circo

 

matei o pernilongo justo em cima de uma foto

do Mar,

horas

de perseguição ou pelo menos parecia pra coisa acabar assim

bestamente, minha mão em cheio nele, a foto atrás.

as ondas

levaram o corpo do mosquito

(não pedi)

e as pessoas

nadaram por cima disso e

de tudo.

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RESENHA: O peso do pássaro morto, de Aline Bei

Chiaroscuro

por Matheus Guménin Barreto* 

O peso do pássaro morto (2017, Editora Nós) – romance de estreia de Aline Bei – deixa nas mãos do leitor, após a leitura, o peso de algo que ele não sabe muito bem nomear, mas que também lhe parece vagamente familiar após tê-lo apalpado durante mais ou menos 150 páginas de vertiginosas linhas de prosa quebrada. O peso do que não se ouve da boca de uma pessoa, mas que fazem-na o que ela é, no núcleo mais duro de si; o peso do que não se vê nos gestos de uma pessoa, mas que fazem-na o que ela é, no núcleo mais duro de si; o peso do que não se chega a saber sobre uma pessoa e que morre entalado nela, mas que fazem-na o que ela é, no núcleo mais duro de si.

Em O peso do pássaro morto Bei…

Ver o post original 545 mais palavras

meia noite

éramos apenas um casal

olhando o mar esperando o próximo

ano,

talvez um pouco mais vagarosos

do que os outros casais com taças e

rosas

pra iemanjá.

qualquer um ali

poderia morrer nesse próximo ano que começaria em minutos

poderia perder

um ente querido ou

alguma coisa inclusive dentro de si, mas

ainda Não e nós dois de costas

pra tudo isso,

alheios como uma árvore.

acontecia

na parca distância entre o meu corpo sentando e o seu corpo sentado

algo forte e por isso invisível, quem sabe o mar pudesse dar nome ao que nos acontecia,

poderia ser, e eu gostaria de sussurrar isto, porque dizer a palavra já é perder

a palavra

 

poderia ser a

 

 

 

Felicidade,

?

 

 

tínhamos combinado de assistir os fogos mas não esse silêncio, estava tudo dito e calmo entre nós.

 

enquanto isso as pessoas conversavam

e o que é conversar se não uma tentativa

de deixar um pouco nosso o quarto de um desconhecido.

as vozes

elas iam ficando cada vez mais nas nossas

costas

parecia que eles estavam celebrando um ano que já passou

1996

num filme gravado em super 8 desses que a gente coloca no natal e a família assiste

alguns choram

eu não. estar ao seu lado na praia

era o melhor que já tinha me acontecido

apesar de saber que

hora ou outra a gente teria que voltar pro hotel.

porque não existe ficar pra sempre

e ainda que tivéssemos essa coragem: chegaria o momento em que a nossa

 

(  felicidade? )

 

se transformaria em

outra coisa

 

só porque um pássaro voou baixo

demais

e o mar sentiu o cheiro

da ave

e a ave sentiu o cheiro

do mar

 

e de repente migraríamos para a nossa

infância

 

você se lembraria da sua mãe bêbada no primeiro natal que ela passou sem teu pai

 

eu me lembraria do avô que me tocou a calcinha

e de uma festa

anos depois

o vô já morto

que eu não fui, não pude,

 

e lembraríamos

 

dos amores que tivemos, dos términos, cada um deles e todos juntos nos trouxeram até aqui na praia onde já não estamos

porque é humanamente impossível

permanecer no agora por muito tempo

assim como a palavra, nós somos feitos de

deslizes, de

fugas,

 

 

 

 

fogos.

