O JOGO

E tem a tua presença
que é diferente de todas as presenças
que tenho previsto.
 
E tem teus olhos, que são de desejo
Fresco e perigoso, olhos de lince.
Essa tua Iris tem vida, tu nem precisava de boca
Porque teus olhos já dizem tudo e
Tiram minha roupa.
 
Em cheio, diante de tanto charme,
Me envergonho só de olhar-te pois
Não sou tão bela quanto tu mereces.
 
Tua presença é tão diferente!
Me distrai da morte,
Me atrai pra vida!
E não venha fingir surpresa,
Eu sei que tu me desejas
nua,
sua.
Eu gosto do jogo pois,
Vamos a ele!
até que a seta
aponte dura
pra tua cama de lua.

ARMAÇÃO

Os óculos

te dão esse charme de homem vivido,

esse ar de abusado mas,

ao mesmo tempo,

ele disfarça tua beleza escrachada

que tu esbanja de graça

em cada esquina, um perigo.

Suas lentes

são meu c(s)into de segurança,baby.

VALSA

Quem poderá explicar

esse fogo,

essa selva

esse mar?

 

Quem poderá condenar

essas bocas

desses beijos

de lambuzar?

 

Quem poderá escapar

do ensejo

do desejo

de navegar?

 

A saliva é o gozo da língua.

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Isso não é um adeus, é apenas um silêncio.

ImagemSe não acabasse assim, acabaria assado. Estávamos fadados a não ficar juntos. Bom, pelo menos por hora, porque sinto que a gente ainda se encontra. Quiçá noutra vida, ou talvez noutro planeta. Mas a gente se encontra, amor.

Quero que cê seja feliz, viu? Feliz do jeito que eu fui contigo. Que mais eu posso desejar pr´um homem como tu?  

                E tem que ter humor também, não é, meu bem? Que a vida sem humor é muito amarga. Não vou negar a dor, sei que o amor é mesmo assim.  Mas meus amigos disseram que passa. Eu acredito neles.

Aliás, tudo passa, não é mesmo? E o que é que fica? I mean, depois de viver uma puta história de amor, o que fica afinal? O que acontecerá com as coisas lindas que vivemos, os filmes que vimos, as poesias que te fiz? Virou cinza de memória? Ora…você,minha fonte de inspiração e de alegria por tanto tempo! Sabe que cê que me fazia levantar da cama sorrindo? Escuta um segredo: Eu te amei. Nossa história virou tatuagem de diário, eu não quero te esquecer. Temo o esquecimento com a mesma angústia que temo a morte. Quero te ter, mesmo que seja como lembrança boa de verão. Não queria perder teus olhos de vista, é uma pena. Desculpa o drama, amor. Mas a perda é um câncer e filosofar na fossa é uma merda.

 Porém, isso tudo é só por hoje, ando num mau humor danado. Amanhã eu chorarei por ti um pouco menos, sempre um pouco menos, a cada dia. Gota a gota supero essa dor. Logo ficará só a lembrança leve do seu cheiro, tão doce que até me fará sorrir. Direi alguns clichês saudosistas e logo me distrairei com a vida, que ainda pulsa apesar de tudo.

Mas por hora, cansei do amor. Vou pedir demissão, agora acabou a brincadeira. É tão mais fácil viver blasé. Chega de profundidade, não tenho mais coração pra isso. Agora, meu bem, quero só nadar na superfície. Chega de aprender a navegar.

 

 

 

De você, levo nossos sorrisos.

Até a próxima, amor meu.

 

Luz da alma doce

 

 

A luz da alma doce

Aquece o livro aberto

Triste é a vida sem verso.

Pobre das almas frias

Que pela vida passam

sem poesia.

É como um samba

sem Cartola

ou um sarau

sem viola.

Cantar sem voz.

Meu eu sem nós.

Uma historia sem fim

ou literatura sem Joaquim.

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A PROFECIA

Disse ele: Pega o livro!
que livro depois de lido,
quando fica na estante
só dá prejuízo.
Os Deuses do livro
odeiam egoísmo
e castigam com má sorte
os leitores
que deixam seus exemplares 
mofando até a morte. 
Livro é feito pra ser lido,
não pra ser enfeite 
nos quartos dos pseudo intelectuais!
Porque o verdadeiro intelectual
sabe da importância de
emprestar um livro
para o pessoal.
 
