Os 10 mandamintos

estar sozinho
tem lá a sua carga
de ludicidade.
precisamos todos
aprender a nos bastar.

Se não
a vida vira feira
a amizade vira cocada
o amor
vira casas Bahia
e Deus tá muito ocupado

Não temos o amigo para não nos sentirmos sós.
Sozinhos seremos sempre,
Não se engane.

Não temos o amor para não sentirmos solidão.
Solitários morreremos, camarada.

However, não se aflija: se acostume.
Os amigos e amores
são encontros,
não estepes.
Não se apoie,
não se prenda
nem se culpe
porque Deus anda muito ocupado.
Antes se baste,
camarada.

NO BANHEIRO

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Com esses ventos laterais mais gelados e depois de ouvir tão doce as coisas mais lindas do Amor, choro um choro importante. Um choro de lágrimas nada cotidianas. Choro de borrar o rímel a prova d’água, mas não a prova ‘mágoa. Dramática? Não sou.
É só que o Amor é coisa tão bela que dá vontade de chorar. O amor é vasto, mas cabe num sorriso. Cabe num poema. Cabe numa teta. 
E quando o Amor nos impulsiona a fazer algo que há tempos não fazíamos? Tipo andar de bicicleta ou voltar pro curso de fotografia? Volvemos, pois, vamos amar!
Entro no chuveiro de cabelo preso. Há tanta metafisica no banheiro.
(O Amor e a Vida? São casados, desde os gregos.
(Sobre Deus? Se preocupe, ela existe. É filha caçula da Vida e d’Amor. Nasceu em meados de 70. Não conheceu Hitler, mas assistiu many movies. 
(O Sexo? Também, irmão da Deus. Tudo da mesma família. 
Saio do banho. Atoalhada, janto sozinha á vapor. Choro na cozinha enquanto assisto abobrinhas na TV. Dramática? Não sou. 
É só que, poxa meu! Sou gatinha, inteligente, moro em bairro nobre, com padaria e farmácia na mão. Pago meus estacionamentos em dia, vou a partys e etc e etc 
e etc. 
Mas acontece que não sou. 
Não sou, simplesmente.
Não sou em nada. 
Não sinto, só minto.
Acho que faltou dar bom dia pros vizinhos, no elevador. 
Faltou Amor e o meu banheiro 
não tem porta.
Não, não conheci o mar. Mas li many livros about it.

 

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Falácia

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O Amor não é posse

nem pose

nem paz.

Não é conveniência

nem ego

nem vício.

Não é perda

nem ganho.

Não é saudade

nem cíume

nem fome.

Não é tesão.

Não tem idade

ou orifícios.

 

O Amor é feito

de saliva

não de gozo.

 

É que o Amor, amigos,

é antigo.

Pergunte em sonhos, pros seus ancestrais.

Déjà Vu

esse café (que a gente nunca toma)

esse beijo (que a gente nunca )

esse encontro,
que a gente marca
e nunca vai.
sempre esquece.

esse segredo,
que nunca escondo
e te conto
em contos
de fada.

essa música,
que nunca lembro
em tropicalias e sois
de dezembro 
 
aquele documentario
daquele astro
naquela praia e 
esse abraço,
que a vida promete

mas nao cumpre

que vira tédio
que vira vodka
que vira vozes de
cuidado amigo, pois
a morte 
não avisa 
nunca.

234 km

Em uma Polaroid 
de geladeira, 
lá na casa da tuavó.
te vejo beira praia. 

fim da tarde
onda leve 

Naquele tempo, 
não existia 3G
ou banda larga. 
Mas tu sorria, mesmo assim. 

E depois de vinte anos
te constato igual a antes. 
Tu? (risos)
Não mudou nada.

Filho do sol, teu hoje 
fuma & reclama,
mas não me engana 
com sorrisos de areia..

cê não passa de um garoto,
away from home
que me pede em casamento 
de duas a três vezes por dia.
Eu digo 
que ainda é cedo

temos tempo.

Pensa que me assusta com olhos
De cansado? 
cê não passa de um moleque exausto.
cresceu rápido demais.

Teu sonho?
morar nos lábios da mulher amada 
que cê buscou no mar e perdeu: veio pra cidade

Mas acontece, amor,
que as águas daqui 
não são 
tão 
salgadas
e dá vontade de chorar.

Você?
é só um moleque 
away from home.

O nome do teu choro 
é saudade.

 

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