos perdido a chance de dar
um beijo sem vícios.
Besta, eu e tu.
Desperdiçamos
um encontro
De bicos
Suor
E seios,
4 seios
pelas minhas contas.
Te imagino seis da tarde quando vou tomar banho, mas tenho vergonha
de te chamar para um chá,
quiçá
prum museu
ou pra alguma galeria muy maluca,
não importa.
Me importa só o seu corpo
que não é magro nem gordo
apenas miúdo.
Amo
seus grandes olhos verdes, que ficam amarelos quando tu toma um sol. É tipo folha
seus olhos.
Tipo planta, mas confesso que nunca chamei mulher nenhuma prum cinema, nem mesmo
as mais interessantes.
Não sei como funciona vocês, se preciso de mais perfume ou de Menos maquiagem. deus abençoe sua bunda e talvez eu precise

de mais um copo. Mais um gole,
Maria,
e eu te chamo
pra sair.