(E não tem medo de que seu livro
não volte nunca mais pra estante
porque sabe que o mais relevante
são as palavras ganhando voz
pelos caminhos mais distantes.)
 
Pobre dos livros 
que são tratados
como porcelanato!
Eles são feitos de ferro
de vento
e de bicarbonato!
Por isso,cuidado com
os deuses do livro,
leitores medíocres!
A má sorte e o egoísmo
acompanham somente
os caretas & patifes.
 
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Esta é a última história que escrevo em teu nome

Li uma entrevista prosa do Mario Vargas Llosa em uma dessas revistas de arte. Ele disse que corre todo dia, antes de começar a trabalhar. Comecei a fazer o mesmo, rumo ao Nobel. Se um dia eu for star, os aspirantes a BBB literário já sabem a fórmula. O problema é que eu ando numa secura criativa que nem o cooper consegue me salvar! Falta respiração pr´eu contar histórias. E outra também: não quero mais falar sobre você. Chega, né? Já deu. Metade da minha obra tem teu nome velado, meus leitores te conhecem melhor que a tua mãe. Não agüento mais ter você inundando minhas rimas, acho um saco.  Queria falar de novo sobre a natureza, sobre a vida e a grandeza das coisas. Sobre os poetas de vinho e a sétima arte, tudo o que realmente importa. Porém, acabo sempre caindo na tua graça, uma desgraça. Tanta coisa para se dizer num mundo de cáries e eu aqui, dizendo de você. Tanta vida lá fora, tanta morte aqui dentro e eu sem assunto. Os apaixonados são tão umbigudos, não?

Para animar, lembrei de uma coisa engraçada: Noutro dia entrei em uma galeria vintage na Oscar Freire e me deparei com o inusitado: uma copia fiel de um coração humano. O heart era de cerâmica, custava 800 reais e já vinha com artérias. Fedia a sangue, só faltava pulsar. É mole?

Ei, mas perai! Será que encontrei a cura? E se eu trocar meu coração atolado por esse fake heart? Afinal em pensamento eu já não te tenho mais… Talvez seja uma saída, claro! Agora eu entendi o preço dessa cerâmica! Desculpem queridos, mas se vocês me dão licença, vou ligar na galeria pra fazer a reserva (antes que outro poeta descubra)

Um brinde ao criador dessa peça porque de amor eu não morro mais.

COM-FUSÃO PARTE DOIS

Quando a gente pensa que o amor se foi, ele volta com força dobrada. Iludida, eu pensava que não estava mais apaixonada. Que nada! Está mais forte do que nunca. E eu, cega, não enxergava. Mas sentia. Porque o coração não se engana. Toda vez que ele passava, toda vez que eu pensava nele, meu coração me avisava. Eu gelava, me faltava o ar.

Como é difícil esquecer uma paixão. Alguém aí tem uma receita? Simpatia, talvez? Nada? Alguém me ajude, pelo amor de Deus! Até mesmo uma frase clichê de auto-ajuda ajudaria. Nada mesmo? Tudo bem. Tenho que resolver isso sozinha.

Tem um dito popular que diz: “Nada melhor do que um novo amor para curar a dor do antigo.” Sim, é verdade. Mas e se eu quiser continuar amando o meu amor antigo? Eu amo amá-lo, apesar de todo sofrimento. Ele é uma criatura encantadora, tão fácil de amar. É tão simples se apaixonar por ele. É só olhá-lo nos olhos, sentir seu cheiro, ouvir sua voz ou perder-se no seu sorriso e voilá!

Amo-o em cada detalhe. E sou feliz por amá-lo tanto. O problema é que ele não sente o mesmo. Amo-o sozinha. (o que dá certo charme ao nosso amor.) Apesar de não nos tocarmos, ele toca meu coração com cada passo, cada cacho de seus cabelos. Ah, quando ele passa por mim e finge não me ver! Tenho vontade de correr atrás dele, abraçá-lo, beijar sua boca, seu nariz, seus olhos, testa, bochechas. Beijá-lo tanto até que ele se canse de tanto amor que eu tenho para dar. Se ele soubesse (como eu sei) o quanto seríamos felizes juntos.  Se ele percebesse o quanto eu sou bonita.  Se ele acreditasse que nossos signos combinam. Se ele se entregasse. Eu seria a criatura mais feliz do planeta.