 

 

 

 

 

Castigo

se eu morasse no conhaque, se meu chapéu fosse capa. se minha mão virasse trago, se pelo menos o garçom sumisse. eu me deitaria profundamente na mesa até meu rosto virar madeira ou se pelo menos eu tivesse pernas, me levantasse. ganhasse a rua entrasse em casa, o som da banheira enchendo. vai dizer que você não sabia? as pessoas simplesmente se matam quando o ser amado não aparece às oito como combinamos, no único restaurante da Diogo Ramalho Senhor, a gente precisa fechar.

descrição do quarto da mulher que morreu

na gaveta uma carta
dobrada, frases se olhando, coisas como “eu preciso de um cachorro”
convivendo com
“meu remédio pra dormir” e a carta dentro
do quarto escuro que é
um envelope
na gaveta virando
casa
tudo dois passos
a frente, as pequenitudes são assim.
em cima da cômoda descansava uma caixa
aberta naquela
bailarina imóvel
pra onde foi a música? ela pensava caso
pensasse, ao lado um livro
Mal-entendido em Moscou.
a mulher que morreu gostava muito
desse livro
que conta a história de um casal que se desentende numa viagem
os capítulos separados
pelo ponto de vista do homem e
da mulher. depois de ler
esse livro
a morta que na época não estava
morta
sentiu pela primeira vez o grande
do Mundo, as pessoas falavam disso constantemente, mas ela
nunca tinha sentido assim
na pele
o tamanho de tudo que existe.
aquele
era o melhor livro do século
despretensioso e por isso tão bom
falava sobre todos querendo apenas dizer de 1 e também a mulher gostava do rosto
da Simone de Beauvoir
colou um pôster perto da cama.
na foto

 

a escritora fumava olhando pra câmera

 

e apenas um animal selvagem
poderia se aproximar daquele
mistério que era
olhar pra alguém que não sentia medo. enquanto isso escorria a colcha
de cetim branco parecendo
leite
bastava deitar na cama pra mulher voltar pro
útero e por fim um tapete
perto da porta
tentando acalmar as coisas, querendo ouvir
da Terra e
dependendo do jeito que a luz batia ali
no quarto
dançava por cima dele uma cruz.

a filha sumiu

eu estava com o meu porco comprado no Texas

 

mentira

 

comprado na loja do seu cristovão mesmo

 

lá as crianças escolhem

se vão levar uma boneca ou um jogo

de tabuleiro

se pudesse eu escolheria

tudo

minha mãe não deixa

ela diz que a gente não pode ficar gastando dinheiro com bobagem

 

-brinquedo não é bobagem – grito.

 

ela me dá um tapa

na boca

toda vez é assim. e ainda reclama

essa menina é muito

malcriada.

culpa sua, digo por dentro, não quero apanhar outra vez.

meu porco é única coisa que eu consegui lá da loja do seu cristovão. no dia do meu aniversário minha mãe ficou carinhosa e me deu de presente, foi

macio.

o tempo passou

e lá estava eu no quintal com o meu porco não do texas

quando minha mãe avisou que

ia no mercado

 

-não mexe em Nada da cozinha, ouviu?

 

(barulho de porta fechando)

 

 

ela sempre fala isso quando sai.

minha mãe tem medo

dos perigos da Cozinha

eu mesma já vi um porco morto em cima da pia.

duas horas depois a gente comeu aquilo, nem parecia o de antes, no prato ele estava quente e rosa

na pia bem mais pálido

será que é o medo? de virar comida. eu te entendo, mister Porco,

eu também fico pálida quando a minha mãe levanta a mão pra bater na minha boca, depois que ela bate eu fico rosa

e quente

igual você

mas eu te como mesmo assim

 

(garfo na pele

a boca cheia)

 

já o meu de pelúcia eu nunca comeria

porque eu sei que ele também não faria isso comigo

e a gente tem que confiar um no outro pra dormir junto do jeito que a gente dorme toda noite.

demos as mãos, meu porco e eu, depois que a minha mãe saiu.

subimos até a laje

de lá dava pra ver o tanto

de telhado que existia pelas ruas 5, 11, 17.

eu falei pro porco,

 

-isso aqui

é o Mundo

não é só o nosso quarto não

debaixo das cobertas onde ficamos conversando até tarde

e depois acordamos arrastados

pra ir pra escola, na verdade só eu, né?que você mora no quarto

estuda, pensa

tudo lá

queria que minha vida fosse assim também.

