Eu devia ascender um cigarro

 

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que eu não fumo

importa pouco

muito pouco

 

do cigarro

não quero

o trago

quero o tempo da fumaça

pra poder pensar na vida

com mais graça

antes que a rotina engula o ócio. 

 

o tempo da fumaça

me interessa

que eu não quero já ter pressa

nunca mais.

Tava de choro pisado

Sufocado e amarrado

por dias

só porque não havia

um tempo bom pra chorar.

 

Rezo, pois, pra Dionísio

Por uma vida vagarosa

e sem juízo.

 

Já que o pódio

em mim é tédio

eu fico com café de coador.

Em vida mansa, um livro pleno

deitada numa rede de tricô.

Fale menos, sem alardes.

Não me avise mais

se é cedo ou tarde

que só o tempo do sonho

me interessa.

nunca o prazo.

nunca o raso.

 

do cigarro

não quero o trago

quero a metafísica

 

 

 

 

E quero teu pelo nu,

Prum sexo de nuvens gordas

Que o corpo aprende lindo,

mais lindo

do que a mente.

 

 

Na fumaça do cigarro que não fumo

a Angústia e a Augusta

me lembram bem você.

 

Se era amor

Baby

Sempre ainda o é.

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