Apesar de tudo, sei que tenho sorte. O amor, sendo correspondido ou não, é um sentimento nobre e transcendente. Mantém meu corpo vivo de desejo. Mas de qualquer maneira, estou ficando sem forças. Será que o caro leitor não tem o telefone de algum curandeiro? Pode ser também um macumbeiro, que traga o ser amado em três dias. (Ah não, três eu não aguento.Um dia sem ele já é eterno. Eu pago o dobro! Será que ele chega mais rápido? Apesar de que meu novo dom é a espera.)

E vivo, em brasa,

Esperando-o

Respirando-o

Esperando-o

Expirando-o

Respirando-o

Expirando-o

Respirando-o

Esperando.

COM-FUSÃO

Qual foi a última vez em que me encontrei neste estado? Não sei. Até tenho um palpite de que esta é a minha primeira vez. Claro que já amei alguns. Teve aquela vez, em que eu era pequena, e me apaixonei pelo Bruno. Ele era tão branco quanto a neve, e deixava meu coração e bochechas ironicamente quentes. Já mais velha me apaixonei por outro Bruno. Esse não era branco de pele, mas era Branco de sobrenome. Ficamos juntos, meus olhos brilhavam, entre outros clichês. Mas não era a mesma coisa. Não era tão forte, não era tão sufocante. Ás vezes acho que o amor é estar entre a saúde e a doença. Estar apaixonado é estar sempre no limite da vida.

Amei namorados e amantes, professores e farsantes, músicos, atores, engenheiros lúdicos e administradores. Amei sempre, amei muito, eu sou assim. Mas o que sinto hoje é muito maior e muito melhor. Se antes era amor, agora já nem sei nomear. Perdi minha natureza homo sapiens, não sei mais dar nomes as coisas do mundo. Talvez por esse amor não ser coisa dessa mundo, talvez ele pertença ás estrelas. Talvez isso, talvez nada disso. Acho que preciso voltar aos ideogramas.

É difícil estar apaixonada. Não sei como vocês se sentem, mas eu me sinto perdida.  Não sei como agir, me perco de mim mesma o tempo todo.  Não consigo fazer nada sem pensar nele: tomo banho para ele, leio para ele, danço para ele, cozinho para ele e, no final do dia, durmo com ele. Minhas novas preposições preferidas: para e com. Pronome pessoal mais usado:terceira pessoa do singular no masculino.

Difícil. O meu ego se foi. O que me restou foi essa mulher casual que tenta agradar seu homem. Pelo menos, estou mais bonita. O amor tem dessas coisas.

Difícil. Nem sei como finalizar esse conto porque só comecei a escrevê-lo para me livrar um pouco da sombra dele. Claro que falhei, como vocês podem ver.(ou ler). Que lugar comum! Ando tão sem assunto. Não consigo prestar atenção em nada, nem mesmo no meu próprio conto. Desculpem-me por isso. Não é falta de respeito com vocês, é excesso de vida no corpo. Às vezes acho que vou explodir, ás vezes desmaiar, outras voar. Quem já teve um amor pertencente às estrelas,sabe. A gente fica fora de órbita mesmo.

(Licença poética para clichês número 69)

Café da manhã

Por entre livros e sons

debaixo dos lençóis e com

suas pernas embraçadas nas minhas

você me faz cosquinhas

 

Mesmo sem te ter comigo

tua língua mora em meu umbigo

meus olhos vivem dos teus

meu coração respira no breu.

Existe algo do meu sorriso

por entre teus dentes de gesso?

Sobrou um pouco do meu perfume

por debaixo do teu queixo?

Restou em ti também

Fios dos meus cabelos?

Sobrou em mim, além

saliva tua nos seios.

O que nos falta

é tempo.

O que nos sobra

é gozo.