 

-mora em mim então. – ele disse.

 

-morar em você?

como?

 

-você não vai gostar.

 

-fala.

 

-você vai ter que fazer comigo igual sua mãe faz com o porco na pia.

 

-te comer?

 

-não. me abrir.

me abre

e fica morando na minha barriga

ou em outros lugares, você que sabe, pode morar nas patas

ou no cérebro.

 

-pra sempre?

 

-é. eu acho que você vai aprender mais coisas dentro de mim do que no colégio. porque lá é muito conhecimento mas ninguém aprofunda nada. dentro de mim você vai ficar bem aprofundada.

 

humn.

mas como eu vou ver os telhados aqui da laje? eu gosto muito de fazer isso

 

-pelo meus olhos, ué.

quando você quiser me avisa

eu subo até aqui

e pronto. como você vai estar morando em mim tudo o que eu ver você verá também.

-mas seu olho é só um buraquinho.

 

-o seu também. ou você pensa que está vendo o mundo todo?

você vê só até onde o olho alcança

e a partir do momento que você escolhe olhar uma coisa

você tá deixando de olhar pra milhares de outras, é assim em qualquer lugar e pra todo o sempre

morando em mim pelo menos você não precisa mais ir pra escola

muito menos apanhar na boca.

 

-você tem razão,

hoje você tá cheio

de razão.

 

-vou ficar ainda mais depois que você morar em mim.

 

-vou pegar uma faca.

 

-tesoura é melhor.

 

 

(a menina dispara

pra cozinha

 

enquanto a mãe na sessão de frios

procura a validade de um queijo)

 

Natal

as tosses dos que estavam ali

durante a

performance do menino, quase um nascimento,

que disse interrompendo a ceia

(o piano num
canto, esquecido como quem morre por último)

eu quero tocar uma música pra vocês.

ravi estava se sentindo finalmente pronto
pra mostrar seus
pássaros nos dedos

os pais riram
os avós riram
os tios.

ele se sentou ao piano

começou uma
Sonata
composta por
ele mesmo, 11 anos, e disse isso para família ainda na mesa,
o vinho na taça,
e no instante em que ravi ergueu
a primeira nota
fez-se um
silêncio
maior até
que o próprio silêncio

algo como o chão voando em câmera lenta
tudo pro teto
vinho
cadeiras
paletós
os pais não sabiam
os tios não
sabiam
os dentes dos avós.

quando o menino disse eu quero tocar uma música pra vocês
a família levou aquilo tão a sério quanto um copo na pia e quem? poderia culpá-los
ravi é sempre tão
quieto.

(cof, cof, respiros,
suspiros)

eram as pessoas não aguentando
o tanto de
vida e coisas sem nome
que o menino estava oferecendo pra eles
que não esperavam do mundo
grandes feitos

até verem uma bailarina

nos dedos de ravi

tosses

pra esvaziar o muito
que eles estavam recebendo

ravi? eles chamaram, não queriam implodir. mas o menino

não escutava, o menino foi morar no fundo da música

a família querendo falar sobre o

Acontecimento

conversar uns com os outros pelo menos pela expressão facial

mas eles

não tinham forças
(tosses)

ouvir o menino exigia o Mundo
que até nos prepara minimamente para as dores
para os mal entendidos, mas
(tosses)

para uma Beleza dessas
invisível e ao mesmo tempo a galáxia
pra isso meus deus, (tosses),
ravi o menino
jesus.

a briga

fechei a porta do quarto quando te ouvi chegando

guardei o livro, apaguei as luzes

tratei de ficar

imóvel. atenta

aos sons vindo da

cozinha

a geladeira aberta, os sapatos que você tirou.

