O amor é sexualmente transmissível

diego 4

Vou te abrir meu jogo:
eu ainda te amo.
Te ver, em plena sexta feira, foi um tapa na cara.
E te sentir estrangeiro
(te conhecendo do avesso)
foi um túmulo.
Morri um pouco, amor.

Já no caixão, a vida me parece tão sádica.
Juntos, vimos vinhos e bossa.
Ficamos nus, te dei meu sexo.
Tu provou meu gosto, me chamou de sua.
E agora?

Agora nos restou apenas essa vergonha amarga de encarar os olhos.
Essa cabeça baixa.
Esse sorriso curto.

A vida é engraçada…

Passávamos dias de utopia há pouco tempo atrás.
Mas hoje já não consigo mais imaginar
a gente together
nem prum café

Leio nossas cartas
Poemas
Abraços
Em que lugar da dor a gente se perdeu?

Acabou,
eis tudo.

Sobreviverei a essa morte efêmera.
Eu sei.
E só que a sua saliva faz uma falta danada na minha dieta.
Minha alma está gorda sem ti.

Queria tanto te esquecer e voltar a ser feliz.
To tentando, mas não está mole.
Tuas marcas continuam abertas
e ardidas.

Enquanto isso,
você toca sua vidinha
sem Mágoas.
De boa.

Vai pra praia,
curte um samba.
E me enterra
no bolor do passado.

Te ver hoje foi a pior ideia que tive em anos.

acabou
(eis tudo)

Mas
e essa dor aqui que mata…
Não acaba?

romance do século vint’ um

Digo que não te quero
e etc.
 
 
Mas meu corpo,
teimoso,
roda de desejos
por ti.
 
 
Gozo no efêmero.
 
 
te telefono.
proponho um abandono
e você ri.
 
 
Molho a calcinha
e nego,
pudorada.
 
 
na estrada da lua,
você me sorri.
E me lambe
toda
ao som
de Queen.
Ai, o amor…
 
 
O amor é tão last year!
 

Acabamento

Você tava certo.
Algumas decisões
mudam o curso da vida.
 
 
Eu achava
que poderia te esperar
pra sempre,
como velhos amantes.
 
Qual o quê!
 
 
Depois de meses,te vi ontem
no banco da praça.
Tomei um susto,
fiquei sem ar.
dobrei a esquina
pra não te encontrar.
 
 
Foi muito triste, baby.
Tive a impressão de que você
era um estranho.
Um estranho, depois de tudo que vivemos.
Tive náuseas.
Mal te reconheci,
vendo- te assim,
nos braços de outra.
 
 
Você tinha razão,
não é tão simples.
 
 
Desculpe,
não me culpe.
Só saiba que não te espero mais.
Teu amor já não cabe nesta mulher que me tornei,
depois que você partiu.
 
 
Sou outra.
E te perdi naquela noite
em que não dissemos adeus.

Imagem

2.5.

Imagem

Quando eu era menina, 

sonhava a vida

sem morte

ou mau humor,

ceticismo ou pudor,

moralismo

ou trabalho.

Estava lúdica

por culpa dos livros

e da tv. 

 

Já lúcida,

visualizo o câncer:

na vida, um dia,

se morre pra sempre.

E isto, nenhum livro do Lobato

me contou.

 

Enquanto ganho

vergonha de bunda

( e perco a fé no universo)

uma ruga fina

brota meio a tanta testa.

E florece, gerando versos

e má digestão.

 

Imagem

O bafo da morte

Nesse véu de cores que es mi vida, sinto-me feia de tão crua. Vejo o brilho dos outros, o milagre das coisas e me sinto tão mini. Não passo de um close, em preto & branco, meio a tanto universo.

Olho o mundo, cheio de belezas e feitos.  Um mundo de sucesso e de heróis. E eu, sem penny no banco, magra no ranço, nunca entendo a piada. Numa roda de amigos, detecto sorrisos que aos poucos se transformam em gargalhadas.(tão vazias quanto meu bolso)

Desconfio dos outros

(e de mim.)

Somos ocos. Falta vida, mas sobra barulho.

As pessoas andam rápido, têm pressa. É que a morte não demora. Só o Amor pode esperar. O chefe, nunca. E é tanto trânsito, tanta luta, pouca bike, e muita ânsia, tanta lágrima e muito sangue,  tanta pressa, muito umbigo. Pouco olho e pouco tato. Muita grana, pouca alma. Culpa do tempo, que é curto. E da morte, que tem fome. Mas o amor pode esperar, e espera.

O chefe, não.

Olho-me no espelho, humana que sou. Hoje é sexta feira, tem balada no Itaim. Passo batom, penteio o cabelo.  Tento uma versão bonita de mim.

Já pronta, miro minha imagem, que pouco convence. Mas meus amigos dizem que estou pro pecado. Uma ova. Não tem batom no mundo que salve o ranço d`um poeta.

Volto da festa, que fora de arromba. Arranco o batom,enquanto procuro o sentido da vida. Só encontro meu sapato, embaixo da cama.  Olho pro espelho, acho uma ruga. Culpa do drama que tenho feito sobre as coisas. Desculpe-me, ó Vida. Mas é que, ás vezes, desconfio que cê não tem sentindo nenhum.

Mas mesmo que não tenha… Idaí?

Ora!

Todo mundo tem defeitos! Por que logo você escaparia desta premissa?

Cê não tem sentido, mas tem beleza! Tem fé, tem pulso! E tem amor, for Christ’s sake! Tem amor demais!

Perdoe-me, por favor, ó Vida! Eu te amo.  Esse meu pessimismo é passageiro, uma fadiga. A culpa disso tudo é do Lars, que tira a gente do eixo com aqueles filmes sobre o fim do mundo  .

Espero que você, ó Vida, não me leve a mal.  Porque apesar de todos os pesares,eu escolho você.

Seja como for.