a água

preenchendo o copo

a boca no

copo

seus passos

no corredor

meus olhos muito prontos

pra fingir um sono

profundo

assim que você abrisse a porta porque

eu sabia que você abriria

a porta.

foi quando senti o peso

da sua mão

descendo a

maçaneta

e nessa hora, como eu tinha planejado,

nessa hora eu fecharia os olhos pra gente não se ver

mas.

incrivelmente.

por mais que eu tentasse

meus olhos não

fechavam, não eram meus, e a sua cabeça quente

surgiu no vão que a porta

recortou no

Espaço

 

tá tudo bem?

você pergunta

 

tá.

 

já vai dormir?

 

sim.

 

não vai ler antes?

 

hoje não.

 

boa noite. – você disse encostando

a porta

 

é incrível como a sua presença

perdura

 

você demora

pra voltar e ainda assim está sempre aqui na nossa

casa a sua áurea

um pouco no quadro

da santa ceia

um pouco nas

maçanetas

 

(quem chega sempre abre

uma porta)

 

no sabonete, especialmente

 

tem você também no telefone

 

sua voz moldando frases

no fundo um alívio

ouvi-las, pelo menos um sinal de que ainda estamos aqui.

 

tá tudo bem, filha?

 

nunca está.

não é nada urgente, claro, tanto que mentimos

o tempo todo

virando um Hálito e vai ficando

cada vez mais difícil ser sincero simplesmente.

 

pela manhã

 

(você na rua

trabalhando)

 

 

sozinhas a mãe me perguntou

se eu já tinha te

perdoado.

 

olhei pra pergunta dela

 

atrás a cortina

num balaço tão

mínimo, parecia

impressão. foi quando eu comecei a imaginar

o mundo daqui muitos

anos

sendo habitado por

outros seres

a gente nos livros

desses seres

e enquanto eles estudam o que tentamos fazer pelo mundo quando tivemos a chance,

 

enquanto isso nós estaremos nadando

no azul absoluto da não existência

 

então sim, respondi pra mãe,

 

eu já perdoei o pai pelo que ele me fez.

Não se preocupe, Júlia

ela abriu a bolsa

em busca do

batom

 

melhora muito a aparência passar aquilo, os traços se harmonizam, quem entende de cor deve saber por que tirar o pálido da boca melhora tanto um rosto, mas a júlia não estava

encontrando, será que esqueceu em casa?

 

lembrou do próprio quarto

minutos antes de sair.

 

não,

 

ela não tinha deixado nada por cima da cama

ou na mesa da tv

 

rememorou também o banheiro

e talvez ali

na pia perto do

espelho como esse que ela está agora

sem batom porque bebeu

cerveja, o batom que destaca

seu rosto

quando ela precisa dele em noites de música como esta.

 

sim,

 

ela esqueceu o batom na pia

ali bem perto

da torneira

 

quem dera a júlia pudesse transportá-lo

que distração imbecil, pensou.

 

logo ela

sempre tão cuidadosa com as suas muletas

numa noite de

pista cheia

muita gente podia olhá-la caso ela estivesse maquiada. claro que

não exatamente pelo batom

era alguma coisa no meio disso

causando uma confiança absurda nela

tudo brilhava enquanto havia cor nos lábios de Júlia.

 

ela encarou a própria imagem

esverdeada pela

luz.

 

três mulheres passaram atrás da cabeça

de júlia

rindo entre elas, saíram sem lavar a mão.

 

 

(a textura prateada do espelho, dá pra notar pelas

bordas)

 

 

quem dera a júlia fosse capaz

de uma liberdade assim como a delas,

a de sair simplesmente

sem se ver ou se lavar. então ela lembrou de um dia

quando ficou fora até de noite por conta de um curso

e esqueceu o corretivo em casa.

ela tinha passado maquiagem de manhã, claro, mas precisava retocar

e quando abriu a bolsa pra fazer isso

no ônibus a caminho do curso

 

(ela retocava a cada uma hora, se não as olheiras começavam a

aparecer)

 

ela percebeu, pro seu desespero, que o bastão não estava lá. jogou tudo da bolsa no banco, chave, dinheiro, caneta,

e nada

do corretivo

foi um susto pior que o do batom

porque na época a júlia era menos forte, pensou seriamente em voltar pra casa. depois lembrou

da farmácia que tinha ali na são gabriel.

foi até ela

pra tentar encontrar o corretivo

 

-não tem. – a moça disse

 

ela comprou assim mesmo

outro, de outra marca

 

e correu pro banheiro, sempre ele,

se retocar.

 

acontece que aquele corretivo era mais claro que a sua pele

e seco demais

 

deixou tudo craquelado como se ela tivesse muitas rugas, parecia que alguém tinha acendido uma luz de cozinha bem debaixo do seu olho

 

e assim a júlia ficou

o dia inteiro

as pessoas a convidaram pra almoçar.

 

ela foi

 

não queria transparecer o quanto

ela não era nada sem a sua maquiagem habitual. ficou miúda ali comendo

na churrascaria

a carne que morreu

para alimentá-la feia daquele jeito.

comeu calada

desejando ser um boi que não precisa

de maquiagem nenhuma

 

mas isso

já faz muito tempo

 

e por pior que tenha sido aquele dia

 

(dá calafrios só de lembrar o quanto ela ficou exposta)

 

ninguém comentou nada do tipo nossa como você tá diferente

ou

meu deus quanta olheira.

 

ninguém disse nada mesmo

pra júlia

 

foi assim que ela sobreviveu àquele dia

 

e assim ela sobreviverá também a esse

 

porque no fundo, Júlia, as pessoas não se olham

 

tá todo mundo voltado pra dentro de si.

 

quando encaramos alguém, por exemplo,

na verdade estamos vendo

as costas da córnea desse alguém.

 

desbotamento

-senta aqui do meu lado.

 

-pra quê?

 

-você não confia em mim?

 

-não é questão disso. – ela disse sentando.

 

-vem mais perto.

 

-mais?

 

os ombros se

encostaram. ele alcançou a cintura

dela, girou o

tronco,

cabeças de frente

 

a moça desviou

o rosto

 

depois voltou

o rosto

 

(uma pomba do lado de fora pegou impulso

no parapeito)

 

 

e o beijo

 

( voou )

 

 

cobras dentro da boca

primeiro lentas

depois martelo

no prego

tanto que já parecia

o sexo, propriamente, dentes tentando

não atrapalhar.

 

 

em volta a lanchonete cinco da tarde

 

pessoas trabalhando

no balcão.

 

empresários de terno

na mesa do lado

diziam que

a invenção de um carro sem motorista

mudaria tudo,

 

você pode buscar seu filho

sem sair de casa

 

e o som do beijo

um pouco fora

de lugar ali no meio

da lanchonete

onde se toma

um café

divide-se uma torta

mas a boca?

 

olhar praquele casal dava vontade

de levantar a

blusa

deixar o peito

livre

esperar que alguém te

chupe

 

o empresário da esquerda afrouxou a gravata.

 

o carro, ele prosseguiu,

vai andar sozinho

 

as pessoas trabalhando

no balcão.

 

seria bom avisar

que ali não era o melhor lugar do mundo para um beijo que cresce desse tamanho, vira gente

se engolindo

 

fala pra eles, disse a lola

fala você, retrucou a rita

 

fecha pra mim? o empresário pediu.

 

foi quando o casal levantou

da mesa sem

consumo, nem água

 

(a rita olhando, a lola, o empresário)

 

abriram a porta

push de vidro

 

a felicidade atrás feito sombra.

 

eles entraram num carro placa F T O

96

69

 

e todo o brilho

da lanchonete

 

migrou de repente praquele corsa azul.